Uma viagem de milhares de quilômetros em um pequeno avião experimental reuniu travessias oceânicas, desafios técnicos, autorizações internacionais e o retorno a Oshkosh, ponto que marcou o fechamento geográfico da rota ao redor do planeta.
O pouso de um pequeno avião brasileiro em Oshkosh, nos Estados Unidos, fechou um círculo iniciado meses antes e atravessou uma distância que normalmente exige aeronaves maiores, equipes numerosas e ampla estrutura de apoio.
Em 21 de julho de 2026, o piloto e empresário cearense Alexandre Frota, conhecido como Alex Bacana, voltou à cidade norte-americana a bordo do RV-10 de matrícula PT-ZRQ.
Como Oshkosh já havia sido visitada no começo da expedição, o novo pouso marcou o fechamento geográfico da rota ao redor do planeta.
-
Com quatro filhos para levar à escola e dois carros quebrados, pintor de 68 anos transforma uma cama beliche em chassi, junta motor, câmbio, portas e teto de ferro-velho e constrói veículo próprio, mas falta de licença coloca criação sob risco de apreensão
-
Adeus máquina de lavar tradicional: Philco surpreende com versão 2 em 1 de 11 kg que lava, seca, esteriliza e desodoriza, reúne 16 programas, motor Inverter Plus, ciclo antialérgico em alta temperatura, função para adicionar roupas durante a lavagem e operação silenciosa com menos vibração
-
Sem remédios, sem cirurgias e sem eletrodos implantados no cérebro, cientistas sul-coreanos testaram uma lente de contato comum em ratos com depressão, e depois de 30 minutos de uso por dia durante três semanas, os sintomas desapareceram por completo
-
Empresário reforma prédio de 115 anos para abrir um bar em pequena cidade dos Estados Unidos, percebe cores surgindo sob o reboco e encontra dois murais de 18 metros escondidos havia mais de um século, com lago, cabanas e árvores pintados para um antigo cinema em 1915
A viagem passou por América, Europa, África, Ásia e Oceania.
O projeto Frotas pelo Mundo apresenta o feito como a primeira volta ao mundo realizada por um brasileiro sozinho em um avião monomotor experimental, embora não tenha sido localizada uma homologação independente de recorde que confirme essa classificação.
A chegada a Oshkosh não representou o encerramento completo da expedição.
Frota ainda planejava seguir dos Estados Unidos para a América do Sul e terminar o itinerário em Fortaleza, ponto de partida da jornada, após passar por outras cidades do continente.
O que terminou em território norte-americano foi o circuito que começou na primeira passagem por Oshkosh.
Ao alcançar novamente o mesmo ponto depois de avançar para leste por diferentes continentes, o piloto fechou a linha principal da circum-navegação descrita pelo projeto.
Viagem de Alexandre Frota começou em Fortaleza
Frota decolou de Fortaleza em 15 de março de 2026, quando tinha 52 anos.
O planejamento divulgado antes da partida previa aproximadamente 74 mil quilômetros, passagem por 45 países e cerca de 150 dias de viagem até o retorno ao Brasil.
A rota incluiu escalas no Caribe, nos Estados Unidos, no Canadá e na Groenlândia antes da travessia pelo Atlântico Norte.
Depois, o RV-10 passou pela Islândia, pelo Reino Unido, pela Europa continental, pelo norte da África, pelo Oriente Médio e pela Ásia.
Na sequência, o avião alcançou a Oceania e iniciou o retorno pelo extremo leste da Ásia, pela Rússia, pelo Alasca e pelo Canadá.
O reencontro com Oshkosh ocorreu após cerca de quatro meses de deslocamentos, escalas técnicas e mudanças determinadas pelas condições de cada trecho.
As estimativas de distância e número de países foram divulgadas pela organização do Frotas pelo Mundo antes e durante a viagem.
Por que o RV-10 é classificado como avião experimental
O termo “experimental” pode causar a impressão de que a aeronave ainda está em fase inicial de testes.
Nesse caso, porém, a classificação está relacionada principalmente à forma como o avião foi construído e registrado.
O RV-10 é comercializado pela fabricante norte-americana Van’s Aircraft como um avião montado a partir de um kit.
O construtor reúne fuselagem, asas, comandos, motor, hélice, sistemas elétricos e instrumentos, seguindo um projeto técnico previamente desenvolvido.
Depois da montagem, a aeronave precisa passar por inspeções, documentação e ensaios de voo antes de receber autorização operacional.
A categoria permite maior personalização de equipamentos e sistemas, mas continua submetida a regras de aeronavegabilidade e manutenção.
