Os trabalhadores chineses mobilizaram sete trens de trabalho 23 escavadeiras e sete equipes especializadas na estação de Longyan para cortar e reconectar trilhos em oito horas e meia integrando a cidade a uma ferrovia de 246 quilômetros que agora faz parte de uma rede com mais de 50 mil quilômetros de alta velocidade.
Em uma noite cuidadosamente planejada no sudeste da China, mais de 1.500 trabalhadores chineses transformaram a estação ferroviária de Longyan, na província de Fujian, para conectá-la a uma nova linha de alta velocidade de 246 quilômetros. As equipes cortaram e reconectaram os trilhos em cerca de oito horas e meia, usando sete trens de trabalho, 23 escavadeiras e sete equipes especializadas operando simultaneamente em diferentes zonas da estação. O resultado: uma viagem que antes levava sete horas passou a ser feita em 90 minutos, com trens circulando a 200 km/h.
Vídeos em time-lapse da operação viralizaram e foram descritos como mais um exemplo da chamada “velocidade chinesa”. Mas por trás do espetáculo visual existe uma história de meses de planejamento e simulações para que os serviços regulares fossem interrompidos por apenas uma noite. Os trabalhadores chineses não construíram uma estação do zero modernizaram uma estação de passageiros já existente e a integraram à ferrovia Nanping-Longyan, projetada para alta velocidade. A operação manteve a maioria dos passageiros nos trilhos em vez de empurrá-los para rodovias e ônibus durante dias de obras.
O que os trabalhadores chineses fizeram em Longyan numa única noite
A estação de Longyan atende uma cidade de cerca de 2,7 milhões de habitantes numa região montanhosa onde o transporte ferroviário é essencial para deslocamentos diários.
-
Quanto custa construir uma casa de 60 m²? Obra real em Minas Gerais revelou gasto de R$ 156.570, ficou abaixo da estimativa do CUB e mostrou como projeto compacto com 2 quartos pode caber no bolso
-
Inconformados ao ver a construção civil depender de materiais cada vez mais caros e poluentes, estudantes do Paraná usaram casca de laranja na argamassa, chamaram atenção em desafio de inovação e agora podem transformar o projeto em produto com testes na UTFPR
-
Concreto feito com água do mar e areia marinha desafia uma das regras básicas da construção civil, troca o aço comum por armaduras resistentes à corrosão e pode transformar ilhas e obras costeiras em laboratórios de uma nova engenharia salgada
-
Como levantar uma parede de tijolos do jeito certo, começando pela medição da área, escolha dos materiais, preparo da massa, alinhamento com fio de náilon e acabamento com cal, massa corrida e pintura
Fechar a estação por vários dias teria forçado milhares de pessoas a usar carros e ônibus, congestionando vias locais e aumentando poluição e emissões. A solução encontrada pelos trabalhadores chineses foi concentrar toda a operação numa janela de uma única noite.
Segundo informações do portal ecoticias, sete zonas de operação funcionaram simultaneamente. Enquanto uma equipe cortava trilhos numa extremidade, outra instalava dormentes na oposta e uma terceira ajustava a sinalização eletrônica no meio.
Os trabalhadores chineses operaram após meses de simulações que definiram cada movimento a logística era tão precisa que cada escavadeira tinha hora marcada para entrar e sair do canteiro. Ao amanhecer, a estação estava pronta para receber os primeiros trens de alta velocidade da linha Nanping-Longyan.
A rede ferroviária da China que esses trabalhadores ajudam a construir
A operação em Longyan é um microcosmo de algo muito maior. Até o final de 2025, a rede ferroviária chinesa atingiu cerca de 165 mil quilômetros no total, incluindo mais de 50 mil quilômetros de linhas de alta velocidade a maior do mundo por ampla margem.
Os planos dos trabalhadores chineses e do governo apontam para 180 mil quilômetros de ferrovias e 60 mil quilômetros de alta velocidade até 2030, um ritmo de expansão que nenhum outro país se aproxima de acompanhar.
Para contextualizar: os 50 mil quilômetros de alta velocidade da China equivalem a mais do que toda a extensão de linhas de alta velocidade da Europa, Japão e Coreia do Sul somados.
Cada novo trecho conectado por trabalhadores chineses como os de Longyan não é apenas infraestrutura de transporte é parte de uma estratégia nacional que trata ferrovias como pilar de mobilidade de baixo carbono, substituindo viagens de carro e voos domésticos por deslocamentos elétricos com fração das emissões.
Por que trens de alta velocidade são ferramenta climática e não apenas transporte
O transporte responde por cerca de 15% a 16% das emissões globais de gases de efeito estufa, a maior parte vinda da queima de combustível em veículos rodoviários. Trens, por outro lado, transportam cerca de 7% dos passageiros globais e 6% das cargas, mas representam apenas 1% das emissões do setor.
Uma viagem de trem emite cerca de 35 gramas de CO2 por passageiro-quilômetro; um carro a gasolina emite 170 gramas e um voo doméstico 246 gramas na mesma distância. Optar pelo trem reduz o impacto climático para cerca de um quinto do carro e menos de um sexto do avião.
O corredor Nanping-Longyan que os trabalhadores chineses conectaram ilustra essa lógica perfeitamente. Quando uma viagem cai de sete horas para 90 minutos, o trem deixa de ser alternativa e vira primeira opção.
Para muitos viajantes, torna-se subitamente viável trocar o ônibus noturno, a viagem longa de carro ou o voo de curta duração por um trem rápido que sai do centro da cidade sem filas de segurança, pedágios ou congestionamentos. Cada passageiro que faz essa troca é uma pequena contribuição para a redução de emissões que, multiplicada por milhões, se torna significativa.
Os custos ambientais que existem por trás da velocidade dos trabalhadores chineses
Nada disso torna os trens de alta velocidade isentos de impacto. A construção de viadutos, túneis e grandes estações exige quantidades enormes de aço e cimento dois dos materiais mais intensivos em carbono que existem.
Estudos de ciclo de vida de linhas de alta velocidade na França, Taiwan e China estimaram emissões de construção entre 58 e 176 toneladas de CO2 por quilômetro de trilho por ano, distribuídas ao longo da vida útil dos projetos. Não é pouco.
O equilíbrio só pende a favor do clima quando as linhas são usadas intensivamente e alimentadas por eletricidade cada vez mais limpa.
A operadora ferroviária da China estabeleceu meta de eletrificar quase quatro quintos da rede até 2030, e províncias como Fujian onde os trabalhadores chineses modernizaram Longyan investem pesadamente em infraestrutura de baixo carbono.
Se trens lotados substituem consistentemente centenas de viagens de carro e voos curtos, as emissões da construção são compensadas ao longo de anos de operação limpa.
O que você acha: o Brasil deveria investir em alta velocidade ferroviária como os chineses ou a realidade do país não comporta esse modelo? Deixe sua opinião nos comentários.


-
-
3 pessoas reagiram a isso.