Uma torre gigantesca de madeira, erguida para desaparecer em uma única noite de fogo, acabou sobrevivendo à própria festa e ganhou um destino inesperado após restrições ambientais impedirem que o plano original fosse realizado.
Construir uma torre de madeira com altura próxima à de um prédio de oito andares já exigiria semanas de trabalho.
Fazer tudo isso sabendo que, no fim, a intenção é colocar a estrutura inteira em chamas torna a história ainda mais incomum.
Foi exatamente esse o plano de Michael Häfliger e um grupo de amigos em Eich, no cantão de Lucerna, na Suíça.
-
Depois de trabalhar na roça desde criança, criar 12 filhos e passar décadas na construção civil como mestre de obras, brasileiro aprende a ler e escrever aos 77 anos e recebe certificado de alfabetização
-
David Beckham transformou o jardim de sua propriedade nos Cotswolds em uma horta produtiva, começou a plantar favas, cebolas roxas, cenouras e pepinos, passou a acompanhar a irrigação e colher os vegetais no próprio terreno e converteu parte da área residencial em fonte de alimentos frescos para a família na Inglaterra
-
Aos 43 anos, ex-galã da Globo que ficou famoso em Malhação vira vendedor ambulante de cerveja em Copacabana, viraliza, fatura até R$ 11 mil em um dia, ganha uma Kombi de cliente e abre o próprio bar, mas mesmo depois da conquista volta às ruas e encara jornadas de mais de 12 horas vendendo bebidas na praia
-
Catarinense largou emprego em fábrica de roupa de cama, mudou-se com o marido para a Europa, passou 4 anos entre documentos, cursos e habilitações até virar caminhoneira e hoje cruza países em jornadas de até 21 horas, ficando cerca de 20 dias seguidos na estrada e conhecendo o continente enquanto trabalha
Desde o fim de junho de 2026, eles reuniram troncos, utilizaram um guindaste e prepararam uma enorme fogueira para o Dia Nacional da Suíça, comemorado em 1º de agosto.
Quando o trabalho terminou, a estrutura tinha sido divulgada com 24 metros de altura e cerca de 120 toneladas de madeira.
Só que o fogo nunca aconteceu.
As autoridades de Lucerna proibiram as tradicionais fogueiras do feriado diante do risco de incêndios provocado pela seca.
A torre permaneceu de pé e Häfliger decidiu tentar um destino bem diferente para aquilo que havia construído: colocar o gigantesco monte de madeira à venda na internet.
A história ganhou mais um capítulo depois disso.
O anúncio mais recente disponível na plataforma suíça Ricardo aparece encerrado e sem nenhum lance registrado, indicando que, ao menos naquela tentativa de venda, ninguém levou a torre para casa.
Torre de madeira levou semanas para ficar pronta na Suíça
O projeto foi montado em Oberhundgellen, uma área de Eich com vista para o lago de Sempach.
Michael Häfliger já tinha experiência nesse tipo de construção.

Nos anos anteriores, ele e seus colaboradores ergueram outras grandes fogueiras para celebrar o 1º de agosto, tradição que reúne fogueiras e outros eventos em diferentes regiões da Suíça.
Em 2025, por exemplo, uma estrutura construída por ele alcançou aproximadamente 25 metros e reuniu mais de 100 toneladas de madeira antes de ser incendiada durante a comemoração.
Para 2026, o plano era repetir o espetáculo.
Segundo o Zentralplus, Häfliger e sua equipe começaram a reunir o material no fim de junho e utilizaram um guindaste para empilhar os troncos.
As despesas com madeira, equipamento e preparação da festa ficaram entre 6 mil e 7 mil francos suíços, conforme estimativa dada pelo próprio organizador.
A programação previa uma festa já em 31 de julho.
No dia seguinte, o evento continuaria até que a gigantesca fogueira fosse acesa por volta das 22h.
Quando tudo parecia preparado, porém, surgiu um problema que nenhuma quantidade adicional de madeira poderia resolver.
Risco de incêndio impediu fogueira de 24 metros
O verão seco elevou o risco de incêndios florestais no cantão de Lucerna.
Em 23 de julho, as autoridades determinaram que fogos de 1º de agosto e fogueiras em pontos elevados não poderiam ser acesos durante o feriado.
Para Häfliger, a decisão significava manter intacta justamente a estrutura que havia sido construída para desaparecer em poucas horas.
O próprio organizador afirmou ao Zentralplus que compreendia a preocupação provocada pela seca, embora considerasse que a decisão havia sido tomada com antecedência, quando ainda existia a possibilidade de chuva antes do feriado.
A situação ficou ainda mais restritiva alguns dias depois.
Desde 6 de agosto de 2026, o cantão de Lucerna passou a manter um veto absoluto ao fogo ao ar livre, válido até nova determinação.
A orientação oficial informa que nem mesmo fogueiras em locais preparados estão permitidas enquanto a medida estiver em vigor.
Assim, simplesmente esperar alguns dias e riscar um fósforo não era uma alternativa.