Na configuração divulgada pela fabricante, o RV-10 possui quatro assentos e pode utilizar motores de 235 a 260 cavalos de potência.
O modelo tem capacidade padrão para 60 galões norte-americanos de combustível e velocidade de cruzeiro próxima de 200 milhas por hora, dependendo do motor, do peso e das condições do voo.
Para a expedição, o PT-ZRQ recebeu preparação voltada a percursos de longa distância.
As informações publicadas antes da partida mencionaram tanques adicionais, instrumentos redundantes, sistemas alternativos de navegação, comunicação via satélite e equipamentos de sobrevivência para travessias sobre oceanos e regiões isoladas.
Essas adaptações são importantes porque uma volta ao mundo em um monomotor impõe limitações diferentes das encontradas em aeronaves comerciais.
O piloto precisa calcular combustível, vento, peso, aeroportos alternativos e condições meteorológicas para cada trecho, além de considerar a disponibilidade de manutenção fora do país de origem.
Meteorologia e autorizações mudaram a rota
Ao longo da viagem, Frota encontrou condições meteorológicas adversas, áreas de frio intenso e risco de formação de gelo na aeronave.
Durante a passagem pelo Canadá, ele aguardou uma condição adequada antes de iniciar os voos sobre o Atlântico Norte.

A formação de gelo ocorre quando gotículas de água super-resfriadas se acumulam em partes do avião.
Esse material pode alterar o formato das asas, aumentar o peso e reduzir a sustentação, o que transforma o fenômeno em um risco para aeronaves que não possuem sistemas adequados para operar nessas condições.
Problemas técnicos também foram registrados durante a jornada.
Reportagens sobre o projeto mencionaram vazamento de combustível em voos pela região do Mediterrâneo e uma falha enfrentada no trecho em direção à Índia.
Em outras etapas, o piloto relatou interferências ou limitações no sinal de GPS, dificuldades de comunicação e obstáculos para conseguir autorizações de sobrevoo e pouso.
A entrada na Rússia, por exemplo, dependeu de negociações e alterações no planejamento original.
Cada país possui regras próprias para a entrada de aeronaves estrangeiras.
Além de documentos do piloto e do avião, podem ser exigidos seguros, planos de voo, permissões diplomáticas, contratação de empresas de apoio e comprovação de que o aeroporto escolhido aceita aquele tipo de operação.
No caso de um avião da categoria experimental, as exigências podem variar ainda mais.
Uma autorização aceita em determinado território não significa que o voo estará automaticamente liberado no país seguinte.
Oshkosh recebeu o RV-10 durante o AirVenture
O retorno a Oshkosh coincidiu com o EAA AirVenture 2026, realizado entre 20 e 26 de julho no Aeroporto Regional de Wittman, no estado norte-americano de Wisconsin.
Organizado pela Experimental Aircraft Association, o encontro reúne aeronaves experimentais, modelos históricos, aviões militares, ultraleves, fabricantes e demonstrações aéreas.
Em edições anteriores, mais de 10 mil aeronaves chegaram a Oshkosh e a aeroportos próximos durante o período do evento.
Em 2025, a organização registrou cerca de 704 mil visitantes, 2.543 aviões em exposição e mais de 16 mil operações no aeroporto ao longo de 11 dias.
A presença do RV-10 no encontro também cria uma ligação direta com a origem do modelo.
O AirVenture é um dos principais eventos internacionais dedicados a aviões montados por construtores amadores e à chamada aviação experimental, categoria à qual pertence o PT-ZRQ.
O local já havia entrado no itinerário durante a travessia inicial pelos Estados Unidos.
Ao retornar ao mesmo ponto em julho, depois de passar pelos outros continentes, Frota pôde considerar fechado o circuito global, mesmo com o trecho final até Fortaleza ainda pendente.
Projeto Frotas pelo Mundo virou série de vídeos
As diferentes etapas foram registradas por câmeras instaladas no avião, celular, drone e óculos com câmera.
O material foi enviado a uma equipe responsável pela edição de uma série publicada no canal Frotas pelo Mundo.
Os episódios mostram desde a passagem pelo Caribe até travessias em regiões de frio intenso, escalas para manutenção e dificuldades encontradas em aeroportos estrangeiros.
Parte dos acontecimentos também foi compartilhada nos stories do perfil do projeto no Instagram e preservada nos destaques.
A cobertura diária ajuda a reconstruir a rota, mas também representa a principal fonte de parte das informações sobre imprevistos, distâncias e desafios operacionais.
Por esse motivo, relatos pessoais do piloto devem ser identificados como informações divulgadas pelo próprio projeto quando não houver confirmação documental ou independente.

