Por quase 40 anos, o Hamilton Palace permanece inacabado. Desvendamos a história por trás da propriedade, seu polêmico dono britânico e o mito do magnata russo.
No coração de East Sussex, Inglaterra, uma estrutura colossal e inacabada intriga e frustra moradores há quase quatro décadas: o Hamilton Palace. Frequentemente associado a um misterioso magnata russo, a realidade por trás deste “castelo” abandonado de US$40 milhões é ainda mais complexa e controversa.
Este artigo mergulha na história do Hamilton Palace. Esclareceremos quem é seu verdadeiro e polêmico proprietário, as ambições por trás do projeto, os motivos de seu abandono e o impacto que essa ruína moderna causa na comunidade local e na opinião pública.
Hamilton Palace: o “fantasma de US$40 milhões” na paisagem inglesa e a verdade sobre seu dono
Perto da localidade de Uckfield, o Hamilton Palace ergue-se inacabado desde 1985. Sua fachada neoclássica é maior que a do Palácio de Buckingham. Envolto em andaimes e coberto por vegetação, ganhou apelidos como “A Casa Fantasma de Sussex” e “a maior favela da Grã-Bretanha”.
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É crucial corrigir informações incorretas. O proprietário não é um magnata russo chamado Nikolai Privalov, mas sim Nicholas van Hoogstraten, um conhecido e controverso magnata imobiliário britânico. Este palácio em Sussex não deve ser confundido com o histórico Hamilton Palace na Escócia, já demolido.
Ambição, arte e um mausoléu particular

A construção do Hamilton Palace começou em 1985. A visão de Nicholas van Hoogstraten era criar a maior residência privada construída na Grã-Bretanha no último século. O palácio não seria apenas uma moradia luxuosa, mas também abrigaria sua vasta coleção de arte e um mausoléu pessoal.
O projeto, do arquiteto Anthony Browne, previa uma grande escadaria central, galerias de arte e um jardim no telhado. As paredes, com quase um metro de espessura, foram projetadas para durar “para sempre”. O mausoléu particular era parte de uma estratégia legal: ao designar o palácio como tal, um fideicomisso nas Bermudas poderia deter a propriedade perpetuamente após a morte de van Hoogstraten.
Nicholas van Hoogstraten: o controverso magnata imobiliário britânico por trás dos portões
Nicholas van Hoogstraten, nascido em 1945, teve uma ascensão meteórica no setor imobiliário. Aos 22 anos, já era considerado o milionário mais jovem da Grã-Bretanha, com centenas de propriedades. Seus métodos, no entanto, eram controversos, incluindo táticas para “persuadir” inquilinos a sair de imóveis com aluguel controlado.
Sua carreira é marcada por problemas com a lei. Em 1968, foi preso por pagar para que uma granada fosse lançada contra a casa de um rabino. Na década de 1980, enfrentou acusações de assédio a inquilinos e dívidas fiscais. O caso mais notório foi sua condenação em 2002 pelo homicídio involuntário de um sócio comercial, Mohammed Raja, posteriormente anulada (embora um tribunal civil o tenha responsabilizado em 2005). Conhecido por pseudônimos e declarações depreciativas sobre vizinhos e os sem-abrigo, van Hoogstraten reside atualmente no Zimbabué.
Por que o Hamilton Palace foi abandonado e quais as implicações legais e sociais?
A paralisação das obras no Hamilton Palace, por volta de 2000-2001, é atribuída por especialistas e reportagens a uma combinação de fatores. Um “desentendimento” entre van Hoogstraten e o arquiteto Anthony Browne é frequentemente citado. Além disso, este período coincidiu com os graves problemas legais do proprietário, incluindo sua prisão e os julgamentos relacionados ao caso de Mohammed Raja.
Especialistas em urbanismo e direito imobiliário apontam que propriedades abandonadas de grande escala, como o Hamilton Palace, impõem desafios significativos às autoridades locais. O Conselho Distrital de Wealden afirma que a licença de construção continua válida e que comportamentos ilegais são assunto da polícia. Contudo, a riqueza e a natureza litigiosa de proprietários como van Hoogstraten, aliadas ao uso de estruturas de propriedade complexas (como fideicomissos em paraísos fiscais), podem dificultar intervenções regulatórias eficazes. O caso ilustra o conflito entre direitos de propriedade privada e o bem-estar da comunidade.


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