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Marrocos constrói duas gigantescas tubulações submarinas de 1,85 km para puxar água do Atlântico e erguer a maior dessalinizadora da África, capaz de produzir 300 bilhões de litros por ano

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/05/2026 às 18:12
Marrocos constrói megadessalinizadora em Casablanca com tubulações submarinas para captar água do Atlântico e abastecer 7,5 milhões.
Marrocos constrói megadessalinizadora em Casablanca com tubulações submarinas para captar água do Atlântico e abastecer 7,5 milhões.
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Projeto em Casablanca combina captação submarina, osmose reversa e energia eólica para ampliar o abastecimento em uma das regiões mais populosas do Marrocos, com uma estrutura planejada para produzir água em escala inédita no continente africano.

O Marrocos avança na construção da usina de dessalinização de Casablanca, uma obra planejada para captar água do Atlântico por duas tubulações submarinas de 1,85 km e produzir até 300 milhões de metros cúbicos por ano, o equivalente a 300 bilhões de litros.

Com essa capacidade, a estrutura deverá atender cerca de 7,5 milhões de pessoas na região da Grande Casablanca e em cidades vizinhas, reforçando o abastecimento em uma área marcada por forte concentração populacional, atividade econômica intensa e demanda crescente por água.

Instalada em Sidi Rahal, na área metropolitana de Casablanca, a planta ocupará um terreno costeiro de 50 hectares, posição que permite integrar a captação direta no oceano, o tratamento em terra e a distribuição regional da água produzida.

A escolha do local facilita a ligação entre o sistema submarino e a rede que abastecerá áreas urbanas e agrícolas, sem depender apenas de reservatórios, aquíferos ou outras fontes tradicionais já pressionadas por períodos de menor disponibilidade hídrica.

Usina de dessalinização de Casablanca amplia segurança hídrica no Marrocos

Com capacidade final informada de até 838 mil metros cúbicos por dia, a futura dessalinizadora aparece nos dados do Arab Urban Development Institute e da Acciona como uma das obras hídricas mais ambiciosas em execução no continente africano.

Pela escala prevista, a unidade é apresentada como a maior do tipo na África e uma das maiores do mundo movidas por energia renovável, característica que amplia o alcance estratégico do empreendimento para além do abastecimento local.

Dentro da estratégia marroquina de ampliar fontes não convencionais de água, o projeto surge em um contexto de pressão sobre reservatórios, aquíferos e sistemas tradicionais, agravado por déficits de chuva e pelo crescimento da demanda urbana e agrícola.

Segundo a Reuters, o país pretende elevar para 60% a participação da água dessalinizada no fornecimento de água potável até 2030, depois de registrar participação de 25% em 2025 no atendimento desse tipo de demanda.

Antes de chegar às unidades industriais em terra, a operação começa no fundo do Atlântico, onde as duas linhas de captação terão 1.850 metros cada e conduzirão a água salgada até a estação de tratamento.

Marrocos constrói megadessalinizadora em Casablanca com tubulações submarinas para captar água do Atlântico e abastecer 7,5 milhões.
Marrocos constrói megadessalinizadora em Casablanca com tubulações submarinas para captar água do Atlântico e abastecer 7,5 milhões.

Depois da chegada à planta, o fluxo passará por pré-tratamento, osmose reversa, pós-tratamento e controle de qualidade, etapas necessárias para transformar a água do mar em recurso adequado ao abastecimento público e a usos previstos no projeto.

Como a água do Atlântico será transformada em abastecimento

Tecnologia central da operação, a osmose reversa é usada em grandes usinas de dessalinização para separar sais e outros componentes presentes na água do mar, por meio de membranas capazes de reter parte significativa dos sólidos dissolvidos.

No processo, a água pressurizada atravessa essas membranas especiais e segue para etapas complementares de tratamento, permitindo que o produto final atenda aos padrões exigidos para abastecimento depois do controle de qualidade e dos ajustes necessários.

Além das tubulações de captação, o projeto prevê um emissário submarino de 2,5 km destinado à descarga do concentrado salino gerado durante a dessalinização, parte inevitável do ciclo industrial desse tipo de instalação.

Por meio dessa estrutura, uma fração da água retirada do mar retorna ao oceano após a separação dos sais, dentro das condições estabelecidas no projeto e nos procedimentos de licenciamento ambiental aplicáveis ao empreendimento.

A complexidade da obra vai além da faixa costeira visível e envolve unidades de osmose reversa, sistemas de pré-tratamento e pós-tratamento, instalações para tratamento de lodo e um centro dedicado ao controle e à gestão operacional.

Esse centro acompanhará a produção de água, o desempenho dos equipamentos e a integração entre as diferentes etapas do sistema, que precisam funcionar de forma coordenada para garantir regularidade no abastecimento e eficiência no uso de energia.

Fora da área industrial, o plano inclui estações de bombeamento, reservatórios e cerca de 130 km de tubulações para transportar a água tratada pela região, conectando a planta costeira aos pontos de consumo previstos.

