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Greening dos citros: a doença que está matando laranjeiras na Flórida, deixa a fruta menor e mais verde, derruba a colheita e faz os produtores gastarem muito mais para tentar salvar os pomares

Escrito por Carla Teles
Publicado em 01/02/2026 às 14:31
Atualizado em 01/02/2026 às 14:32
Assista o vídeoGreening dos citros a doença que está matando laranjeiras na Flórida, deixa a fruta menor e mais verde, derruba a colheita e faz os produtores gastarem muito mais
Crise na laranja da Flórida: greening dos citros HLB derruba suco de laranja, aperta produtores de laranja e ameaça o futuro da indústria.
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Após uma sequência de furacões em 2024 e a disseminação da doença HLB, a laranja da Flórida vive a pior crise em quase um século, com quebra de 90% na produção, dezenas de bilhões de dólares em perdas e milhares de produtores deixando o setor.

A indústria da laranja da Flórida está encolhendo diante dos olhos de quem vive dos pomares. Enquanto árvores são derrubadas por tempestades, o verdadeiro inimigo é minúsculo: um inseto que carrega a bactéria do greening dos citros, transforma frutos em laranjas pequenas, verdes e sem açúcar e, com o tempo, mata as plantas. No meio desse cenário, cientistas e agricultores tentam ganhar tempo com argila protetora, capas refletoras, manejo intensivo de solo e cruzamentos para criar variedades mais resistentes, na esperança de salvar o que ainda resta.

Como a laranja da Flórida virou sinônimo de crise

Por muito tempo, a laranja da Flórida foi símbolo de abundância. Famílias como a de Larry, agricultor de quinta geração em Fort Meade, cultivam citros desde a década de 1850.

Quando ele começou na indústria, os pomares ocupavam mais de 900 mil acres no estado, e em muitos anos havia laranja demais, com preços pressionados para baixo.

Há apenas cerca de 15 anos, a família embalava milhões de caixas de laranjas Valência por ano, grandes, doces e suculentas, plantadas com a expectativa de durar gerações.

Geadas e furacões já tinham causado prejuízos no passado, mas nada se compara ao impacto do greening dos citros, que Larry classifica como o desafio mais difícil de toda a sua carreira.

A sequência de furacõeTsunamis, terremotos devastadores e furacões: as 4 maiores tragédias naturais que mudaram o mundo, segundo a National Geographics de 2024 derrubou árvores e arrancou frutos, atingindo uma produção que já vinha fragilizada pela doença.

A combinação de tempestades e HLB empurrou a laranja da Flórida para uma temporada que caminha para ser a pior em quase um século, com pomares vazios onde antes se via um tapete contínuo de árvores verdes.

O que é o greening HLB e por que ele está matando os pomares

Crise na laranja da Flórida: greening dos citros HLB derruba suco de laranja, aperta produtores de laranja e ameaça o futuro da indústria.

O greening dos citros, conhecido como HLB, foi descrito pela primeira vez longe da Flórida. O primeiro caso foi relatado em 1918, na China, e a doença logo se espalhou pela Ásia, devastando pomares na Índia e na Arábia Saudita. Muito tempo depois, ela apareceu na rota da laranja da Flórida.

Em 1998, o problema foi identificado em uma planta de jasmim laranja em um quintal no condado de Palm Beach.

A bactéria se espalhou em porta-enxertos e mudas, cruzou o estado quase sem ser percebida e levou sete anos para mostrar sinais em laranjeiras de produção.

Em 2005, Larry encontrou sua primeira árvore infectada e percebeu que havia algo maior em curso. Ele sabia que, se aquela doença se estabelecesse, poderia destruir sua operação.

O inseto transmissor mastiga as folhas e injeta a bactéria no tecido vascular da planta. A bactéria entope os canais que transportam água e nutrientes, enfraquece as raízes e promove um amarelecimento irregular da copa. Se é possível enxergar o técnico através da copa de uma árvore cítrica, significa que aquela planta está muito doente.

Mesmo assim, as árvores continuam produzindo laranjas por alguns anos, mas não como antes. Os frutos ficam pequenos, permanecem verdes, possuem formato estranho e amadurecem mal.

