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Indústria que produz mais de 150 milhões de chips por ano tem R$ 143,3 milhões em crédito aprovados para ampliar fábrica em SP

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Escrito por Ana Alice Publicado em 27/10/2026 às 23:54
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Zilia tem R$ 143,3 milhões do BNDES para ampliar fábrica de chips em Atibaia (SP); fabricante produz mais de 150 milhões de unidades por ano. - Imagem: Ilustrativa via I.A
Zilia tem R$ 143,3 milhões do BNDES para ampliar fábrica de chips em Atibaia (SP); fabricante produz mais de 150 milhões de unidades por ano. – Imagem: Ilustrativa via I.A
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A expansão planejada por uma fabricante de semicondutores no interior paulista envolve modernização industrial, novas tecnologias de memória e financiamento público. O projeto também prevê mudanças na estrutura produtiva e no desenvolvimento de componentes eletrônicos.

Uma das fabricantes de semicondutores em operação no Brasil recebeu aprovação de R$ 143,3 milhões em financiamento do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para ampliar sua produção e investir em novas tecnologias.

Os recursos foram destinados à Zilia Technologies, empresa que mantém uma fábrica em Atibaia, no interior de São Paulo, e produz componentes utilizados em computadores, celulares e servidores.

O financiamento foi anunciado em 10 de junho de 2026, dentro do programa BNDES Mais Inovação. A operação contempla pesquisa, desenvolvimento e modernização industrial, incluindo a compra de equipamentos para fabricação e testes de chips.

Segundo a Agência BNDES de Notícias, a Zilia já produzia mais de 150 milhões de chips e 7 milhões de módulos de memória por ano quando o crédito foi aprovado.

A companhia opera duas unidades industriais, localizadas em Atibaia (SP) e Manaus (AM), e empregava aproximadamente 700 profissionais.

Embora o anúncio tenha ocorrido em junho, registros públicos posteriores indicam que o contrato de financiamento foi formalizado em 17 de julho de 2026. A informação permite acompanhar a operação além da aprovação inicial, sem confundir o crédito contratado com recursos efetivamente liberados.

Fábrica de Atibaia receberá novos equipamentos para ampliar a produção de semicondutores

O projeto financiado pelo BNDES concentra seus investimentos na unidade de Atibaia, onde a Zilia realiza atividades industriais relacionadas principalmente ao encapsulamento e aos testes de circuitos integrados de memória.

Nessa etapa da fabricação, os componentes semicondutores passam por processos de montagem, proteção e verificação de funcionamento antes de serem utilizados em equipamentos eletrônicos.

É uma atividade diferente da fabricação inicial das estruturas semicondutoras em lâminas de silício. Essa distinção ajuda a compreender o papel da unidade paulista na cadeia de produção dos chips.

Com o financiamento, a empresa pretende adquirir máquinas de montagem, manipulação, testes e medição, além de desenvolver novas soluções tecnológicas. Os equipamentos previstos fazem parte do planejamento de modernização da estrutura industrial.

A expansão física da fábrica também já estava nos planos da companhia antes da operação de crédito.

Em dezembro de 2025, a Zilia anunciou que pretendia acrescentar 2.500 metros quadrados de área fabril em Atibaia durante 2026, elevando para aproximadamente 23 mil metros quadrados o espaço dedicado às atividades industriais.

A previsão foi apresentada durante a comemoração dos 20 anos da unidade, inaugurada em 2005. Na ocasião, a companhia também divulgou um planejamento de investimentos superior a R$ 1 bilhão no Brasil até 2030.

As informações constam de comunicado oficial da Zilia Technologies, publicado em 22 de dezembro de 2025.

Os anúncios apresentam diferentes dimensões do planejamento industrial da fabricante. Entretanto, as fontes consultadas não detalham qual parcela da ampliação física será financiada especificamente pelos R$ 143,3 milhões aprovados pelo BNDES.

Produção de chips no Brasil atende fabricantes de computadores, celulares e servidores

A Zilia atua principalmente no mercado de componentes de memória e dispositivos de armazenamento de dados, utilizados em equipamentos eletrônicos de diferentes segmentos.

Entre seus produtos estão circuitos integrados de memória DRAM e Flash, módulos de memória e unidades de armazenamento em estado sólido, conhecidas como SSDs.

Esses componentes desempenham funções distintas. Enquanto a memória DRAM permite o acesso temporário a informações durante o funcionamento de computadores e outros dispositivos, as tecnologias Flash são utilizadas para armazenar dados mesmo quando os equipamentos estão desligados.

Na estrutura industrial da empresa, as duas fábricas possuem atividades diferentes.

