Grande Colisor de Hádrons interrompe suas colisões para receber novos equipamentos, ampliar a quantidade de dados e investigar fenômenos ainda desconhecidos da física
O equipamento operado pelo CERN ficará aproximadamente quatro anos sem realizar novas colisões. A retomada está prevista para junho de 2030.
A reforma transformará o acelerador no Grande Colisor de Hádrons de Alta Luminosidade, também chamado de HiLumi LHC ou HL-LHC.
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Localizado na fronteira entre França e Suíça, o complexo científico funciona dentro de um túnel circular com 27 quilômetros de extensão.
Terceira Parada Longa marca transformação do LHC
A interrupção integra a Terceira Parada Longa, conhecida pelo CERN como Long Shutdown 3 ou LS3.
Essa etapa representa a intervenção mais profunda realizada no complexo desde o início de sua construção, em 1998.
Uma parte do acelerador será desmontada durante as obras. Novos ímãs supercondutores e componentes essenciais serão instalados em aproximadamente 1,2 quilômetro do túnel.
Esses equipamentos conduzem partículas em velocidades próximas à da luz e controlam os feixes utilizados nas colisões.
Jean-Philippe Tock, responsável pela coordenação da parada, classificou a substituição como uma operação logística enorme e complexa.
HiLumi LHC aumentará número de colisões
O acelerador atual registra aproximadamente 60 colisões simultâneas durante cada cruzamento dos feixes de prótons.
A configuração modernizada deverá produzir entre 140 e 200 colisões quase simultâneas em cada cruzamento.
O projeto elevará em até dez vezes a luminosidade integrada em relação ao desempenho previsto no projeto original.
Luminosidade, nesse contexto, representa a quantidade de colisões acumuladas pelo acelerador durante determinado período.
O aumento permitirá estudar processos extremamente raros que atualmente podem passar despercebidos entre bilhões de interações.
Matéria escura e novas partículas estão entre os alvos
A busca por novas partículas será uma das principais missões científicas do HiLumi LHC.
Filip Moortgat, coordenador de operações do detector CMS, afirmou à agência AFP que os pesquisadores desejam encontrar partículas ainda desconhecidas.
Possíveis indícios sobre a matéria escura também poderão ser investigados com maior precisão.
Essa substância representa uma parcela significativa do Universo, embora ainda não tenha sido detectada diretamente.
Os novos dados poderão, portanto, ajudar a preencher lacunas do Modelo Padrão da física, incapaz de explicar toda a composição do cosmos.
Inteligência artificial ajudará a filtrar dados
Bilhões de interações produzirão uma quantidade gigantesca de informações quando o novo acelerador começar a operar.
Sistemas automatizados apoiados por inteligência artificial ajudarão a selecionar, em tempo real, as colisões com maior potencial científico.
Nedaa-Alexandra Asbah destacou à AFP que a inteligência artificial não substituirá os físicos.
A tecnologia funcionará como ferramenta auxiliar, enquanto as interpretações e decisões finais permanecerão sob responsabilidade dos especialistas.
Pesquisas continuarão durante a reforma
O LHC começou suas operações em 2008 e alcançou seu resultado mais conhecido quatro anos depois.
Experimentos realizados no complexo confirmaram, em 2012, a existência do bóson de Higgs, relacionado à maneira como partículas elementares adquirem massa.
Pesquisadores continuarão analisando o banco de dados reunido nos últimos anos durante a paralisação.
Novas descobertas poderão surgir, portanto, antes mesmo do reinício das colisões.
Oliver Brüning, diretor de Aceleradores e Tecnologia do CERN, afirmou que o equipamento superou as expectativas originalmente estabelecidas.
O HiLumi LHC deverá iniciar uma nova etapa em 2030, aprofundando pesquisas sobre o bóson de Higgs, fenômenos raros e a composição do Universo.
Quais segredos sobre a matéria escura e a origem do Universo o novo HiLumi LHC poderá revelar quando voltar a operar em 2030?
