Rendimento médio do trabalho revela contrastes marcantes entre regiões brasileiras e reforça desigualdades persistentes no país.
O trabalhador com maior renda média do país não está em São Paulo, e sim no Distrito Federal.
Segundo dados mais recentes da Pnad Contínua do IBGE, o rendimento médio de todos os trabalhos das pessoas ocupadas no Brasil chegou a R$ 3.208 em 2024, enquanto no Distrito Federal alcançou R$ 5.037, o maior valor entre as unidades da Federação.
Em São Paulo, a média foi de R$ 3.884, e os menores valores aparecem no Maranhão (R$ 2.051) e no Ceará (R$ 2.053).
-
Amazon quer usar a Copa do Mundo para vender mais que na Black Friday no Brasil, com Prime Day de 7 dias, 9 mil vagas temporárias, 300 polos logísticos, frete grátis e centro de distribuição capaz de processar 10 mil pacotes por hora
-
BYD vai investir R$ 510 milhões em baterias para a rede elétrica brasileira, quer atingir 50% de conteúdo nacional até 2027 e mira ser a montadora mais vendida do Brasil até 2030
-
Após quase 200 anos de história, fábrica símbolo da Stanley encerra atividades nos EUA, elimina 300 empregos e revela mudança que está transformando a indústria de ferramentas
-
País que vai estrear na Copa só tem 61 m³ de água por pessoa ao ano, sofre com a escassez e aposta em megaprojeto para puxar água do Mar Vermelho até a capital
Esses números consideram o rendimento médio mensal de todas as pessoas ocupadas, somando todos os trabalhos que cada uma exerce, forma de cálculo usada pelo IBGE para comparar os estados.
O valor de R$ 3.208 representa um avanço em relação a 2023, quando a média era de R$ 3.094, e marca o nível mais alto da série histórica iniciada em 2012.
Diferenças salariais entre estados
A diferença entre as pontas do ranking é superior a R$ 3.000.
Enquanto um trabalhador ocupado no Distrito Federal recebe, em média, pouco mais de R$ 5 mil por mês, quem está no Maranhão ou no Ceará não passa de cerca de R$ 2 mil.
São Paulo aparece na segunda colocação, com R$ 3.884, seguido por estados do Sudeste e do Sul, como Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, todos com valores médios próximos ou acima de R$ 3.600.
Na outra ponta, além de Maranhão e Ceará, outros estados do Norte e Nordeste também registram rendimentos bem abaixo da média nacional, reforçando o recorte regional da desigualdade de renda.
Nas regiões Norte e Nordeste, o rendimento médio mensal de todos os trabalhos foi de R$ 2.450 e R$ 2.229, respectivamente.
Esses valores correspondem a 76,4% e 69,5% da média nacional, o que evidencia que, mesmo com o avanço da renda no país, o mapa salarial continua bastante desigual.
Rendimento no trabalho principal

Quando se olha apenas para o emprego considerado principal pelo trabalhador, o rendimento médio também cresceu.
O IBGE aponta que a renda habitual real da população ocupada no trabalho principal passou de R$ 3.002 em 2023 para R$ 3.108 em 2024, alta de 3,5% em termos reais.
No acumulado de 2023 e 2024, o ganho real chega a 10,8%.
Esse movimento reflete, entre outros fatores, a combinação de mercado de trabalho mais aquecido, aumento da ocupação e efeitos de políticas de transferência de renda e valorização do salário mínimo, embora o IBGE não atribua os resultados a causas específicas em seus relatórios.
Ocupações com maiores rendimentos
Os dados por grupo ocupacional mostram que a renda média pode mais que dobrar a média nacional em alguns cargos.
Em 2024, os três grupos com maior rendimento habitual foram:
Diretores e gerentes, com R$ 8.721 mensais.
Membros das forças armadas, policiais e bombeiros militares, com R$ 6.749.
Profissionais das ciências e intelectuais, com R$ 6.558.
