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Moto elétrica criada em garagem ganha rodas mecanum e passa a andar para frente, para trás e de lado sem virar o guidão, usando controle eletrônico 360° que parece desafiar a física e transforma uma invenção independente em veículo omnidirecional de movimento impossível

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Escrito por Valdemar Medeiros Publicado em 06/05/2026 às 15:12 Atualizado em 06/05/2026 às 15:23
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Foto: Reprodução/James Bruton
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Moto elétrica caseira com rodas mecanum anda para todos os lados sem virar o guidão e mostra como a engenharia de garagem está reinventando a mobilidade.

Em 2024, o inventor e engenheiro britânico James Bruton apresentou no Reino Unido uma das criações mais incomuns do universo maker: a Screw Bike, uma motocicleta elétrica autobalanceada capaz de se mover para frente, para trás, de lado, na diagonal e até girar sobre o próprio eixo usando quatro rodas mecanum montadas em linha. O projeto foi detalhado pelo próprio criador e repercutido pelo New Atlas em 22 de abril de 2024, que destacou o uso de rodas de 360 mm, ou 14,2 polegadas, com muitos componentes impressos em 3D, já que não havia uma solução pronta desse porte disponível para o experimento.

A inovação também foi destacada pela RideApart em 24 de abril de 2024, que descreveu a Screw Bike como uma moto elétrica omnidirecional movida por quatro motores elétricos, correias dentadas e pares opostos de rodas mecanum, tecnologia mais comum em robôs e máquinas industriais do que em veículos de duas rodas.

Na prática, Bruton aplicou princípios de robótica e controle de equilíbrio para criar uma moto que não depende de curvas convencionais, não precisa inclinar como uma motocicleta comum e mostra como peças fabricadas em oficina, código aberto e engenharia experimental podem transformar um conceito de laboratório em uma máquina real capaz de rodar em um estacionamento.

Como as rodas mecanum permitem movimento lateral, diagonal e giro em 360 graus sem esterçar

O elemento central da invenção está nas chamadas rodas mecanum, um conceito desenvolvido na década de 1970 pelo engenheiro sueco Bengt Ilon. Diferente de rodas convencionais, elas possuem pequenos roletes inclinados ao redor do aro, normalmente em ângulos de 45 graus, permitindo que a força aplicada pelo motor seja distribuída em diferentes direções.

Na prática, isso significa que cada roda pode contribuir para movimentos que não dependem apenas do eixo longitudinal do veículo. Quando combinadas em pares com orientação invertida, essas rodas conseguem gerar deslocamentos laterais, diagonais e até rotações no próprio eixo sem necessidade de girar o guidão ou inclinar o corpo do veículo.

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Foto: Reprodução/James Bruton

Esse princípio, amplamente utilizado em robótica industrial e plataformas automatizadas, foi transportado para uma motocicleta funcional, algo extremamente raro devido à dificuldade de controle e estabilidade em veículos de duas rodas. A adaptação exige não apenas mecânica diferenciada, mas também um sistema de controle eletrônico capaz de coordenar múltiplos vetores de movimento simultaneamente.

Engenharia de garagem aplica conceitos de robótica avançada em uma moto funcional e controlável

O projeto de James Bruton não se limita ao uso das rodas mecanum. Para tornar a moto utilizável, foi necessário desenvolver um sistema completo de controle baseado em sensores e algoritmos de estabilização.

A motocicleta utiliza motores elétricos independentes para controlar o movimento das rodas, além de um sistema eletrônico que ajusta continuamente a rotação de cada componente. Esse tipo de controle é semelhante ao utilizado em robôs autônomos e veículos experimentais de pesquisa, onde cada movimento precisa ser calculado em tempo real.

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O desafio técnico central está no equilíbrio, já que motos tradicionais dependem da inclinação para manter estabilidade durante o deslocamento. No caso da Screw-Bike, o sistema eletrônico precisa compensar constantemente qualquer desvio, ajustando a distribuição de força entre as rodas para evitar quedas.

Esse tipo de solução envolve sensores inerciais, como acelerômetros e giroscópios, que monitoram a posição da moto no espaço e enviam dados para o sistema de controle. A partir dessas informações, o software embarcado realiza microcorreções em frações de segundo, permitindo que o veículo permaneça estável mesmo ao se mover lateralmente.

Movimento omnidirecional elimina a necessidade de virar o guidão e muda a lógica da condução

Uma das características mais impressionantes do projeto é a forma como ele altera completamente a lógica de condução. Em veículos convencionais, o deslocamento depende da orientação das rodas dianteiras. Na Screw-Bike, essa relação deixa de existir.

