Objeto interestelar 3I/ATLAS, o terceiro já confirmado pela ciência, revela composição inédita e reforça o mistério sobre a origem de cometas
A NASA confirmou nesta semana a passagem do cometa 3I/ATLAS pelo ponto mais próximo do Sol, a uma velocidade de 58 km por segundo, que ocorre entre hoje 28/10 e amanhã 29/10. O corpo celeste, detectado em julho pelo telescópio ATLAS no Chile, é apenas o terceiro objeto conhecido vindo de fora do Sistema Solar e agora parte rumo ao espaço interestelar após um breve encontro com o Sol.
Com uma trajetória hiperbólica e composição química diferente de qualquer cometa local, o 3I/ATLAS oferece novas pistas sobre a formação de sistemas planetários distantes. Sua análise espectroscópica revelou altos níveis de dióxido de carbono, poeira fina e ausência de compostos orgânicos comuns, levantando hipóteses sobre uma origem em regiões extremamente frias e antigas do cosmos.
Origem e trajetória do cometa

Detectado em 1º de julho de 2025 no observatório de Río Hurtado, o cometa 3I/ATLAS percorreu o Sistema Solar em uma órbita aberta, sem retorno.
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A passagem pelo periélio, em 29 de outubro, vai ocorrer a 1,36 unidade astronômica do Sol, entre as órbitas da Terra e de Marte.
Sua velocidade e ângulo de aproximação indicam uma rota de passagem única.
Com excentricidade superior a 5, o objeto não está gravitacionalmente preso ao Sol, o que confirma sua natureza interestelar.
O núcleo, com dezenas de bilhões de toneladas, mostrou-se estável e resistente ao calor intenso, sem sinais de fragmentação durante o periélio.
Composição revela sinais de origem interestelar
Os dados captados por sondas e telescópios, como o James Webb e o Observatório Keck, apontam para uma composição dominada por CO₂ e minerais metálicos raros.
A ausência de moléculas orgânicas típicas de cometas solares sugere formação em ambientes com temperaturas inferiores a –250 °C.
A cor avermelhada da poeira e a polarização extrema da luz refletida indicam exposição prolongada à radiação cósmica fora da heliosfera.
Esse tipo de alteração superficial é típico de objetos que vagaram por bilhões de anos no espaço interestelar antes de cruzar o caminho do Sol.
Missões espaciais e observações científicas
Durante a aproximação, sondas como a Mars Express e a ExoMars Trace Gas Orbiter registram o brilho do cometa a milhões de quilômetros de Marte.
O rover Perseverance chegou a captar o objeto como um ponto luminoso no céu marciano, enquanto a sonda Europa Clipper se alinhou com sua cauda iônica para coletar partículas carregadas.
Mesmo com o brilho solar intenso, telescópios terrestres identificaram variações sutis na coma do 3I/ATLAS, sem formação de cauda visível.
As medições serão usadas para ajustar modelos de comportamento térmico de cometas interestelares, fundamentais para futuras missões de interceptação.
Risco de fragmentação e protocolos da NASA
O intenso aquecimento solar gerou preocupações sobre uma possível ruptura do núcleo.
A superfície do 3I/ATLAS recebe cerca de 33 gigawatts de radiação durante o periélio, mas sem indícios de colapso.
A NASA ativou protocolos de monitoramento em parceria com a ESA e a International Asteroid Warning Network para rastrear eventuais fragmentos e atualizar os bancos de dados de defesa planetária.
Simulações orbitais confirmam que o cometa não representa risco à Terra, mantendo distância mínima de cerca de 270 milhões de quilômetros em dezembro.
A partir de novembro, o objeto torna-se visível novamente para telescópios amadores, cruzando as constelações de Virgem e Leão antes de desaparecer definitivamente rumo ao espaço profundo.
A breve visita do 3I/ATLAS reforça o papel dos observatórios automatizados e das missões interplanetárias na detecção de corpos interestelares.
Cada passagem oferece dados inéditos sobre a química, densidade e estrutura de materiais formados fora do Sistema Solar, ampliando a compreensão sobre como planetas e cometas surgem em outros sistemas estelares.
Assim como ʻOumuamua e Borisov, o 3I/ATLAS deixa perguntas em aberto sobre a diversidade cósmica.
Seu comportamento estável e composição incomum alimentam o interesse em futuras missões que possam capturar amostras diretas desses visitantes de outros mundos.
E você, acha que um dia conseguiremos interceptar um cometa e trazer fragmentos para estudo na Terra?

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