Essas funções costumam exigir maior qualificação, responsabilidade de gestão ou atuação em carreiras típicas de Estado.
Elas se concentram principalmente nas regiões mais ricas e nos grandes centros urbanos, o que também ajuda a explicar por que o Distrito Federal e São Paulo aparecem entre as unidades da Federação com maior rendimento médio.
Desigualdade racial de renda
Mesmo com o avanço da renda média, as diferenças raciais seguem marcantes.
De acordo com os dados mais recentes do IBGE, a população ocupada branca recebia, em média, 65,9% a mais do que a população de cor ou raça preta ou parda em 2024.
Na prática, isso significa que trabalhadores brancos têm renda média próxima de R$ 4.119, enquanto pretos e pardos ficam em torno de R$ 2.484.
O rendimento-hora médio real foi de R$ 24,60 para brancos, contra R$ 15,00 para pretos e pardos, diferença que chega a quase 64%.
A desigualdade se mantém mesmo nas funções mais bem remuneradas.
Em cargos de diretores e gerentes, pessoas pretas ou pardas ganham, em média, 34% menos do que pessoas brancas na mesma posição.
Diferenças de renda entre homens e mulheres
O recorte de gênero também revela disparidades.
Em 2024, o rendimento recebido por homens foi 27,2% superior ao das mulheres.
Esse padrão se repete em praticamente todos os grupos ocupacionais e níveis de escolaridade.
Mesmo quando homens e mulheres têm escolaridade semelhante e atuam em categorias profissionais parecidas, a média de rendimentos masculinos tende a se manter acima da feminina.
O IBGE destaca que essa diferença é persistente na série histórica e está associada a fatores como segregação ocupacional, barreiras de acesso a cargos de comando e maior concentração de mulheres em atividades de cuidado e serviços com remuneração mais baixa.
Pobreza e extrema pobreza em queda
Em paralelo ao aumento da renda média, o país registrou recuo das taxas de pobreza e extrema pobreza.
Entre 2023 e 2024, a proporção da população brasileira em extrema pobreza passou de 4,4% para 3,5%, o que representa 1,9 milhão de pessoas a menos nessa condição.
No mesmo período, a taxa de pobreza caiu de 27,3% para 23,1%, uma redução de 8,6 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha considerada de pobreza pelo Banco Mundial.
Segundo o IBGE, esses índices são os menores da série histórica iniciada em 2012, tanto para pobreza quanto para extrema pobreza.
Apesar disso, as diferenças entre grupos da população permanecem expressivas.
Os dados mostram que pretos e pardos continuam sobrerrepresentados entre os mais pobres.
Em 2024, 25,8% das pessoas pretas e 29,8% das pessoas pardas eram pobres, enquanto essa proporção era de 15,1% entre brancos.
A extrema pobreza também tem forte marca racial.
Cerca de 3,9% das pessoas pretas e 4,5% das pessoas pardas estavam nessa condição, contra 2,2% das pessoas brancas.
Crescimento da renda e desigualdades persistentes
Ao juntar todas essas informações, o quadro que se desenha é o de um país em que a renda média cresce e atinge recordes, mas continua distribuída de forma desigual entre regiões, raças e gêneros.
Estados como Distrito Federal e São Paulo concentram salários mais altos, enquanto Maranhão, Ceará e outros estados do Norte e Nordeste permanecem com rendimentos bem abaixo da média nacional.
Ao mesmo tempo, a distância entre brancos e pretos ou pardos e entre homens e mulheres ainda é significativa, mesmo em um cenário de queda da pobreza e da extrema pobreza.
Nesse cenário, como você percebe a realidade salarial ao seu redor: mais próxima dos números do topo do ranking ou da realidade dos estados com as menores médias de rendimento?


Certamente consideraram a renda apenas dos moradores do plano piloto, sudoeste, noroeste, lagos sul e norte. Não computaram a renda de quem mora na periferia (regiões administrativas, antigas cidades satélites). Daí a obtenção de resultado.