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Jabuti gigante de Aldabra impressiona por viver até 150 anos, ter “cela” no casco para comer vegetação alta e nunca sair dele, enquanto projeto tenta devolver a ararinha-azul ao Brasil com conservação séria

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Escrito por Carla Teles Publicado em 26/01/2026 às 15:07 Atualizado em 26/01/2026 às 15:08
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Jabuti gigante e ararinha-azul ligam jabuti gigante de Aldabra, ararinha-azul da Caatinga e conservação da ararinha-azul à conservação de espécies ameaçadas.
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Em um centro de conservação, jabuti gigante e ararinha-azul aproximam o jabuti gigante de Aldabra e a ararinha-azul da Caatinga da conservação da ararinha-azul e da conservação de espécies ameaçadas.

O encontro entre jabuti gigante e ararinha-azul parece improvável, mas diz muito sobre como lidamos com espécies ameaçadas. De um lado, um dos maiores jabutis do planeta, com casco em forma de cela e capacidade de viver cerca de 150 anos. Do outro, uma ave símbolo da Caatinga, que quase desapareceu do Brasil e hoje depende de centros no exterior e de um projeto internacional para voltar ao seu bioma de origem.

Neste cenário, jabuti gigante e ararinha-azul se encontram em instalações altamente controladas, com biossegurança rigorosa, água sanitizada e manejo profissional, muito distante da imagem romântica de “bicho solto no mato”. A história desses animais mostra que conservação séria exige ciência, estrutura e decisões difíceis, não só boa intenção.

Um jabuti gigante que nunca sai do casco

Jabuti gigante e ararinha-azul ligam jabuti gigante de Aldabra, ararinha-azul da Caatinga e conservação da ararinha-azul à conservação de espécies ameaçadas.

A primeira parte dessa história começa com um jabuti gigante de Aldabra, considerado o segundo maior jabuti terrestre do mundo, logo depois das tartarugas de Galápagos.

Ele impressiona pelo tamanho, pela robustez e por uma característica que muita gente ainda não entende direito.

Ao contrário do que muitos desenhos sugerem, o jabuti gigante nunca sai do casco. A coluna vertebral está fundida ao casco, que é literalmente parte do esqueleto.

Não existe a cena do animal “escapando de dentro” para caminhar por aí. Esse casco é a casa e o corpo ao mesmo tempo, um escudo rígido que acompanha o animal por toda a vida.

A teoria mais aceita para explicar a presença desses gigantes em ilhas como Aldabra é que seus ancestrais teriam chegado flutuando sobre balsas de vegetação vindas do continente sul-americano.

Com o tempo, ficaram isolados, cresceram e ocuparam nichos que só um jabuti gigante poderia preencher.

Casco em forma de cela e um metabolismo de 150 anos

Um detalhe que chama a atenção em muitos indivíduos de Aldabra é a estrutura chamada de “cela” no casco, uma elevação na parte frontal que muda completamente a forma como o animal se alimenta.

Quando a cela é mais alta, o jabuti consegue erguer mais o pescoço e alcançar vegetação mais alta, arbustiva, e não apenas a grama rasteira.

Em outras subespécies ou populações, com cela mais baixa, o alcance é menor e a dieta tende a ser composta por graminhas e vegetação baixa. O desenho do casco define o cardápio e o papel ecológico do animal.

Esses jabutis gigantes podem viver cerca de 150 anos, com metabolismo lento e vida tranquila. Eles comem uma grande variedade de vegetais, legumes e frutas, incluindo folhas, abóboras, bananas, beterrabas, cenouras, melancias e flores de hibisco.

O cálcio também é essencial, e estruturas calcárias de moluscos ajudam na calcificação do casco e do esqueleto. Quando o jabuti fica descalcificado, o casco começa a formar pirâmides e perde o desenho suave esperado.

No Brasil, temos jabutis bem menores, como os das espécies carbonária e denticulata. O denticulata cresce mais, mas nenhum chega ao porte dos gigantes de Aldabra ou Galápagos.

Isso torna o jabuti gigante um lembrete vivo de como a evolução, o isolamento e o tempo podem produzir animais realmente extremos.

Bastidores de um centro que leva água, biossegurança e conservação a sério

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Os jabutis gigantes que aparecem nesse relato vivem em instalações que não são abertas ao público, e isso não é por acaso. Ali, a preocupação não é montar um zoológico de passeio, e sim construir um ambiente de conservação e bem-estar.

A água, por exemplo, passa por um processo rigoroso. Ela é sanitizada e monitorada em laboratório com regularidade, para garantir qualidade tanto para os animais quanto para as pessoas que circulam ali.

Exames de laboratório verificam se a sanitização não afeta os animais e se a água continua segura, dentro dos parâmetros ideais.

