Projeto liderado por Will Passos transforma imagens captadas debaixo d’água em modelos digitais detalhados, revela túneis sob Mount Gambier e já ajudou mergulhadores a encontrar um novo trecho subterrâneo na região da Costa do Calcário
Um grupo de mergulhadores está usando quatro câmeras, iluminação especial e fotogrametria para criar mapas 3D de cavernas submersas na Costa do Calcário, no sul da Austrália. Os modelos revelam túneis sob ruas e imóveis, facilitam novas descobertas e permitem conhecer ambientes antes registrados manualmente.
Cavernas submersas ganham modelos digitais detalhados
A iniciativa é liderada pelo mergulhador especializado Will Passos, com apoio dos integrantes da equipe Soggy Wombats.
O trabalho ocorre em uma região marcada por numerosas cavernas e sumidouros formados ao longo de milhares de anos.
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No começo do projeto, os mergulhadores fizeram testes com apenas uma câmera e poucas fontes de luz. Mesmo com as limitações, as primeiras imagens demonstraram que seria possível reconstruir digitalmente os ambientes submersos.
A equipe aprimorou o método e passou a utilizar quatro câmeras de ação instaladas em uma estrutura especial.
Os equipamentos registram imagens continuamente enquanto os mergulhadores percorrem túneis, paredes e passagens em ambientes com pouca ou nenhuma luz natural.
Várias fontes de iluminação são usadas para registrar detalhes das formações. Depois dos mergulhos, programas de computador processam as imagens e produzem modelos digitais tridimensionais das cavernas submersas.

Túneis aparecem abaixo das ruas de Mount Gambier
Um dos objetivos do projeto é mostrar aos moradores de Mount Gambier o que existe sob a área urbana. A equipe concluiu recentemente o mapeamento da Caverna Engelbrecht, localizada no centro do município.
O modelo digital permitiu visualizar como os túneis subterrâneos passam abaixo das ruas. Os pesquisadores também conseguem sobrepor o desenho da caverna ao mapa da cidade, identificando com maior precisão a localização das passagens.
“Quero mostrar às pessoas o que existe sob suas casas. Acho isso muito interessante”, afirmou Will Passos.
Além da utilidade técnica, os mapas tornam essas estruturas acessíveis a pessoas que não poderiam entrar nas cavernas.
A proposta inclui transformar os modelos em vídeos e animações para apresentar os ambientes subterrâneos ao público.

Fotogrametria substitui medições feitas à mão
Durante décadas, o registro das cavernas da região dependia de métodos manuais. Mergulhadores usavam fitas de medição, bússolas especiais e pequenas anotações produzidas durante as explorações debaixo d’água.
Após os mergulhos, as informações eram transferidas para papel milimetrado, no qual os mapas eram desenhados manualmente.
O processo consumia tempo e enfrentava as dificuldades naturais de uma atividade realizada em ambientes submersos.
O hidrogeólogo Ian Lewis, que pratica mergulho em cavernas há cerca de 50 anos, acompanhou essa transformação. Com a fotogrametria, os pesquisadores passaram a produzir representações mais detalhadas e úteis para o estudo das formações.
Mapas 3D já orientaram descoberta de novo trecho
A tecnologia também auxilia na busca por passagens ainda desconhecidas. Um modelo da Caverna Pines, próxima a Tantanoola, mostrou uma área sem conexão completa com o restante da estrutura mapeada.
A equipe decidiu investigar o ponto indicado pelo modelo digital e encontrou um novo trecho da caverna.
Segundo Passos, os mapas mostraram onde os mergulhadores deveriam procurar, oferecendo uma informação que não era esperada no início do trabalho.
Os modelos já são utilizados por mergulhadores e disponibilizados à Associação de Mergulhadores de Cavernas da Austrália.
Passos pretende aplicar a técnica em outros países, incluindo Tailândia, Laos e Japão, onde muitas cavernas ainda não possuem mapas detalhados.
“Existe um território novo para explorar e criar os primeiros mapas dessas áreas”, afirmou o mergulhador.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações fornecidas no material-base sobre o projeto liderado por Will Passos e pela equipe Soggy Wombats, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.

