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Indústria mineira registra queda no faturamento industrial e acende alerta para a economia mineira em 2026

Escrito por Sara Aquino
Publicado em 04/03/2026 às 21:46
Queda no faturamento da indústria mineira acende alerta para a economia mineira e sinaliza desaceleração da atividade industrial em 2026.
Foto: IA
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Queda no faturamento da indústria mineira acende alerta para a economia mineira e sinaliza desaceleração da atividade industrial em 2026.

indústria mineira começou 2026 com um sinal de alerta. Levantamento divulgado pela Federação das Indústrias de MG (Fiemg) mostra que o faturamento industrial caiu 11,7% em janeiro para dezembro de 2025, refletindo a redução de pedidos nas empresas e a desaceleração da atividade industrial.

O recuo foi registrado principalmente nos segmentos extrativo e na indústria transformação, afetando diretamente o desempenho da economia mineira logo no início do ano. 

O resultado foi divulgado neste início de 2026 e reúne dados das empresas industriais de Minas Gerais.

Segundo a Fiemg, a queda ocorreu principalmente por causa da diminuição das encomendas, tanto no mercado interno quanto no externo, além de fatores sazonais como férias coletivas e ajustes de produção típicos do período. 

Apesar do resultado negativo, especialistas afirmam que o desempenho não necessariamente indica uma tendência contínua de retração.

No entanto, o cenário macroeconômico mais desafiador pode reduzir o ritmo da atividade ao longo do ano. 

Faturamento industrial recua e interrompe sequência de crescimento 

Depois de quatro meses consecutivos de resultados positivos, o faturamento industrial da indústria mineira apresentou retração em janeiro.

O levantamento da Fiemg aponta que o desempenho interrompeu a sequência de crescimento observada desde setembro de 2025. 

A queda na receita foi provocada, principalmente, pela diminuição do volume de pedidos nas empresas da indústria transformação.

Isso ocorreu tanto no mercado doméstico quanto nas exportações, refletindo um ambiente econômico mais cauteloso. 

Segundo o economista da Fiemg, Arthur Augusto Dias, o resultado exige atenção, embora ainda não represente uma tendência consolidada de queda na atividade industrial

“A queda observada em janeiro não necessariamente indica uma tendência contínua de baixa para a indústria ao longo de 2026.

Mas o resultado recente acende um alerta, principalmente no contexto de um ambiente macroeconômico muito adverso, com juros em patamares historicamente elevados e uma economia em franca desaceleração.

Esse cenário aponta para uma moderação do ritmo da atividade industrial no Estado – mais uma moderação do que uma queda persistente da indústria”, explica Dias. 

Indústria transformação sente mais os efeitos da desaceleração 

Entre os segmentos industriais, a indústria transformação foi a mais impactada pela redução da demanda.

Esse setor é responsável por transformar matérias-primas em produtos com maior valor agregado, como aço, veículos e peças industriais. 

De acordo com o levantamento, setores como siderurgia, fabricação de autopeças e indústria automobilística sentiram mais intensamente os efeitos da desaceleração da economia mineira

Isso ocorre porque esse segmento é mais sensível ao comportamento do mercado e ao ritmo da economia.

Quando há redução do consumo ou das exportações, os impactos aparecem rapidamente na produção e no faturamento. 

“A indústria de transformação é um segmento mais sensível ao ciclo econômico e ao desempenho da economia, que está em franca desaceleração.

Em janeiro, houve redução de pedidos em carteira, tanto no mercado interno quanto no externo, o que acabou impactando o faturamento e também as horas trabalhadas na produção.

O faturamento teve uma queda de 14,1% na indústria de transformação e as horas trabalhadas na produção recuaram 2,5%.

A tendência é que a queda no ritmo desse segmento permaneça ao longo deste ano”, comenta. 

Menos horas trabalhadas e ajustes na produção industrial 

Outro indicador que reflete o enfraquecimento da atividade industrial foi a redução das horas trabalhadas na produção.

Em janeiro, as empresas registraram menor carga de trabalho, influenciada principalmente pelo período de férias coletivas e pela compensação de banco de horas. 

Mesmo com esse cenário, a utilização da capacidade instalada das fábricas apresentou leve avanço.

O índice chegou a 81,4%, indicando que parte das indústrias ainda opera com nível significativo de produção. 

Enquanto isso, o mercado de trabalho industrial apresentou um comportamento mais positivo.

Houve crescimento leve no número de empregados, além de aumento da massa salarial real e do rendimento médio dos trabalhadores. 

Esse movimento foi impulsionado, em parte, pelo pagamento de férias e pela manutenção dos quadros de funcionários nas empresas. 

Incertezas internacionais podem impactar a economia mineira 

Além dos desafios internos, a indústria mineira também acompanha atentamente o cenário internacional.

Conflitos no Oriente Médio e tensões geopolíticas podem gerar impactos indiretos na economia mineira, principalmente por meio do aumento da volatilidade nos preços de commodities. 

O petróleo, principal produto da região, é considerado um dos fatores que podem pressionar custos logísticos e industriais caso ocorra escalada de tensões globais. 

Segundo Arthur Augusto Dias, esse tipo de cenário tende a aumentar a instabilidade econômica e pode influenciar diretamente o comércio internacional. 

“Conflitos internacionais sempre aumentam o grau de incerteza na economia global e afetam o nível de comércio ultramarino. E, claro, também os preços das commodities.

Neste caso específico, principalmente o valor do petróleo que vai sofrer alta. No caso da indústria mineira, os impactos dependem muito da intensidade desses conflitos e, principalmente, da duração.

Se houver aumento da volatilidade nos mercados ou uma mudança relevante no comércio internacional, isso pode acabar influenciando o desempenho da indústria”, conclui o economista. 

Perspectivas para a atividade industrial em 2026 

Embora a queda no faturamento industrial em janeiro tenha interrompido o ciclo positivo recente, especialistas avaliam que o cenário aponta mais para uma desaceleração do que para uma crise no setor. 

Ainda assim, fatores como juros elevados, menor ritmo da economia e incertezas globais devem continuar influenciando a atividade industrial ao longo de 2026. 

Nesse contexto, a indústria mineira deverá enfrentar um ano de maior cautela, com empresas monitorando de perto o comportamento do mercado, das exportações e das condições macroeconômicas que impactam diretamente o desempenho da produção. 

Veja mais em: Indústria tem queda de faturamento em janeiro, diz Fiemg

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Sara Aquino

Farmacêutica e Redatora. Escrevo sobre Empregos, Geopolítica, Economia, Ciência, Tecnologia e Energia.

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