Esses detalhes de bastidor ajudam a entender que, quando se fala em jabuti gigante e ararinha-azul dentro de um projeto sério, não há espaço para improviso.

A estrutura é pensada para reduzir riscos, evitar doenças, controlar qualidade de ambiente e manter o foco na conservação, não no espetáculo.

Ararinha-azul: patrimônio brasileiro que precisou de ajuda estrangeira

A segunda parte da história envolve a ararinha-azul, uma ave originária da Caatinga brasileira, que se tornou símbolo de um dos casos mais sensíveis de conservação do país.

Durante anos, enquanto a espécie desaparecia da natureza no Brasil, foram centros estrangeiros que mantiveram populações viáveis de ararinha-azul em cativeiro, garantindo que a espécie não se perdesse completamente.

Isso ainda gera polêmica, mas é um fato mencionado de forma direta: o patrimônio brasileiro acabou sendo melhor administrado lá fora do que aqui em certos períodos.

No centro visitado, ligado ao projeto Vantara, existem cerca de 12 casais e duas fêmeas adicionais, totalizando 26 indivíduos de ararinha-azul.

Como outros psitacídeos, essa ave pode viver mais de 50 anos e leva alguns anos para começar a reproduzir, entrando em fase reprodutiva por volta dos 4 ou 5 anos de idade.

Muita gente no Brasil ainda confunde a ararinha-azul da Caatinga com outras espécies, como a arara-azul-grande da Amazônia e do Pantanal ou a arara-azul-de-lear.

A ararinha-azul, porém, é típica de um bioma muitas vezes esquecido, a Caatinga, um dos seis grandes biomas brasileiros.

O projeto para trazer a ararinha-azul de volta ao Brasil

Jabuti gigante e ararinha-azul ligam jabuti gigante de Aldabra, ararinha-azul da Caatinga e conservação da ararinha-azul à conservação de espécies ameaçadas.

O Vantara atua como parceiro do governo brasileiro na conservação da ararinha-azul. O papel declarado é duplo. Por um lado, manter aves em cativeiro com alto padrão de biossegurança e manejo.

Por outro, ser uma plataforma de articulação entre os diferentes parceiros da conservação, onde se discutem as melhores formas de, um dia, libertar essas aves de volta ao Brasil.

A ideia é que o projeto esteja ligado ao sítio de reintrodução no bioma de origem da espécie. A ararinha-azul é brasileira, e o objetivo final é que volte a voar no território brasileiro, em condições controladas, com monitoramento posterior e acompanhamento de longo prazo.

O próprio relato reconhece que, no passado, o processo de reintrodução teve falhas. Houve solturas com poucas aves, problemas sanitários como circulação de circovírus, mortes e falhas de planejamento.

A crítica é clara: muitas políticas foram românticas demais e técnicas de menos, com foco no gesto de soltar o animal, e pouca atenção ao acompanhamento, à doença e à viabilidade das populações ao longo do tempo.

Conservar ararinha-azul não é só abrir uma gaiola e dizer “tchau, passarinho”. O fator de sucesso está no monitoramento, na proteção de habitat, no controle de doenças e na integração entre conservação em cativeiro e conservação no ambiente natural.

Entre jabuti gigante e ararinha-azul: conservação romântica ou conservação de verdade

Quando juntamos jabuti gigante e ararinha-azul na mesma história, o que aparece é um contraste forte entre discurso e prática.

De um lado, vemos jabutis gigantes e aves raras mantidos em recintos com estrutura de biossegurança, exames de água, manejo técnico e planejamento de longo prazo, em um ambiente que não é pensado como atração turística, mas como base de conservação.

Do outro, aparece a lembrança de políticas brasileiras marcadas muitas vezes por conservação romântica, com foco no sentimento de pena e no discurso do “coitadinho do bicho na jaula”, sem compreender o papel crítico da conservação ex situ.

Manter um animal em cativeiro em um centro bem estruturado, com protocolos sérios, pode ser justamente o que garante que ele ainda exista quando o ambiente natural estiver pronto para recebê-lo de volta.

Jabuti gigante e ararinha-azul são, nesse contexto, dois lembretes vivos de que conservar exige realismo, humildade e parceria.

Realismo para reconhecer falhas passadas. Humildade para aprender com quem conseguiu avanços concretos, mesmo que fora do país. E parceria para construir soluções que unam Brasil e instituições estrangeiras na mesma direção.

Na sua opinião, o Brasil está preparado para tratar com a mesma seriedade a conservação de espécies como jabuti gigante e ararinha-azul aqui dentro, ou ainda esbarramos demais em discursos românticos e pouca estrutura real?

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Carla Teles

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