Movido pela saudade, garoto percorre milhares de quilômetros com o pai, enfrenta desafios, arrecada doações e transforma jornada em gesto de amor, superação e solidariedade
Em 2020, um caso chamou a atenção. Se é verdade que avós fazem qualquer coisa pelos netos, a história do menino britânico Romeo Cox, então com 11 anos, mostra que o amor também pode caminhar no sentido inverso.
Morando com a família em Palermo, na região da Sicília, Itália, o menino decidiu atravessar a pé as fronteiras da Itália, Suíça, França e Inglaterra apenas para dar um abraço em sua avó Rosemary, de 77 anos, que vive na pequena cidade histórica de Witney, em Oxfordshire, Reino Unido.
A jornada, que parece saída de um livro de aventuras, nasceu da saudade acumulada ao longo de meses e se transformou em uma experiência de conexão familiar, superação e empatia.
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Uma caminhada movida pela saudade
Acompanhado do pai, Phil, então com 46 anos, Romeo iniciou a travessia no dia 20 de junho. O percurso de 2,8 mil km foi concluído em 21 de setembro, quando os dois chegaram a Londres.
No entanto, o encontro com Rosemary só aconteceu no dia 4 de outubro, pois pai e filho precisaram cumprir 14 dias em quarentena antes do tão esperado abraço.
A distância entre neto e avó começou a crescer no ano anterior, quando os pais de Romeo se mudaram da Inglaterra para a Itália.
Com a pandemia do novo coronavírus, nenhuma visita pôde ser feita desde então. A caminhada surgiu, portanto, como resposta direta a esse vazio afetivo.
Um desafio de caminhada que virou causa solidária
A ideia, segundo a família, parecia uma loucura no início. Mesmo assim, Phil decidiu encarar a aventura por enxergar nela uma chance de passar mais tempo ao lado do filho.
Além disso, a dupla aproveitou a caminhada para arrecadar fundos para instituições de apoio a refugiados.
De acordo com o site britânico Mirror, a arrecadação rendeu cerca de R$ 80 mil e foi inspirada por um amigo de Romeo, Randolph, que migrou de Gana para a Itália.
“Ele caminhou ainda mais, mas sem comida, sem água e com medo”, contou o garoto, reforçando o desejo de transformar a própria experiência em algo maior.

“Nunca pensamos em desistir”
Em entrevista ao The Sun, Romeo relatou que a ansiedade para ver a avó aumentava a cada dia do trajeto. Mesmo diante das dificuldades, a vontade de seguir em frente permaneceu intacta.
“Nós nos perdemos algumas vezes. Dormimos debaixo de um ninho de vespas, o que não era uma boa ideia, e ficamos com os pés ensanguentados, mas nunca pensamos em desistir”, afirmou.
Já em conversa com o Daily Mail, o menino descreveu o momento do reencontro. “Chegando mais perto da casa da vovó, comecei a correr e deixei meu pai para trás. Demos o melhor abraço de todos, eu realmente senti falta dela.”
Rosemary, que passou o isolamento social sozinha, disse ter ficado emocionada e orgulhosa. No início, ela sequer acreditou na dimensão da jornada.
Para a avó, ver o neto depois de tanto tempo foi especial e inesquecível.
Além da longa caminhada, pai e filho dividiram pequenos momentos cotidianos ao longo do percurso, reforçando laços que, segundo eles, se tornaram ainda mais fortes durante a travessia.
Com informações de Gazeta do Povo.
