Estudante do Instituto Federal do Amapá conquista o Prêmio Jovem Cientista com kit solar portátil voltado a castanheiros da Amazônia, substituindo motores a diesel e reduzindo impactos ambientais.
Uma solução simples, portátil e pensada para a realidade da floresta colocou o Amapá no centro da ciência brasileira. A estudante Manuelle da Costa Pereira, de 23 anos, tornou-se a primeira pesquisadora amapaense a vencer o Prêmio Jovem Cientista. A cerimônia ocorreu na quinta-feira (26), em Brasília.
Ela venceu a categoria Ensino Superior com um kit solar portátil voltado aos castanheiros da Amazônia. O projeto foi desenvolvido no Instituto Federal do Amapá (Ifap) e surgiu a partir de demandas reais de comunidades extrativistas.
“Esse projeto tem muita identidade. Ele fala muito de quem eu sou, de onde eu vim. Nasceu no coração da Amazônia, em Laranjal do Jari, onde nasci e cresci. Receber esse prêmio é uma alegria enorme e um prazer representar o Instituto Federal do Amapá, sendo a primeira estudante a conquistar um prêmio dessa magnitude”, disse a pesquisadora.
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Solar substitui diesel e reduz peso de 1.000 para 50 litros
O diferencial do projeto está na praticidade. O kit solar foi criado para substituir motores a diesel usados por extrativistas. Esses motores são pesados, caros e poluentes. Além disso, dificultam o transporte dentro da floresta.
Durante o desenvolvimento, o equipamento passou por várias etapas de prototipagem. O volume, que inicialmente era de 1.000 litros, caiu para apenas 50 litros. Agora, pode ser levado em uma mochila. O custo estimado ficou em torno de R$ 2,8 mil, com reaproveitamento de bombonas descartadas.
Segundo Manuelle, o kit atende necessidades básicas, como iluminação, preparo de alimentos e comunicação. Antes, a maioria dos trabalhadores dependia de geradores a diesel, que elevavam os gastos e aumentavam o impacto ambiental.
Reconhecimento internacional e apoio institucional
O projeto também foi apresentado na COP 30, conferência da ONU sobre mudanças climáticas realizada em Belém (PA). A proposta busca reduzir a pegada de carbono e fortalecer a sociobioeconomia da Amazônia.

“Nosso objetivo é transformar a expectativa em realidade: um equipamento acessível, adaptado às necessidades locais e capaz de reduzir a pegada de carbono. Para isso, será essencial obter financiamento e apoio institucional”, afirmou Manuelle.
A pesquisa começou em 2022 com bolsa de Iniciação Tecnológica do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Em 2023, o kit foi registrado como modelo de utilidade no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). O desenvolvimento também contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amapá (Fapeap).
A próxima etapa prevê melhorias técnicas para ampliar a eficiência do sistema solar nas comunidades extrativistas, alinhando o projeto aos princípios da Amazônia 4.0 e aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU.

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