A unidade de Atibaia concentra a produção de chips, enquanto a fábrica de Manaus atua na montagem de módulos de memória e dispositivos de armazenamento.

Segundo informações divulgadas pela própria Zilia em dezembro de 2025, a operação paulista produzia aproximadamente 150 milhões de chips anualmente, e a unidade amazonense fabricava cerca de 7 milhões de módulos.

A companhia também fornece componentes para empresas globais de tecnologia da informação e comunicação que atuam no mercado brasileiro. O comunicado do BNDES não identifica individualmente esses clientes.

O histórico industrial da Zilia inclui atividades de encapsulamento de semicondutores no Brasil desde 2006 e a abertura da unidade de Manaus em 2021.

Anteriormente conhecida como SMART Modular Technologies no país, a operação passou a utilizar a marca Zilia em 2023, após a aquisição de uma participação majoritária pela chinesa Longsys.

Em 2026, a Longsys adquiriu a participação remanescente da SMART Global, conforme a linha do tempo institucional da fabricante.

Financiamento de R$ 143,3 milhões teve contratação registrada em julho de 2026

O valor anunciado pelo BNDES em junho corresponde a uma operação de crédito, e não a uma transferência de recursos sem obrigação de pagamento.

No comunicado inicial, o banco esclareceu que a liberação do dinheiro dependeria da formalização do contrato, do cumprimento das condições estabelecidas e do cronograma previsto no projeto industrial.

Uma consulta aos registros de financiamento do BNDES, disponíveis em base atualizada em outubro de 2026, mostra que a operação avançou para a etapa de contratação.

O contrato nº 26900801 aparece com data de 17 de julho de 2026 e valor total de R$ 143.328.674, distribuído em três parcelas contratuais, também chamadas de subcréditos.

Os registros apresentam valores de R$ 75,57 milhões, R$ 35,36 milhões e R$ 32,39 milhões. Embora tenham condições financeiras diferentes, os três subcréditos pertencem ao mesmo contrato, destinado ao plano de inovação e modernização da unidade de Atibaia.

Na consulta disponibilizada em outubro, os registros dessas parcelas ainda apresentavam R$ 0 em desembolsos contabilizados.

Isso não permite concluir que a operação foi cancelada, mas indica que não havia liberação registrada na base consultada.

As informações podem ser verificadas no Portal de Dados Abertos do BNDES e na consulta dos registros vinculados à Zilia Technologies, que organiza os dados publicados pelo banco.

O financiamento integra o BNDES Mais Inovação, programa direcionado a projetos de desenvolvimento tecnológico e modernização produtiva de empresas instaladas no Brasil.

Zilia também planeja novas memórias para inteligência artificial e data centers

A ampliação da fábrica paulista está relacionada a uma estratégia tecnológica que envolve componentes de memória de maior desempenho.

Segundo o BNDES, o projeto busca permitir que a Zilia avance em produtos voltados a aplicações que exigem grande capacidade de armazenamento, velocidade de processamento e eficiência energética.

Entre os mercados mencionados estão os data centers e as aplicações de inteligência artificial, que utilizam equipamentos capazes de processar e armazenar grandes volumes de informações.

Em seu planejamento divulgado no fim de 2025, a fabricante mencionou tecnologias como memórias de alta largura de banda, conhecidas pela sigla HBM, e SSDs corporativos voltados a servidores.

Esses produtos integram as áreas de desenvolvimento e expansão pretendidas pela companhia. Entretanto, os comunicados consultados não confirmam que a fábrica de Atibaia já tenha iniciado a produção comercial de memórias HBM.

O presidente e CEO da Zilia, Rogério Nunes, afirmou em comunicado de dezembro de 2025 que o crescimento da demanda por capacidade de memória e processamento estava entre os fatores considerados no planejamento da empresa.

A expansão também envolve contratações. Segundo os dados apresentados pelo BNDES em junho de 2026, a companhia pretendia incorporar aproximadamente 100 profissionais por ano até o final da década, principalmente em engenharia, manufatura avançada e pesquisa e desenvolvimento.

Essa quantidade representa uma expectativa de contratação, não um número de empregos já criados com o financiamento.

Até a última documentação consultada, também não havia confirmação de uma nova capacidade anual de produção resultante da modernização industrial ou de uma data definitiva para a conclusão das obras previstas em Atibaia.

O contrato de julho estabelece a etapa financeira do projeto, enquanto a execução das melhorias e a ampliação da produção dependem do andamento dos investimentos planejados pela fabricante.

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Ana Alice

Redatora e analista de conteúdo. Escreve para o site Click Petróleo e Gás (CPG) desde 2024 e é especialista em criar textos sobre temas diversos como economia, empregos e forças armadas.

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