Montadoras chinesas aceleram desembarques no Brasil antes da alta do imposto de importação para 35%, com operações da BYD, Geely e outras marcas pressionadas por demanda aquecida, cotas próximas do fim e portos mobilizados
A corrida das montadoras chinesas por carros elétricos no Brasil acelerou desembarques em portos nacionais antes da alta do imposto de importação para 35% em julho de 2026. Em Itajaí, a BYD mobilizou 150 trabalhadores e 90 caminhões-cegonha para retirar 4.500 veículos em 24 horas. Esta matéria conta com dados divulgados em artigo do UOL.
Itajaí vira palco da pressa da BYD
A operação em Itajaí, em Santa Catarina, ocorreu no fim do mês passado e exigiu um plano logístico especial para dar vazão ao navio da BYD. A cidade precisou fechar ruas e criar uma rota de acesso para caminhões a partir da BR-101.
O desembarque envolveu 90 caminhões-cegonha e 150 trabalhadores. A escala mostra como os portos brasileiros passaram a ser parte central da disputa entre montadoras chinesas que tentam abastecer o mercado antes da mudança tributária.
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A própria BYD já prepara uma operação maior. No mês seguinte, outro navio da fabricante deve chegar ao Brasil com 7.200 automóveis elétricos, volume superior ao registrado na operação de Itajaí.
Geely e outras chinesas também ampliam importações
A movimentação não envolve apenas a BYD. A Geely, apontada no material como maior rival da marca, também bateu recorde recente de importações para o Brasil. Outras fabricantes chinesas seguem o mesmo caminho.
Em março, o navio Tong Hong chegou ao porto de Paranaguá, no Paraná, com 3.370 unidades dos modelos Geely EX2 e EX5. A operação ocorreu após o primeiro lote do EX2 se esgotar antes do previsto.
Como as rotas dos navios Ro-Ro têm pouca flexibilidade, a falta de unidades afetou as entregas da marca. Para evitar nova limitação de demanda, a Geely reforçou o envio de veículos ao país.
Em 5 de maio, a embarcação Saic Anji Harmony trouxe 5.101 carros de marcas chinesas variadas. Até o fim de julho, a quantidade de automóveis desembarcados pode chegar a 20.000 unidades, incluindo um lote extra da Geely.
Imposto explica a corrida das montadoras
O avanço dos desembarques ocorre antes da principal etapa do cronograma definido pelo governo federal para carros híbridos e elétricos importados.
Em julho de 2026, elétricos, híbridos plug-in e híbridos convencionais passarão a pagar 35% de imposto de importação.
Atualmente, a alíquota é de 25% para carros elétricos, 28% para híbridos plug-in e 30% para híbridos convencionais.
Em 2024, esses percentuais eram menores: 10% para elétricos, 12% para híbridos plug-in e 0% para híbridos convencionais.
O fim das cotas também pressiona as empresas. Até 30 de junho de 2026, as montadoras ainda podem importar com isenção até determinados valores: US$ 43 milhões para híbridos, US$ 75 milhões para híbridos plug-in e US$ 141 milhões para elétricos.
Mercado aquecido aumenta a disputa
A corrida das montadoras também é impulsionada pela demanda. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico, 83.497 veículos eletrificados foram emplacados no Brasil no 1º trimestre de 2026.
No segundo semestre, o cenário deve mudar. A expectativa é de queda no volume embarcado da China, com mais kits CKD e SKD e menos veículos prontos.
A Anfavea já reconheceu que o início das operações da BYD em Camaçari, na Bahia, e da GWM em Iracemápolis, em São Paulo, tem peso nesse desempenho.
Mesmo assim, o Brasil ainda deve receber lotes expressivos por navios Ro-Ro após a alíquota de 35%. A diferença é que essas chegadas tendem a ser mais pontuais, ligadas a modelos sem produção nacional.
Esta matéria foi elaborada com base em informações doUOL Carros, Associação Brasileira do Veículo Elétrico e Anfavea, com dados, números e declarações preservados conforme o material consultado.


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