Marrocos constrói megadessalinizadora em Casablanca com tubulações submarinas para captar água do Atlântico e abastecer 7,5 milhões.
Marrocos constrói megadessalinizadora em Casablanca com tubulações submarinas para captar água do Atlântico e abastecer 7,5 milhões.

A rede foi desenhada para abastecer Casablanca, Settat, Berrechid, Bir Jdid e localidades próximas, ampliando o alcance da dessalinizadora para além da capital econômica marroquina e de sua área urbana imediata.

Energia eólica vai abastecer a dessalinizadora

Entre os pontos que diferenciam a usina está a matriz energética planejada para seu funcionamento, já que a dessalinização em grande escala exige eletricidade para captação, bombeamento, pressurização, filtragem e distribuição da água produzida.

De acordo com a Acciona, a unidade será alimentada por energia renovável fornecida pelo parque eólico Bir Anzarane, de 360 MW, que destinará 47% de sua produção à dessalinizadora por meio de acordo de fornecimento.

Ao usar energia eólica, o projeto busca reduzir a dependência de fontes fósseis em uma operação naturalmente intensiva em consumo elétrico, fator que costuma pesar no custo final da água produzida por usinas de grande porte.

Em sistemas desse tamanho, a energia está entre os elementos centrais da viabilidade operacional, porque a água precisa percorrer etapas sucessivas de captação, pressão, separação de sais, bombeamento e transporte até os pontos de distribuição.

A divisão da produção anual prevê 250 milhões de metros cúbicos para abastecimento urbano e até 50 milhões de metros cúbicos para atividades agrícolas regionais, o que amplia a função da planta para além do consumo doméstico.

Com esse desenho, a dessalinizadora foi planejada também como apoio à atividade econômica em áreas afetadas pela disponibilidade limitada de água, especialmente onde a agricultura e o crescimento urbano disputam recursos hídricos cada vez mais escassos.

Casablanca reúne população, indústria, serviços e infraestrutura estratégica para a economia do Marrocos, fatores que tornam a segurança hídrica uma questão decisiva para a continuidade das atividades urbanas e produtivas na região.

Em áreas metropolitanas desse porte, a oferta regular de água depende cada vez mais de soluções complementares, sobretudo quando ciclos de seca reduzem a segurança dos reservatórios e aumentam a pressão sobre fontes subterrâneas.

Consórcio e investimento da maior dessalinizadora da África

A execução da usina caberá à Al Baidaa Desalination Company, consórcio formado pela Acciona, com 50%, Green of Africa, com 45%, e AfriquiaGaz, com 5%, conforme informações divulgadas sobre o empreendimento.

Pelo contrato de parceria público-privada com o Office National de l’Électricité et de l’Eau Potable, a Acciona informou que ficará responsável pela construção, operação e manutenção da instalação por 27 anos.

Marrocos constrói megadessalinizadora em Casablanca com tubulações submarinas para captar água do Atlântico e abastecer 7,5 milhões.
Marrocos constrói megadessalinizadora em Casablanca com tubulações submarinas para captar água do Atlântico e abastecer 7,5 milhões.

O investimento total informado para a planta é de 6,5 bilhões de dirhams marroquinos, valor equivalente a cerca de 613 milhões de euros na comunicação da Acciona sobre o financiamento da obra.

Na estrutura financeira, dívida e capital próprio se combinam com participação de instituições marroquinas e internacionais, além de instrumentos ligados à Espanha, país de origem da Acciona e de parte do suporte financeiro anunciado.

A conclusão da usina está prevista para 2028, segundo a Acciona, embora informações públicas sobre o projeto indiquem implantação em fases antes da chegada à capacidade plena desenhada para a infraestrutura.

Esse modelo gradual permitiria ampliar a produção de água ao longo do tempo, conforme sistemas de captação, tratamento, energia, bombeamento, reservação e distribuição fossem integrados e ajustados às necessidades da região atendida.

Apesar de as duas tubulações submarinas concentrarem a imagem mais marcante da obra, elas representam apenas uma parte da cadeia técnica necessária para transformar o Atlântico em fonte adicional de abastecimento.

Para que a água chegue aos consumidores, será preciso manter conectados captação oceânica, energia renovável, dessalinização, bombeamento, reservação, controle de qualidade e transporte regional em uma operação contínua e altamente coordenada.

A expansão da dessalinização mostra como países costeiros vêm incorporando o mar a suas políticas de segurança hídrica, sem substituir completamente rios, barragens e águas subterrâneas que continuam relevantes para o abastecimento.

No caso de Casablanca, boa parte da infraestrutura ficará submersa, enterrada ou distante dos centros urbanos, enquanto a água produzida pela usina passará a reforçar uma região estratégica para a população e a economia do Marrocos.

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Antonio Carvalho
Antonio Carvalho
23/05/2026 12:24

Adivinhe Só : INVESTIMENTO ESTATAL ! Viu Tarcisio ? Para gestao de recursos essenciais à vida nao podemos confiar na iniciativa privada comprometida apenas com o balanço do proximo trimestre . O egoísmo indidual não é capaz de projetos grandes e essencias para o País

Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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