JCB confirma nova tentativa em Bonneville com 1.600 hp e dois motores de combustão interna a hidrogênio adaptados — alvo é vencer o próprio recorde do Dieselmax de 2006.
O carro a hidrogenio mais rapido do mundo pode ganhar novo dono nos próximos meses. Em 13 de maio de 2026, a FIA anunciou nova tentativa de recorde.
Conforme nota oficial da FIA, o protagonista é o britânico JCB Hydromax. O objetivo é simples: tornar-se o veículo mais rápido movido a hidrogênio em terra firme.
Segundo a própria JCB, em comunicado da mesma semana, o veículo é um laboratório sobre rodas de 9,75 metros. Tem dois motores a hidrogênio de produção somando cerca de 1.600 hp.
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A meta oficial é superar 350 mph (563 km/h) nos lendários Bonneville Salt Flats, em Utah. Por isso, a tentativa está marcada para agosto de 2026.
Conforme reportagem da Top Gear, internamente a equipe trabalha com uma meta ainda mais ambiciosa. A cifra extraoficial gira em torno de 400 mph (643 km/h).

Por que isso importa para o setor de energia
O Hydromax não é só uma piada de motorsport. Em outras palavras, é uma vitrine global da combustão interna a hidrogênio. Por isso, ele toca uma briga industrial gigantesca.
De um lado, as células de combustível (Toyota Mirai, Hyundai Nexo). Do outro lado, motores de combustão interna adaptados para queimar H2 diretamente.
Conforme analistas energéticos, as duas rotas têm vantagens distintas:
- Célula de combustível: alta eficiência (60-70%), zero NOx, mas componentes caros
- Combustão interna a H2: usa blocos de motor adaptados, mais barato, mas emite NOx residual
- Veículos pesados (caminhões, máquinas agrícolas): combustão interna tem ganho de robustez
- Range e refueling: hidrogênio bate elétrico a bateria em peso por distância
Por isso, a JCB aposta na rota de combustão interna. A empresa, fabricante britânica de máquinas pesadas, já adaptou motores diesel para queimar H2.
O carro a hidrogenio mais rapido em desenvolvimento técnico
Conforme a JCB, o Hydromax tem 32 pés (9,75 metros) de comprimento total. É um streamliner clássico — formato alongado para minimizar arrasto aerodinâmico.

Os dois motores são derivados de produtos comerciais da empresa. Por isso, foram modificados para queimar hidrogênio em vez de diesel. A potência combinada chega a 1.600 bhp.
Em outras palavras, é energia equivalente a três Lamborghinis Aventador rodando ao mesmo tempo. Tudo entregue pela queima limpa do gás mais leve do universo.
O piloto escalado para a missão é Andy Green, ex-comandante da Royal Air Force britânica. Conforme registro do Guinness World Records, ele detém o recorde absoluto desde 1997.
Andy Green: o piloto britânico do Hydromax
Andy Green é o único humano a quebrar a barreira do som em terra firme. Em 15 de outubro de 1997, no deserto Black Rock, em Nevada, atingiu 1.227 km/h.
A façanha foi feita com o Thrust SSC movido a turbinas de jato. Por isso, sua reputação no mundo dos recordes terrestres é inigualável.

Vinte anos depois, em 2006, Green cravou outro recorde. Conforme registro histórico, ele atingiu 350,092 mph (563 km/h) com o JCB Dieselmax — carro a diesel da mesma empresa.
Por isso, o Hydromax tem simbolismo duplo. É o retorno do mesmo piloto, no mesmo trecho de sal, com a mesma equipe, tentando bater seu próprio recorde diesel — mas agora com hidrogênio.
Bonneville Salt Flats: o coliseu do recorde
Conforme dados geográficos americanos, Bonneville Salt Flats fica no noroeste de Utah. É uma planície de sal seco com cerca de 12 km utilizáveis e superfície quase perfeitamente plana.
Por isso, é o palco histórico dos recordes de velocidade desde 1914. Quase todas as marcas significativas do século 20 foram batidas lá.
De acordo com o cronograma, a tentativa do Hydromax acontece durante a Bonneville Speed Week 2026. Em outras palavras, a janela natural para tentativas de recorde no salar.
Por que combustão a hidrogênio importa para o Brasil
O Brasil tem posição privilegiada na corrida do hidrogênio. Conforme dados do CNPEM, o país tem condição “singular” para produzir hidrogênio verde por eletrólise.

Por isso, a matriz energética brasileira é majoritariamente renovável. Há excesso de eletricidade em horários específicos, que poderia ser convertida em H2.
Em outras palavras, a transição energética brasileira na mobilidade pesada pode se beneficiar dessa tecnologia. Caminhões, máquinas agrícolas e ônibus são candidatos naturais.
Conforme analistas, a aplicação no agronegócio brasileiro tem potencial gigante. Tratores e colheitadeiras pesados são justamente o nicho que a JCB explora globalmente.
O que pode dar errado no recorde do carro a hidrogenio mais rapido
Apesar do otimismo, há riscos concretos no Hydromax. Em primeiro lugar, o estado do salar. Bonneville tem sofrido com chuvas e degradação superficial nos últimos anos.
Por isso, a janela de oportunidade em agosto pode ser inviabilizada se houver erosão. A FIA precisa autorizar a pista após inspeção técnica.
Conforme o Performance Racing Magazine, o Bureau of Land Management de Utah anunciou as datas oficiais. A pista está marcada para receber a tentativa.
O legado do recorde
Da mesma forma, há a questão de homologação. Para validar o recorde, Andy Green precisa cruzar uma “milha medida” duas vezes em direções opostas dentro de uma hora.
A média das duas passagens é o número oficial. Por isso, se apenas uma corrida atingir 350 mph mas a outra ficar abaixo, o recorde não vale.
Em outras palavras, o Hydromax precisa de consistência. Não basta atingir o pico; precisa repetir.
Hidrogênio na mobilidade: por que importa
Conforme cobertura especializada sobre transição energética, o hidrogênio verde é apontado como vetor crítico para descarbonizar setores difíceis. Aviação, navegação e mineração estão na lista.
Por isso, demonstrações de alto perfil como o Hydromax ajudam a normalizar a tecnologia. Ainda assim, há quem critique o foco em recorde como distração do trabalho industrial real.
Da mesma forma, a aposta no hidrogênio exige infraestrutura de produção e distribuição que ainda não existe em escala global. A cadeia logística é o gargalo.
Vale lembrar uma ressalva importante. A queima de hidrogênio em motor de combustão interna pode gerar NOx (óxidos de nitrogênio), poluentes regulados por agências ambientais.
Conforme análises técnicas, o nível de NOx é menor que do diesel, mas não zero. Por isso, a tecnologia precisa de tratamento de exaustão adicional para atender padrões Euro 7 e equivalentes.
Porém, no curto prazo, a corrida pelo carro a hidrogenio mais rapido do mundo é mais que um show. É teste de fogo para uma tecnologia que pode mudar caminhões, tratores e máquinas pesadas globalmente.
Quem leva o recorde em Bonneville este ano: a marca britânica que apostou na rota improvável, ou o ceticismo que diz que hidrogênio é distração cara para sustentar narrativa de transição energética?

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