Pesquisadores identificaram no sertão paraibano uma pegada de terópode com 60 cm de comprimento e 55 cm de largura — a maior já catalogada em todo o território brasileiro — e a descoberta reacende o debate sobre os predadores que dominaram a América do Sul no Cretáceo
Na manhã de 10 de abril de 2026, uma equipe de campo caminhava pela zona rural de Sousa, no interior da Paraíba, quando avistou algo incomum no arenito avermelhado do sertão.
Era uma marca profunda na rocha.
Três dedos enormes com garras nítidas, preservados há 140 milhões de anos.
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Ao medir a impressão, os pesquisadores confirmaram: 60 centímetros de comprimento por 55 centímetros de largura.
Nenhuma outra pegada de dinossauro carnívoro já registrada no Brasil se aproxima desse tamanho.
A descoberta aconteceu no geossítio Floresta dos Borba, uma área da Bacia do Rio do Peixe que já abriga registros de aproximadamente 80 espécies de dinossauros do período Cretáceo.
Contudo, um predador desse porte naquela região específica era algo que ninguém esperava encontrar.

Um predador de 6 metros que ninguém esperava ali
Análises preliminares indicam que a pegada pertence a um dinossauro bípede do tipo Abelisaurus, ou grupo similar de terópodes carnívoros de grande porte.
Esse animal teria cerca de 6 metros de comprimento — quase o dobro de um carro popular.
Além disso, era um predador de topo da cadeia alimentar, capaz de atacar herbívoros muito maiores que ele.
“É um pé bastante avantajado. Trata-se de um grupo de dinossauros que não conhecíamos para esta região“, afirmou um especialista envolvido na descoberta.
Portanto, o achado não é apenas um recorde de tamanho.
Ele representa uma novidade taxonômica para a Bacia do Rio do Peixe — um tipo de dinossauro que os registros anteriores não indicavam existir ali.
Dessa forma, pesquisadores terão que revisar o que sabiam sobre a diversidade de predadores no Nordeste brasileiro durante o Cretáceo, há 140 milhões de anos.
Para entender o tamanho — uma comparação simples
A pegada de 60 cm de comprimento equivale a quase quatro vezes o tamanho de um pé humano adulto.
Se colocada ao lado de uma bola de futebol, a marca ocuparia quase três vezes o diâmetro da bola.
Para ter uma referência visual, imagine abrir uma folha de jornal: a pegada caberia inteira nela, com os três dedos e as marcas de garra claramente visíveis.
Ainda assim, o animal que a produziu não era o maior dinossauro da região.
Herbívoros como os saurópodes podiam ultrapassar 20 metros de comprimento e deixar pegadas ainda maiores.
Contudo, nenhuma outra pegada de carnívoro desse porte havia sido documentada em solo brasileiro até agora.
É a diferença entre encontrar a pegada de um elefante (esperado) e encontrar a pegada de um leão gigante (completamente inesperado).

Da rocha ao laboratório — como tudo aconteceu
A sequência de eventos mostra a rapidez com que a equipe agiu para proteger o achado:
- 10 de abril de 2026: registro da pegada pela manhã, na comunidade Floresta dos Borba, zona rural de Sousa
- 12 de abril: publicação da notícia, identificando o achado como o maior do Brasil para carnívoros
- 14 de abril: análises preliminares confirmam origem carnívora e início da catalogação formal
- 16 de abril: Corpo de Bombeiros Militar da Paraíba divulga apoio logístico à operação de preservação
A área foi isolada imediatamente após a identificação, com perímetro de segurança para evitar danos ao fóssil.
A equipe responsável pertence ao Projeto de Pesquisa e Preservação do Patrimônio Geopaleontológico e Arqueológico da Bacia do Rio do Peixe, com apoio da Secretaria de Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior da Paraíba (Secties).
A Bacia do Rio do Peixe — 80 espécies e contando
A Bacia do Rio do Peixe, onde fica o geossítio Floresta dos Borba, é reconhecida como uma das áreas mais importantes do Brasil para a paleontologia.
Aproximadamente 80 espécies de dinossauros do período Cretáceo já foram catalogadas na região.
Os registros fósseis da bacia ajudam cientistas a reconstituir a presença desses animais em toda a América do Sul e a entender as rotas migratórias entre continentes que na época estavam conectados.
A descoberta de um Abelisaurus — tipo de dinossauro mais comum na Argentina — no sertão da Paraíba pode indicar que esses predadores tinham uma distribuição geográfica muito maior do que se pensava.
Isso pode ajudar a mapear rotas migratórias entre o que hoje é o Nordeste brasileiro e a Patagônia argentina, regiões que há 140 milhões de anos faziam parte do mesmo supercontinente Gondwana.

Sertão da Paraíba como destino paleontológico
Sousa já atraía pesquisadores internacionais pela riqueza dos seus geossítios e pela qualidade dos fósseis preservados no arenito vermelho da região.
Agora, com a confirmação da maior pegada de carnívoro do Brasil, a atenção deve crescer significativamente.
O potencial para turismo paleontológico na região é enorme — poucas cidades no mundo oferecem acesso tão direto a rastros de dinossauros preservados em rochas expostas.
Contudo, o acesso controlado e a preservação do sítio continuam sendo prioridade absoluta da equipe de pesquisa.
Ressalvas
A identificação como Abelisaurus ou terópode carnívoro ainda é preliminar.
Estudos detalhados estão em andamento e podem alterar a classificação taxonômica quando publicados em periódicos científicos revisados por pares.
As fontes até o momento são majoritariamente jornalísticas regionais (Patos Online, Diário do Sertão).
Publicações acadêmicas internacionais e validação por pares ainda não foram realizadas — algo que na paleontologia pode levar meses ou anos.
Ainda assim, a dimensão da pegada e seu contexto geológico são fatos mensuráveis, documentados pela equipe de campo e confirmados pelo Corpo de Bombeiros da Paraíba — e nenhuma outra pegada de carnívoro registrada no Brasil chega perto de 60 centímetros.

A pegada do escultor está tão perfeita que parece uma âncora
Boa observação, Zeka! O formato da pegada de terópode tem três dedos pronunciados que de fato lembram uma âncora invertida. É exatamente esse contorno que permite identificar o grupo do dinossauro só pela pegada — paleoichnologia em ação.
Complicado é colocar foto de IA para ilustrar a matéria sem fazer a devida ressalva. Aí é muita canastrice.
Crítica válida, Reinaldo. A imagem de capa é uma reconstrução artística, não a pegada real, e a legenda deveria deixar isso explícito. Vou ajustar para incluir a ressalva clara de “reconstituição artística”. Obrigado pelo apontamento — é um padrão editorial que merece mais cuidado.
Eu queria ir ver de perto 😃
Mas tenho outras coisas pra ver 😅
Vale a visita quando der, Lobita! O sítio Sousa-Vale dos Dinossauros é um dos parques paleontológicos mais ricos das Américas, com mais de 600 pegadas catalogadas. Aberto à visitação durante o ano todo — vale o desvio.