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Jordânia “engole” cerca de 70% do próprio esgoto: uma megaplanta trata águas residuais de milhões, gera até 95% da própria energia e libera água para agricultores do Vale do Jordão

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 22/03/2026 às 23:18
Assista o vídeoMegaplanta na Jordânia trata 70% do esgoto, gera energia própria e transforma resíduos em água para irrigação no Vale do Jordão.
Megaplanta na Jordânia trata 70% do esgoto, gera energia própria e transforma resíduos em água para irrigação no Vale do Jordão.
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Infraestrutura estratégica transforma esgoto em água de reúso e energia em país com escassez hídrica, integrando saneamento, agricultura e geração elétrica em larga escala com impacto direto na segurança hídrica nacional.

A Jordânia concentra em uma única infraestrutura parte decisiva do tratamento de esgoto do país.

Localizada em As-Samra, a estação recebe a maior fatia das águas residuais produzidas nas regiões de Amã e Zarqa, trata esse volume em escala industrial e devolve água de reúso para irrigação no Vale do Jordão, área estratégica para a agricultura jordaniana.

Segundo a unidade de Parcerias Público-Privadas do governo jordaniano, a planta responde por aproximadamente 70% do esgoto tratado no país.

Megaplanta de esgoto e segurança hídrica na Jordânia

Esse peso ajuda a explicar por que a estação se tornou um eixo da política hídrica local.

Em um território marcado por escassez crônica de água, o tratamento de esgoto deixou de ser apenas um serviço de saneamento e passou a integrar a lógica de abastecimento nacional.

Megaplanta na Jordânia trata 70% do esgoto, gera energia própria e transforma resíduos em água para irrigação no Vale do Jordão.
Megaplanta na Jordânia trata 70% do esgoto, gera energia própria e transforma resíduos em água para irrigação no Vale do Jordão.

Dados da Millennium Challenge Corporation indicam que a planta fornece 133 milhões de metros cúbicos de água tratada por ano para irrigação no Vale do Jordão, volume equivalente a mais de 10% dos recursos hídricos anuais jordanianos.

A operação chama atenção também pelo componente energético.

A mesma documentação informa que a planta produz quase 13 megawatts a partir de biogás e hidreletricidade interna, o suficiente para cobrir cerca de 80% da demanda da própria unidade.

Em materiais técnicos e institucionais associados ao projeto, esse índice aparece em faixas mais amplas, que podem chegar a 95% de autossuficiência energética conforme as condições operacionais e o desempenho dos sistemas de recuperação energética.

Como funciona o tratamento de esgoto em As-Samra

O caminho percorrido pelo esgoto até virar água de reúso começa na chegada do material bruto à planta.

Nessa etapa, grades, peneiras e sistemas de remoção física retiram resíduos sólidos maiores, areia e outros materiais que poderiam comprometer bombas, tubulações e equipamentos.

Só depois dessa separação inicial o fluxo segue para as fases biológicas, nas quais microrganismos degradam a carga orgânica presente no efluente.

Na prática, a estação encurta com engenharia um processo que, sem controle, teria custo ambiental e sanitário muito maior.

Megaplanta na Jordânia trata 70% do esgoto, gera energia própria e transforma resíduos em água para irrigação no Vale do Jordão.
Megaplanta na Jordânia trata 70% do esgoto, gera energia própria e transforma resíduos em água para irrigação no Vale do Jordão.

Em vez de permitir que o esgoto avance com alta carga poluente para cursos d’água e reservatórios, a Jordânia concentra esse volume em uma estrutura desenhada para tratar continuamente um fluxo ligado a milhões de pessoas.

O resultado é uma água compatível com o uso agrícola planejado, dentro de um sistema em que o reúso se tornou parte da gestão hídrica nacional.

Água de reúso e agricultura no Vale do Jordão

O destino desse efluente tratado ajuda a dimensionar o alcance da planta.

Ao ser encaminhada para irrigação, a água que antes representava risco de contaminação passa a sustentar lavouras em uma das regiões agrícolas mais relevantes do país.

Isso muda a função do resíduo urbano dentro da cadeia hídrica jordaniana.

O que sai de banheiros, pias e redes domésticas não desaparece, mas retorna ao sistema produtivo após sucessivas etapas de controle e depuração.

Energia gerada a partir do próprio esgoto

Uma das engrenagens mais relevantes de As-Samra está no lodo gerado durante o tratamento.

Esse material segue para digestão anaeróbica, processo em que microrganismos atuam sem oxigênio e produzem biogás, rico em metano.

Em vez de desperdiçar esse subproduto, a estação o converte em eletricidade para abastecer parte expressiva da operação diária, reduzindo a dependência da rede externa.

Além disso, o complexo foi projetado para aproveitar o próprio movimento da água residual e do efluente tratado.

Documentos técnicos descrevem o uso de turbinas hidráulicas internas como parte da estratégia de recuperação energética.

Megaplanta na Jordânia trata 70% do esgoto, gera energia própria e transforma resíduos em água para irrigação no Vale do Jordão.
Megaplanta na Jordânia trata 70% do esgoto, gera energia própria e transforma resíduos em água para irrigação no Vale do Jordão.

Essa combinação explica por que a planta aparece com frequência em estudos sobre a relação entre água, energia e agricultura em regiões áridas.

Expansão, PPP e escala nacional do projeto

A relevância da estação cresceu à medida que aumentou a pressão sobre os serviços urbanos jordanianos.

Fontes ligadas ao projeto registram que a planta foi expandida e modernizada para responder ao avanço da demanda.

Esse movimento ocorreu em um contexto de crescimento populacional, urbanização acelerada e limitação severa de água disponível.

A ampliação permitiu ao governo jordaniano tratar 70% do esgoto do país e atender às necessidades regionais projetadas até 2025.

Esse histórico também fez da usina um caso emblemático de parceria público-privada no Oriente Médio.

A unidade de PPP do governo jordaniano a descreve como o primeiro projeto do tipo build-operate-transfer no país.

Nesse modelo, a infraestrutura é construída e operada por um concessionário por prazo determinado antes de retornar ao poder público.

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Reúso de água e transformação do saneamento

A centralização do tratamento em As-Samra expõe uma realidade pouco percebida nas cidades.

Quanto maior a população conectada à rede, mais robusta precisa ser a estrutura encarregada de receber, separar, tratar e monitorar o esgoto.

No caso jordaniano, esse desafio não é apenas metropolitano.

Pelo volume que absorve e pela água que devolve ao campo, a estação passou a operar com impacto direto sobre saneamento, irrigação e disponibilidade hídrica em escala nacional.

A experiência de As-Samra ajuda a explicar por que o reúso de água ganhou espaço em países sob estresse hídrico.

Em vez de tratar o esgoto apenas como passivo sanitário, a Jordânia passou a incorporá-lo como recurso a ser processado com rigor técnico e reintroduzido em uma cadeia econômica controlada.

Isso não elimina os riscos inerentes ao esgoto bruto, mas mostra como uma infraestrutura pode reduzir dano ambiental, ampliar a oferta hídrica para irrigação e, ao mesmo tempo, aproveitar parte da energia contida nesse próprio fluxo residual.

A planta também torna concreta uma ideia central para a vida urbana.

Nada do que desce pelo ralo simplesmente some.

Em países com escassez severa de água, esse percurso precisa ser acompanhado com precisão técnica, fiscalização contínua e metas de qualidade capazes de transformar descarte em insumo produtivo.

Na Jordânia, esse circuito passa por As-Samra e termina na gestão industrial de um recurso que voltou a ter valor econômico depois de tratado.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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