O movimento passa a ser controlado por comandos que definem direção vetorial, e não ângulo de esterçamento. Isso permite que a moto execute manobras como:

  • Deslocamento lateral puro, sem avançar ou recuar
  • Movimento diagonal com controle preciso de trajetória
  • Rotação sobre o próprio eixo sem deslocamento linear

Esse comportamento transforma a moto em uma plataforma híbrida entre veículo e robô, aproximando-a de sistemas utilizados em logística automatizada, veículos industriais e protótipos militares de mobilidade urbana.

Projeto mostra limites práticos e desafios técnicos da mobilidade omnidirecional em veículos leves

Apesar da inovação, o projeto também evidencia limitações importantes. As rodas mecanum, por sua própria geometria, não são eficientes para altas velocidades ou terrenos irregulares. O contato com o solo é fragmentado pelos roletes, o que reduz a aderência em comparação com pneus tradicionais.

Moto elétrica criada em garagem ganha rodas mecanum e passa a andar para frente, para trás e de lado sem virar o guidão, usando controle eletrônico 360° que parece desafiar a física e transforma uma invenção independente em veículo omnidirecional de movimento impossível
Foto: Reprodução/James Bruton

Além disso, o sistema de controle exige alta precisão e processamento contínuo, o que aumenta a complexidade e o custo do projeto. Em ambientes reais, fatores como irregularidades no solo, inclinações e obstáculos podem comprometer a estabilidade do veículo.

Outro ponto crítico é a eficiência energética. Como parte da força aplicada pelos motores é dissipada em direções não úteis durante certos movimentos, o consumo tende a ser maior do que em veículos convencionais.

Essas limitações indicam que, apesar do avanço conceitual, a tecnologia ainda não está pronta para aplicação comercial em motocicletas tradicionais, mas abre caminho para usos específicos em ambientes controlados.

Aplicações reais de rodas mecanum mostram que conceito já é usado em robótica e indústria

Embora a moto de James Bruton seja um experimento, o conceito por trás dela já é amplamente utilizado em outros setores. Plataformas com rodas mecanum são comuns em robôs industriais, sistemas logísticos automatizados e equipamentos de movimentação em ambientes fechados.

Empresas utilizam esse tipo de tecnologia para movimentar cargas em armazéns, onde a capacidade de deslocamento lateral e precisão de posicionamento são essenciais. Em robótica, veículos omnidirecionais são usados em competições, pesquisa acadêmica e desenvolvimento de sistemas autônomos.

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A diferença é que, nesses casos, os veículos operam em ambientes controlados e com quatro ou mais pontos de apoio, o que facilita o equilíbrio e o controle. A adaptação para uma motocicleta, com apenas dois pontos principais de contato, representa um salto significativo em complexidade.

Tecnologia levanta questionamentos sobre o futuro da mobilidade e da engenharia de controle

A existência de uma moto capaz de se mover em qualquer direção sem girar o guidão levanta questões importantes sobre o futuro da mobilidade. Embora ainda experimental, o conceito sugere caminhos alternativos para veículos urbanos, especialmente em ambientes onde manobrabilidade extrema é necessária.

Sistemas semelhantes poderiam ser adaptados para veículos de serviço, equipamentos de resgate ou plataformas de mobilidade em espaços confinados. No entanto, desafios como estabilidade, eficiência e custo ainda precisam ser superados.

O projeto também evidencia o avanço da engenharia de controle como elemento central na mobilidade moderna, substituindo soluções puramente mecânicas por sistemas inteligentes capazes de tomar decisões em tempo real.

No fim, a Screw-Bike não é apenas uma curiosidade tecnológica, mas um exemplo concreto de como conceitos da robótica podem atravessar fronteiras e chegar a formatos inesperados.

E você, acredita que veículos capazes de andar para qualquer direção podem sair das garagens e chegar às ruas no futuro, ou essa tecnologia deve ficar restrita a experimentos e aplicações industriais?

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Valdemar Medeiros

Formado em Jornalismo e Marketing, é autor de mais de 20 mil artigos que já alcançaram milhões de leitores no Brasil e no exterior. Já escreveu para marcas e veículos como 99, Natura, O Boticário, CPG – Click Petróleo e Gás, Agência Raccon e outros. Especialista em Indústria Automotiva, Tecnologia, Carreiras (empregabilidade e cursos), Economia e outros temas. Contato e sugestões de pauta: valdemarmedeiros4@gmail.com. Não aceitamos currículos!

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