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“Também somos América do Sul”: país lamenta ficar fora do Mercosul e critica exclusão regional

Escrito por Fabio Lucas Carvalho
Publicado em 17/01/2026 às 17:12
Atualizado em 17/01/2026 às 17:15
País sul-americano lamenta exclusão do Mercosul, cita prejuízos comerciais e afirma integrar a América do Sul apesar de não participar do bloco.
País sul-americano lamenta exclusão do Mercosul, cita prejuízos comerciais e afirma integrar a América do Sul apesar de não participar do bloco.
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A declaração expõe o incômodo de um país sul-americano que, fora do Mercosul, aponta impactos econômicos, limitações comerciais e perda de influência regional, ao afirmar que também integra geograficamente, politicamente e historicamente a América do Sul, mas permanece excluído do principal bloco do continente

O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, participou neste sábado, em Assunção, da cerimônia de assinatura do acordo de associação entre Mercado Común del Sur e União Europeia, declarou prioridade em romper o isolamento do país e afirmou esforços para alcançar a condição de membro pleno do bloco.

Cerimônia em Assunção formaliza etapa decisiva do acordo

A assinatura ocorreu no Paraguai, sob anfitrião do presidente Santiago Peña, e reuniu autoridades europeias e latino-americanas. O ato sucede decisões adotadas em 9 de janeiro pelo Conselho da União Europeia, que autorizaram a firma do acordo de associação e de um acordo comercial provisório entre as partes.

Com a formalização, encerra-se um ciclo de negociações que se estendeu por anos entre os dois blocos. O entendimento prevê a criação de uma das maiores zonas de livre comércio do planeta, reunindo 720 milhões de pessoas e um peso econômico estimado em cerca de 22 bilhões de dólares.

A cerimônia contou com a presença da presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e do chefe do Conselho Europeu, António Costa, além de outros líderes regionais, reforçando o caráter político e econômico do ato.

Discurso de Paz destaca integração continental e fim do isolamento

Em seu pronunciamento, Paz afirmou que fará “todos os esforços” para que a Bolívia se torne membro pleno do Mercosul e que o país deve sair do isolamento enfrentado nos últimos 20 anos. O presidente declarou que a integração regional é parte de um projeto de futuro compartilhado.

Segundo o mandatário, o Mercosul integra um continente que se estende do Polo Norte à Patagônia, o que representa poder econômico e político a ser exercido para o desenvolvimento nacional. Ele ressaltou que a Bolívia se unirá em breve à relação do bloco no acordo com a Europa.

Paz afirmou ainda que a primeira prioridade de seu governo é romper o isolamento, declaração recebida com aplausos pelos líderes presentes. O discurso vinculou a adesão plena ao Mercosul a oportunidades de desenvolvimento e maior inserção internacional.

Projeção regional e agenda internacional do novo governo

De acordo com comunicado oficial, a participação de Paz no evento representa o primeiro compromisso internacional após assumir o cargo e é considerada estratégica para a projeção regional e internacional do país.

A mensagem enfatiza estabilidade, vocação produtiva e geração de emprego e investimento.

O governo informou que esses encontros funcionam como ferramentas para transformar oportunidades internacionais em benefícios diretos para a população.

A agenda anunciada busca posicionar a Bolívia como parceira confiável e previsível nas cadeias regionais e globais de valor.

Paz declarou que trabalhará para promover industrialização, modernização produtiva e inserção inteligente no comércio internacional.

O enfoque, segundo o comunicado, pretende levar a Bolívia ao mundo e atrair o mundo ao país por meio de governabilidade e decisões responsáveis.

Acompanhamento diplomático e prioridades econômicas

O presidente viajou acompanhado do chanceler Fernando Aramayo. Estão previstos encontros bilaterais e diálogos voltados ao comércio, investimento, infraestrutura e cooperação regional, reforçando a dimensão prática da visita além do simbolismo político.

Na véspera, Paz anunciou o cancelamento de sua ida ao Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça. Segundo ele, as circunstâncias da economia exigem priorizar o ordenamento interno, reservando viagens internacionais para momentos considerados necessários.

A decisão foi apresentada como parte de uma estratégia de foco doméstico, sem abandonar a integração externa.

O governo reiterou que a presença em Assunção atende à premissa de que a integração só é válida quando produz resultados concretos.

Situação da Bolívia no Mercosul e entraves à adesão plena

Apesar dos sinais políticos favoráveis, o Mercosul ainda não conta com a Bolívia como membro pleno. O país permanece como Estado Associado, condição que garante cooperação e acordos comerciais, mas sem direito a voto nas decisões centrais nem adoção integral da Tarifa Externa Comum.

O processo de adesão teve avanços, mas não foi concluído. A Bolívia assinou o Protocolo de Adesão em 2015, porém a entrada plena exige ratificação por todos os parlamentos nacionais do bloco, o que não ocorreu simultaneamente.

Crises políticas internas e mudanças de governo em países do Mercosul afetaram o ritmo das aprovações. A adesão depende de consenso político contínuo entre Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, fator que introduziu atrasos ao longo dos anos.

Além disso, a condição de membro pleno requer harmonização de tarifas externas, normas aduaneiras e regras comerciais. Parte desses ajustes é técnica e demanda tempo, sobretudo para economias menores, o que contribuiu para o prolongamento do processo.

Perspectivas após a assinatura com a União Europeia

Com a assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, o cenário regional ganha novo impulso. Politicamente, o bloco sinaliza abertura à Bolívia, enquanto, na prática, permanecem pendentes ratificações finais e ajustes regulatórios para a formalização completa.

O governo boliviano avalia que o novo contexto amplia a relevnacia da integração e reforça o argumento para acelerar a adesão plena.

A expectativa oficial é de que a participação no acordo com a Europa fortaleça a posição do país nas negociações internas do Mercosul.

Em síntese, a Bolívia não está fora por exclusão, mas por um processo ainda inconcluso. A assinatura em Assunção reposiciona o debate, associa integração regional a resultados econômicos e recoloca a adesão plena como objetivo declarado do novo governo, apesar dos entraves remanescentes e da necessidade de avanços procedimentais.

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Fabio Lucas Carvalho

Jornalista especializado em uma ampla variedade de temas, como carros, tecnologia, política, indústria naval, geopolítica, energia renovável e economia. Atuo desde 2015 com publicações de destaque em grandes portais de notícias. Minha formação em Gestão em Tecnologia da Informação pela Faculdade de Petrolina (Facape) agrega uma perspectiva técnica única às minhas análises e reportagens. Com mais de 10 mil artigos publicados em veículos de renome, busco sempre trazer informações detalhadas e percepções relevantes para o leitor.

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