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Maior acelerador de partículas do mundo entra em uma pausa de quatro anos, troca 1,2 quilômetro de ímãs e prepara salto histórico para caçar matéria escura em 2030

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Escrito por Viviane Alves Publicado em 02/07/2026 às 00:40 Atualizado em 02/07/2026 às 00:43
Interior de um túnel de acelerador de partículas com módulos azuis, tubulações metálicas e cabos usados no Grande Colisor de Hádrons.
Estrutura subterrânea semelhante ao túnel do Grande Colisor de Hádrons, que passará por uma ampla modernização antes da retomada das colisões prevista para 2030.
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Grande Colisor de Hádrons interrompe suas colisões para receber novos equipamentos, ampliar a quantidade de dados e investigar fenômenos ainda desconhecidos da física

O Grande Colisor de Hádrons, maior acelerador de partículas do mundo, iniciou em 2026 uma extensa fase de manutenção e modernização.

O equipamento operado pelo CERN ficará aproximadamente quatro anos sem realizar novas colisões. A retomada está prevista para junho de 2030.

A reforma transformará o acelerador no Grande Colisor de Hádrons de Alta Luminosidade, também chamado de HiLumi LHC ou HL-LHC.

Localizado na fronteira entre França e Suíça, o complexo científico funciona dentro de um túnel circular com 27 quilômetros de extensão.

Terceira Parada Longa marca transformação do LHC

A interrupção integra a Terceira Parada Longa, conhecida pelo CERN como Long Shutdown 3 ou LS3.

Essa etapa representa a intervenção mais profunda realizada no complexo desde o início de sua construção, em 1998.

Uma parte do acelerador será desmontada durante as obras. Novos ímãs supercondutores e componentes essenciais serão instalados em aproximadamente 1,2 quilômetro do túnel.

Esses equipamentos conduzem partículas em velocidades próximas à da luz e controlam os feixes utilizados nas colisões.

Jean-Philippe Tock, responsável pela coordenação da parada, classificou a substituição como uma operação logística enorme e complexa.

HiLumi LHC aumentará número de colisões

O acelerador atual registra aproximadamente 60 colisões simultâneas durante cada cruzamento dos feixes de prótons.

A configuração modernizada deverá produzir entre 140 e 200 colisões quase simultâneas em cada cruzamento.

O projeto elevará em até dez vezes a luminosidade integrada em relação ao desempenho previsto no projeto original.

Luminosidade, nesse contexto, representa a quantidade de colisões acumuladas pelo acelerador durante determinado período.

O aumento permitirá estudar processos extremamente raros que atualmente podem passar despercebidos entre bilhões de interações.

Matéria escura e novas partículas estão entre os alvos

A busca por novas partículas será uma das principais missões científicas do HiLumi LHC.

Filip Moortgat, coordenador de operações do detector CMS, afirmou à agência AFP que os pesquisadores desejam encontrar partículas ainda desconhecidas.

Possíveis indícios sobre a matéria escura também poderão ser investigados com maior precisão.

Essa substância representa uma parcela significativa do Universo, embora ainda não tenha sido detectada diretamente.

Os novos dados poderão, portanto, ajudar a preencher lacunas do Modelo Padrão da física, incapaz de explicar toda a composição do cosmos.

Inteligência artificial ajudará a filtrar dados

Bilhões de interações produzirão uma quantidade gigantesca de informações quando o novo acelerador começar a operar.

Sistemas automatizados apoiados por inteligência artificial ajudarão a selecionar, em tempo real, as colisões com maior potencial científico.

Nedaa-Alexandra Asbah destacou à AFP que a inteligência artificial não substituirá os físicos.

A tecnologia funcionará como ferramenta auxiliar, enquanto as interpretações e decisões finais permanecerão sob responsabilidade dos especialistas.

Pesquisas continuarão durante a reforma

O LHC começou suas operações em 2008 e alcançou seu resultado mais conhecido quatro anos depois.

Experimentos realizados no complexo confirmaram, em 2012, a existência do bóson de Higgs, relacionado à maneira como partículas elementares adquirem massa.

Pesquisadores continuarão analisando o banco de dados reunido nos últimos anos durante a paralisação.

Novas descobertas poderão surgir, portanto, antes mesmo do reinício das colisões.

Oliver Brüning, diretor de Aceleradores e Tecnologia do CERN, afirmou que o equipamento superou as expectativas originalmente estabelecidas.

O HiLumi LHC deverá iniciar uma nova etapa em 2030, aprofundando pesquisas sobre o bóson de Higgs, fenômenos raros e a composição do Universo.

Quais segredos sobre a matéria escura e a origem do Universo o novo HiLumi LHC poderá revelar quando voltar a operar em 2030?

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Viviane Alves

Redatora com foco na produção de conteúdos estratégicos voltados para macro e microeconomia, geopolítica, mercado energético, setor automotivo e comércio global.

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