Boa parte das laranjas cai antes da hora, em torno de 40%, e o suco extraído tem menos açúcar do que o normal. O sabor continua sendo de suco de laranja, mas não com a doçura que o consumidor espera. Com o passar do tempo, a árvore entra em declínio e morre.

Hoje, pesquisadores estimam que cerca de 90% das laranjeiras da Flórida estejam infectadas pela bactéria. Já não se vê mais a laranja da Flórida dominando a paisagem como antes, e a presença da doença passou a ser a regra, não a exceção.

As estratégias de sobrevivência para manter a laranja da Flórida viva

Quando o HLB começou a aparecer com força, muitos produtores tentaram arrancar todas as árvores doentes, na expectativa de frear a doença.

Larry seguiu esse caminho no início, mas logo percebeu que o inseto se movia muito mais rápido do que qualquer equipe de campo. Em pouco tempo, havia tantas plantas infectadas que essa estratégia se tornou inviável.

A virada veio com o apoio de pesquisadores da Universidade da Flórida. Em vez de falar em erradicar o HLB, eles passaram a focar em maneiras de manter a laranja da Flórida viva e produtiva mesmo sob infecção.

A ideia é conviver com a doença e tirar o máximo possível de cada árvore antes que ela chegue ao fim da linha.

Uma das cientistas, Lauren, estuda o inseto transmissor. Ela usa um pequeno aspirador manual para capturar os vetores nas copas e entender o que os atrai ou repele. Dessa pesquisa surgiram duas ferramentas importantes.

A primeira é uma argila rosada aplicada nas folhas, que altera a forma como a luz é refletida e “esconde” as folhas do olhar do inseto, reduzindo sua capacidade de localizar a planta. Um estudo mostrou que essa argila pode ser mais eficaz que alguns inseticidas.

A segunda ferramenta é uma cobertura plástica refletora instalada no chão dos pomares. Essa manta muda a maneira como a luz incide sobre as árvores e confunde o inseto na hora de encontrar seu hospedeiro, funcionando como uma barreira visual.

Outra frente importante são as capas de malha protetora, usadas em torno de árvores jovens. Essas capas permitem passagem de vento, sol e chuva, mas bloqueiam o acesso do inseto durante os primeiros anos de desenvolvimento.

As mudas de laranja da Flórida crescem mais fortes dentro desses “túneis” e saem para o campo com melhor chance de resistir quando forem expostas ao ambiente.

No solo, a atenção é comandada pela agrônoma Trippy Vashish. Ela observou que, com raízes atrofiadas pelo HLB, as laranjeiras ficam menos eficientes em absorver nutrientes.

A resposta foi reduzir a dose de fertilizante e água e aumentar a frequência das aplicações, como se fosse dividir três grandes refeições em seis pequenas por dia. Dessa forma, as raízes doentes conseguem aproveitar melhor o que recebem.

Larry incorporou esse manejo, usa fertilizantes formulados especialmente para suas áreas e mudou até a forma de plantar. Antes, eram em torno de 140 a 150 árvores por acre.

Agora, ele trabalha com densidades em torno de 300 árvores por acre. Se praticamente todas as plantas de laranja da Flórida vão se infectar em algum momento, a lógica é ter mais árvores por área para garantir um volume mínimo de produção, mesmo com perdas consideráveis.

Além disso, muitos produtores testaram a liberação de vespas predadoras do inseto transmissor e continuaram utilizando inseticidas em momentos específicos.

Não existe uma única solução capaz de resolver tudo, mas a combinação de argila, capas, manejo de solo, densidade maior de plantio e controle biológico tem permitido desacelerar o declínio e manter a indústria operando em modo de sobrevivência.

Fábricas esvaziadas e contas no vermelho

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O esforço para manter a laranja da Flórida em pé tem um custo alto. As medidas contra o greening somam cerca de 600 dólares a mais por acre em despesas de produção.

Ao mesmo tempo, a quantidade de fruta por árvore caiu de maneira drástica. Em muitas propriedades, a receita por área despencou pela metade ou mais.