Torre gigante foi colocada à venda na internet
Sem poder realizar a queima, Häfliger transformou o problema em um anúncio pouco comum.
A estrutura apareceu no Ricardo, um dos principais sites de compra e venda da Suíça.
Inicialmente, a imprensa local informou um lance de abertura de 5.999 francos suíços.
No anúncio, o objeto recebeu um nome muito mais simples do que suas dimensões sugeriam: “Holzhaufen”, expressão alemã que pode ser traduzida como “pilha de madeira”.
A descrição atualizada da oferta passou a apresentar medidas um pouco menores do que as divulgadas durante a montagem.
Enquanto as primeiras reportagens falavam em 24 metros e 120 toneladas, o anúncio estimava a torre em cerca de 20 metros e aproximadamente 100 toneladas, deixando claro que dimensões, peso e quantidade de madeira não tinham garantia.
A diferença não significa necessariamente que dezenas de toneladas desapareceram.
O próprio vendedor tratou os números do anúncio como estimativas e informou que não garantia as medidas exatas.

Comprador não precisaria retirar imediatamente as 100 toneladas de madeira
Transportar algo com aproximadamente 100 toneladas de madeira certamente não seria uma compra comum.
Por isso, o anúncio previa mais de uma possibilidade para um eventual interessado.
A madeira poderia ser retirada do terreno, mas a estrutura também poderia permanecer temporariamente no local.
Uma empresa poderia, mediante acordo, utilizar a torre como suporte para publicidade, cenário de fotografias, gravações ou ações promocionais.
Outra opção seria esperar até que uma queima voltasse a ser autorizada e então realizar o fogo no próprio terreno, desde que todas as exigências das autoridades fossem cumpridas.
O dinheiro obtido com uma eventual venda também ganhou um destino definido.
Segundo o anúncio, os recursos seriam usados para apoiar projetos florestais locais.
Estrutura de madeira poderia desabar
A oferta vinha acompanhada de avisos importantes.
A torre não foi projetada para funcionar como uma construção permanente.
Ela nasceu para ser uma fogueira.
Por isso, o vendedor deixou claro que não poderia garantir por quanto tempo os troncos continuariam naquela posição.
Partes poderiam cair e até a estrutura inteira poderia eventualmente desabar.
Subir, entrar ou trabalhar perto dela exigiria acordo prévio e seria feito sob responsabilidade de quem decidisse utilizar o espaço, dentro das regras aplicáveis.
Havia ainda um prazo.
Todo o conjunto deverá desaparecer do terreno até 1º de agosto de 2027, seja por meio de retirada da madeira ou por uma futura queima autorizada.
Isso mantém aberta justamente a possibilidade que Häfliger já havia considerado depois do cancelamento: conservar a estrutura e tentar finalmente incendiá-la na comemoração do ano seguinte.
Regras também dificultam transformar a torre em fogueira no Ano-Novo
Uma alternativa chegou a ser cogitada antes da tentativa de venda.
Häfliger avaliou a possibilidade de realizar a queima durante o Ano-Novo.
A ideia, porém, esbarrou nas regras ambientais locais.
No cantão de Lucerna, a regulamentação estabelece que, em áreas de até 1.200 metros de altitude, a queima ao ar livre de resíduos de floresta, campo e jardim não é permitida entre 1º de novembro e 31 de março.
Fora desse período, outras regras continuam valendo e determinadas queimas também podem depender de condições específicas ou autorização.
Com isso, a torre acabou presa a um calendário bastante limitado: não pôde ser acesa no feriado para o qual havia sido construída, não poderia simplesmente ser transformada em uma enorme fogueira de Réveillon e continuaria dependendo das condições ambientais e da liberação das autoridades.
Anúncio da torre terminou sem comprador
A tentativa de encontrar alguém disposto a assumir o estranho monumento também teve uma atualização.
A página da oferta no Ricardo aparece atualmente marcada como “artigo não vendido” e informa que o anúncio terminou.
O histórico disponível na plataforma não registra qualquer lance.
A mesma página exibe um valor inicial de 5 mil francos suíços, enquanto ainda mantém referência à oferta anterior de 5.999 francos, que também aparecia sem interessados.
Isso significa que, por enquanto, a montanha de madeira continua sendo um problema de Häfliger e dos responsáveis pelo projeto.
E há uma ironia adicional nessa situação.
A estrutura criada para produzir uma enorme chama acabou permanecendo visível por muito mais tempo justamente porque não pôde ser incendiada.
O que deveria durar apenas uma noite se transformou em uma construção temporária com dezenas de metros de altura, toneladas de madeira e até potencial para publicidade.
Caso não apareça outra solução e as condições permitam, o calendário ainda reserva uma última possibilidade para a ideia original.
Até 1º de agosto de 2027, a torre precisará sair dali — e uma futura fogueira autorizada continua entre as maneiras previstas para isso acontecer.

