Retorno dos guarás movimenta o ecoturismo e reforça a proteção dos manguezais na Baía de Guaratuba
Após cerca de 80 anos de ausência, o guará (Eudocimus ruber) voltou a ser visto em grande número na Baía de Guaratuba, no litoral do Paraná, aquecendo o turismo ambiental e fortalecendo ações de educação e conservação. Segundo reportagem do Terra da Gente (G1), a revoada no fim da tarde virou atração para visitantes e motor de renda para atividades locais. O movimento tem sido acompanhado por pesquisadores e organizações da região.
A presença do guará é apontada por especialistas como um indicador positivo da qualidade ambiental dos manguezais e áreas estuarinas. De acordo com Edgar Fernandez, pesquisador do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC), a espécie depende diretamente desses ambientes para alimentação, abrigo e descanso. Essa sensibilidade torna a ave um termômetro natural do estado dos ecossistemas costeiros.
Com a retomada da espécie, o Instituto Guaju promoveu, em parceria com outros órgãos, um curso de formação de condutores locais para qualificar profissionais de ecoturismo, pesca esportiva e observação de aves. A meta é estruturar uma oferta responsável, que gere trabalho e renda sem pressionar a fauna. O fotógrafo de natureza Bruno Carlesse destaca que a observação de guarás funciona também como ferramenta de sensibilização ambiental.
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O interesse do público cresce especialmente no fim da tarde, quando o bando se reúne em uma ilha utilizada como dormitório. O período de maior concentração ocorre entre abril e outubro, ainda que a observação seja possível durante todo o ano. Para fazer o passeio, a orientação é buscar guias e instituições especializadas.
Retorno do guará, indicador ambiental e identidade de Guaratuba
Redescoberto na região em 2008, o guará retomou gradualmente espaço nos manguezais de Guaratuba. Entre 2017 e 2018, foi feito o registro sistemático da ilha dormitório, passo que consolidou o monitoramento e a pesquisa contínua. Segundo o LEC e o Instituto Guaju, o guará tem sido tratado como espécie guarda-chuva, protegendo, por extensão, os ecossistemas estuarinos que compartilha com outras aves.
O retorno também resgata a identidade local. O guará é a ave símbolo do município e está ligado ao próprio nome de Guaratuba. A presença da espécie reforça o valor do manguezal como berçário de vida marinha e como ativo natural que, se bem manejado, apoia um turismo de baixo impacto e de alta relevância educativa.
Formação de condutores e oportunidades no ecoturismo
Para organizar a demanda e evitar pressão sobre a natureza, o Instituto Guaju estruturou um curso de condutores locais com foco em boas práticas. Segundo a entidade e pesquisadores citados pelo Terra da Gente (G1), a qualificação tem como objetivos a segurança, a interpretação ambiental e a experiência responsável. Isso ajuda a criar um padrão de visitação que respeita horários de repouso e áreas sensíveis.
Ao valorizar a cultura caiçara e o turismo de base comunitária, a formação amplia a geração de renda para barqueiros, guias e pequenos empreendimentos. Como reforça Edgar Fernandez (LEC), fortalecer as atividades sustentáveis protege os guarás e os manguezais, essenciais para o equilíbrio da Baía de Guaratuba. É uma agenda que alia conservação e desenvolvimento local.
Participante da formação, o fotógrafo Bruno Carlesse avalia que o roteiro de observação dos guarás vai além do passeio. A experiência da revoada no fim de tarde emociona, mas também informa sobre a importância dos estuários e dos mangues, criando um ciclo virtuoso de conhecimento e apoio à preservação. Esse engajamento tende a refletir em práticas mais responsáveis por parte dos visitantes.
No curto prazo, a profissionalização dos serviços ajuda a organizar a oferta e a evitar improvisos que possam causar estresse à fauna. No médio prazo, consolida um posicionamento de ecoturismo de qualidade, elevando a atratividade do destino e distribuindo benefícios econômicos de maneira mais ampla.
Censo da espécie, reprodução e melhor época de observação
Para compreender a dinâmica da população, o Projeto Guará realiza censos periódicos. O levantamento mais recente citado pelo Terra da Gente (G1) aponta que a baía abriga mais de 4 mil indivíduos, tornando Guaratuba um dos principais sítios da ave no litoral Sul do país. Esses números reforçam o potencial da região para a observação de aves.
Apesar da abundância, ainda há lacunas sobre a reprodução no Paraná. Segundo Edgar Fernandez (LEC), não há registros consolidados de colônias reprodutivas no litoral paranaense. As áreas ativas mais próximas ficam na Baía da Babitonga (SC) e em estuários de São Paulo, o que indica deslocamentos sazonais.
A observação é possível o ano todo, mas a maior concentração ocorre entre abril e outubro. Entre novembro e fevereiro, parte do bando se desloca para reprodução em outras áreas, reduzindo o número de aves na baía. Para minimizar impactos, a recomendação é contratar guias especializados e respeitar distâncias e horários de descanso, especialmente no fim da tarde e início da noite.
O retorno dos guarás a Guaratuba reabre um debate necessário sobre limites e oportunidades do turismo de natureza. Na sua opinião, o município deve ampliar o acesso para fortalecer a economia local ou reforçar restrições para priorizar a conservação absoluta dos manguezais? Deixe seu comentário e participe da conversa com propostas de equilíbrio entre receita e proteção ambiental.

Eu vi um bando perto do meu terreno no bairro Palmeiras em Guaratuba não sabia que espécie eram , agora com a matéria fiquei felicíssima pq eu acho lindo a preservação dos manguezais estou perto deles e quero ajudar, no meu terreno vou preservar as árvores , mas acho que falta mta educação sobre o lixo …as pessoas deveriam se preocupar mais 😁
Maravilha da natureza, lamento não ver pessoalmente. Lindo demais