A guerra no Irã voltou a ganhar força neste sábado depois que o Exército iraniano anunciou controle rígido sobre o Estreito de Ormuz, em meio a relato de disparos contra petroleiro, reabertura de seis aeroportos e novos desdobramentos no sul do Líbano
A guerra no Irã ganhou novo desdobramento neste sábado, dia 18, com o anúncio de que o Estreito de Ormuz voltou a ficar sob “estrito controle” das forças iranianas, poucas horas depois de sinais de distensão terem elevado a expectativa de reabertura da hidrovia.
O movimento recoloca em evidência a disputa na região e surge enquanto o conflito também mantém reflexos no Líbano e na aviação civil iraniana.
Guerra no Irã recoloca Estreito de Ormuz no centro da crise
As Forças Armadas do Irã afirmaram em comunicado que o estreito havia “retornado ao seu estado anterior”, condicionando esse cenário ao fim do bloqueio dos portos iranianos pelos Estados Unidos.
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A nova posição foi divulgada no mesmo dia em que autoridades iranianas e o presidente Donald Trump haviam ampliado a esperança de um possível encerramento da guerra ao anunciarem a reabertura da passagem marítima.
Ainda no sábado, a organização UK MARTO, administrada pela Marinha Britânica, informou ter recebido um relato de que embarcações da Guarda Revolucionária do Irã dispararam contra um petroleiro no Estreito de Ormuz.
O capitão reportou que a tripulação estava em segurança, enquanto a TankerTrackers.Com declarou que duas embarcações que navegavam pelo estreito foram forçadas a retornar.
Conflito no Líbano amplia pressão paralela à guerra no Irã
No sul do Líbano, um soldado de paz da ONU morreu e outros três ficaram feridos no sábado após uma patrulha da UNIFIL ser atacada por “atores não estatais”. Emmanuel Macron identificou o militar morto como Florian Montorio, cidadão francês, e apontou a possibilidade de envolvimento do Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã que Israel combate no território libanês.
O episódio se soma a uma sequência de ataques contra a força de paz durante a guerra. No mês passado, três soldados da ONU morreram em incidentes separados, incluindo um caso atribuído preliminarmente a disparos de um tanque israelense, enquanto o presidente libanês, Joseph Aoun, condenou o novo ataque e atribuiu a ação a homens armados não identificados.
Mesmo após mais de um dia de cessar-fogo no Líbano, as forças israelenses afirmaram que seguiram atirando contra militantes que se aproximaram de suas linhas, sob a alegação de violação da trégua. Israel também manteve disparos de artilharia e demolições, e o ministro da Defesa, Israel Katz, prometeu arrasar amplas áreas do sul libanês como parte de uma ocupação por tempo indeterminado.
Retorno de moradores e reabertura de aeroportos marcam o sábado
No sábado, um grande número de moradores continuou retornando ao sul do Líbano, mais de um dia depois do cessar-fogo que interrompeu os ataques aéreos israelenses contra o Hezbollah. Perto de Sidon, ao sul de Beirute, o tráfego em direção ao sul permaneceu intenso, enquanto os habitantes voltavam para avaliar a destruição em casas e vilarejos.
O cenário descrito no interior montanhoso do sul libanês é de devastação espalhada por vilarejos cheios de destroços da guerra. Carros queimados, lojas e apartamentos destruídos dividem espaço com moradores limpando cacos de vidro, reparando fios elétricos caídos e retirando escombros das vias com mangueiras de incêndio.
No Irã, outro desdobramento importante deste sábado foi a reabertura de seis aeroportos e a preparação das companhias aéreas para retomar voos domésticos e internacionais. Foram reabertos os dois principais aeroportos de Teerã e os terminais de Mashhad, Birjand, Gorgan e Zahedan, após o fechamento do espaço aéreo provocado pelo início dos ataques aéreos conjuntos entre Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro.
A Organização de Aviação Civil iraniana já havia informado no começo do sábado que parte do espaço aéreo do país e alguns aeroportos tinham sido reabertos. Com o Estreito de Ormuz novamente sob rígido controle iraniano, a reativação parcial da estrutura aérea ocorre em paralelo a um quadro ainda instável da guerra no Irã.
Com info de NYtimes.
