IPCA cai 0,11% em agosto, menor resultado desde 2022, aponta IBGE. Deflação leva acumulado a 5,13% e afeta a economia.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal medidor da inflação no Brasil, apresentou queda de 0,11% em agosto, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira (11).
O resultado é o mais baixo desde setembro de 2022, quando o índice havia recuado 0,29%. A deflação registrada reforça a tendência de desaceleração da economia brasileira, com impacto direto no bolso dos consumidores.
Deflação em 2025 e comparação com 2022
Para meses de agosto, a taxa também foi a menor desde 2022, ano em que a deflação chegou a 0,36%. Em agosto do ano passado, 2024, o IPCA havia registrado queda mais tímida, de 0,02%.
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Agora, com o resultado de agosto de 2025, a trajetória de recuo da inflação se confirma, trazendo alívio em setores de consumo e abrindo espaço para novos debates sobre a condução da política monetária.
Acumulado em 12 meses apresenta nova retração
Além da queda mensal, o levantamento do IBGE revelou que a taxa acumulada em 12 meses registrou redução pelo segundo mês consecutivo. O índice passou de 5,23% em julho para 5,13% em agosto.
Esse patamar é o mais baixo desde fevereiro de 2025, quando o acumulado marcava 5,06%. A leitura reforça que a inflação segue sob controle, ainda que acima da meta oficial definida pelo Banco Central.
Impactos da deflação na economia brasileira
A deflação, quando os preços médios caem, pode gerar efeitos distintos na economia. Para o consumidor, há a percepção de maior poder de compra, já que produtos e serviços ficam mais acessíveis. No entanto, se prolongada, a tendência pode indicar desaquecimento da atividade econômica, com retração de investimentos e impactos no mercado de trabalho.
Especialistas destacam que a queda de preços em setores como combustíveis e energia elétrica foi determinante para o resultado de agosto.
Ao mesmo tempo, outros segmentos, como alimentação fora do domicílio, apresentaram resistência e mantiveram variações positivas.
Contexto histórico e relevância do resultado
O comportamento do IPCA em 2025 chama a atenção por acontecer em um cenário de ajustes econômicos e alta sensibilidade do mercado financeiro. Desde 2022, quando o índice apresentou deflação expressiva de 0,36% em agosto, não se observava um recuo tão significativo no mesmo mês.
Segundo o IBGE, esse tipo de movimento precisa ser analisado com cautela, pois nem sempre reflete apenas melhora no poder de compra da população, mas também mudanças estruturais nos preços administrados e conjuntura econômica global.
Expectativas para os próximos meses
Com a inflação em desaceleração, aumenta a expectativa em torno das decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros, a Selic. A queda do IPCA reforça a possibilidade de manutenção ou até cortes graduais nos juros, o que poderia estimular investimentos e crédito.
Por outro lado, analistas alertam que fatores externos, como variações cambiais e tensões internacionais, podem reverter parte do alívio observado nos preços.
Assim, a trajetória do índice até o fim de 2025 dependerá não apenas do cenário interno, mas também de pressões vindas do mercado global.
