A declaração expõe o incômodo de um país sul-americano que, fora do Mercosul, aponta impactos econômicos, limitações comerciais e perda de influência regional, ao afirmar que também integra geograficamente, politicamente e historicamente a América do Sul, mas permanece excluído do principal bloco do continente
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, participou neste sábado, em Assunção, da cerimônia de assinatura do acordo de associação entre Mercado Común del Sur e União Europeia, declarou prioridade em romper o isolamento do país e afirmou esforços para alcançar a condição de membro pleno do bloco.
Cerimônia em Assunção formaliza etapa decisiva do acordo
A assinatura ocorreu no Paraguai, sob anfitrião do presidente Santiago Peña, e reuniu autoridades europeias e latino-americanas. O ato sucede decisões adotadas em 9 de janeiro pelo Conselho da União Europeia, que autorizaram a firma do acordo de associação e de um acordo comercial provisório entre as partes.
Com a formalização, encerra-se um ciclo de negociações que se estendeu por anos entre os dois blocos. O entendimento prevê a criação de uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, reunindo 720 milhões de pessoas e um peso econômico estimado em cerca de 22 bilhões de dólares.
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A cerimônia contou com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do chefe do Conselho Europeu, António Costa, além de outros líderes regionais, reforçando o caráter político e econômico do ato.

Discurso de Paz destaca integração continental e fim do isolamento
Em seu pronunciamento, Paz afirmou que fará “todos os esforços” para que a Bolívia se torne membro pleno do Mercosul e que o país deve sair do isolamento enfrentado nos últimos 20 anos. O presidente declarou que a integração regional é parte de um projeto de futuro compartilhado.
Segundo o mandatário, o Mercosul integra um continente que se estende do Polo Norte à Patagônia, o que representa poder econômico e político a ser exercido para o desenvolvimento nacional. Ele ressaltou que a Bolívia se unirá em breve à relação do bloco no acordo com a Europa.
Paz afirmou ainda que a primeira prioridade de seu governo é romper o isolamento, declaração recebida com aplausos pelos líderes presentes. O discurso vinculou a adesão plena ao Mercosul a oportunidades de desenvolvimento e maior inserção internacional.
Projeção regional e agenda internacional do novo governo
De acordo com comunicado oficial, a participação de Paz no evento representa o primeiro compromisso internacional após assumir o cargo e é considerada estratégica para a projeção regional e internacional do país.
A mensagem enfatiza estabilidade, vocação produtiva e geração de emprego e investimento.
O governo informou que esses encontros funcionam como ferramentas para transformar oportunidades internacionais em benefícios diretos para a população.
A agenda anunciada busca posicionar a Bolívia como parceira confiável e previsível nas cadeias regionais e globais de valor.
Paz declarou que trabalhará para promover industrialização, modernização produtiva e inserção inteligente no comércio internacional.
O enfoque, segundo o comunicado, pretende levar a Bolívia ao mundo e atrair o mundo ao país por meio de governabilidade e decisões responsáveis.
Acompanhamento diplomático e prioridades econômicas
O presidente viajou acompanhado do chanceler Fernando Aramayo. Estão previstos encontros bilaterais e diálogos voltados ao comércio, investimento, infraestrutura e cooperação regional, reforçando a dimensão prática da visita além do simbolismo político.
Na véspera, Paz anunciou o cancelamento de sua ida ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Segundo ele, as circunstâncias da economia exigem priorizar o ordenamento interno, reservando viagens internacionais para momentos considerados necessários.
A decisão foi apresentada como parte de uma estratégia de foco doméstico, sem abandonar a integração externa.
O governo reiterou que a presença em Assunção atende à premissa de que a integração só é válida quando produz resultados concretos.
Situação da Bolívia no Mercosul e entraves à adesão plena
Apesar dos sinais políticos favoráveis, o Mercosul ainda não conta com a Bolívia como membro pleno. O país permanece como Estado Associado, condição que garante cooperação e acordos comerciais, mas sem direito a voto nas decisões centrais nem adoção integral da Tarifa Externa Comum.
O processo de adesão teve avanços, mas não foi concluído. A Bolívia assinou o Protocolo de Adesão em 2015, porém a entrada plena exige ratificação por todos os parlamentos nacionais do bloco, o que não ocorreu simultaneamente.
Crises políticas internas e mudanças de governo em países do Mercosul afetaram o ritmo das aprovações. A adesão depende de consenso político contínuo entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, fator que introduziu atrasos ao longo dos anos.
Além disso, a condição de membro pleno requer harmonização de tarifas externas, normas aduaneiras e regras comerciais. Parte desses ajustes é técnica e demanda tempo, sobretudo para economias menores, o que contribuiu para o prolongamento do processo.
Perspectivas após a assinatura com a União Europeia
Com a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, o cenário regional ganha novo impulso. Politicamente, o bloco sinaliza abertura à Bolívia, enquanto, na prática, permanecem pendentes ratificações finais e ajustes regulatórios para a formalização completa.
O governo boliviano avalia que o novo contexto amplia a relevnacia da integração e reforça o argumento para acelerar a adesão plena.
A expectativa oficial é de que a participação no acordo com a Europa fortaleça a posição do país nas negociações internas do Mercosul.
Em síntese, a Bolívia não está fora por exclusão, mas por um processo ainda inconcluso. A assinatura em Assunção reposiciona o debate, associa integração regional a resultados econômicos e recoloca a adesão plena como objetivo declarado do novo governo, apesar dos entraves remanescentes e da necessidade de avanços procedimentais.