Os produtores passaram a perder dinheiro ano após ano, e muitos não conseguiram absorver esse prejuízo.

No começo de 2022, cerca de metade dos produtores de laranja da Flórida já havia abandonado o setor. Larry continua plantando, mas sabe que está assumindo riscos pesados para manter viva a tradição da família e para garantir que, mesmo em volume menor, ainda exista suco de laranja vindo dos pomares do estado.

A crise também aparece com clareza dentro das fábricas. Larry é um dos donos de uma indústria de suco natural em Lake Wales, organizada em forma de cooperativa entre produtores.

Por ali, cerca de 90% da fruta colhida no estado passa a ser destinada à produção de suco, não para consumo in natura.

Com a queda do volume, a fábrica teve que fechar uma de suas três linhas de processamento. Hoje, cerca de 60 mil caixas de laranja chegam por dia, algo em torno de 30 mil a menos do que antes da disseminação do HLB.

Menos laranja significa menos eficiência, mais custo fixo por litro de suco e menor capacidade de atender ao mercado.

O processo de transformação da fruta em suco continua essencialmente o mesmo. Em até 24 horas após a colheita, as laranjas são levadas para a fábrica, lavadas, avaliadas por câmeras digitais, classificadas por cor, espremidas, pasteurizadas e embaladas.

Mas a doença alterou o ponto de partida. O greening derruba o teor de açúcar natural, e o suco das laranjas infectadas é menos doce.

Para manter um sabor reconhecível de laranja da Flórida, a cooperativa mistura lotes infectados com laranjas mais doces de outras regiões ou períodos da safra, ajustando o produto final.

A aposta em novas variedades para salvar a laranja da Flórida

Enquanto o dia a dia se organiza em torno de estratégias de contenção, muitos pesquisadores olham para a frente.

A expectativa de longo prazo é que a saída verdadeira para a laranja da Flórida passe por árvores capazes de resistir ao HLB.

Esse é o foco do trabalho de Fred Gitter e sua equipe na Universidade da Flórida. Eles tentam desenvolver uma variedade de laranja resistente à doença, que possa conviver com a bactéria sem apresentar sintomas graves.

O caminho é cruzar árvores com fruto de boa qualidade com parentes cítricos que apresentem resistência natural e testar as “árvores filhas” em busca de combinações que unam sabor e tolerância.

Fred define essa variedade resistente como o “Santo Graal” da pesquisa em greening dos citros. Encontrar o conjunto certo de genes é um desafio enorme. É como procurar uma agulha em um palheiro. Criar, testar, selecionar e multiplicar uma nova laranja da Flórida resistente pode levar mais de uma década, sem garantia de resultados imediatos.

Mesmo assim, a aposta é que uma árvore resistente ou altamente tolerante seja a base para reconstruir o setor. Em um mundo interconectado, no qual pragas e doenças atravessam fronteiras com facilidade, ter uma base genética mais forte não serve apenas para enfrentar o HLB, mas também para encarar doenças futuras que ainda nem apareceram.

Um futuro em aberto para a laranja da Flórida

Hoje, ninguém duvida de que o greening dos citros veio para ficar. A laranja da Flórida não desapareceu, mas existe num contexto em que cada caixa colhida resulta de manejo intenso, investimento alto e muita resiliência.

Agricultores, técnicos e pesquisadores sabem que não estão correndo uma prova curta, e sim uma maratona com etapas difíceis.

Enquanto a ciência busca uma laranja resistente e as estratégias atuais tentam ganhar tempo, o que está em jogo não é só uma bebida no café da manhã, mas o sustento de famílias que dependem dos pomares há gerações.

Na sua opinião, a laranja da Flórida ainda consegue se reinventar com variedades resistentes e manejo mais sofisticado ou essa crise marca o início de uma mudança definitiva no mapa mundial da produção de suco de laranja?

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Aloísio Rodrigues do Nascimento
Aloísio Rodrigues do Nascimento
07/02/2026 14:56

Eu sou Sergipano da cidade Lagarto região do agreste, já várias matérias sobre essa doença vêm dissimando a cultura da laranja, na minha opinião os grandes líderes mundiais só tocam em taxas do produto, não dá a divida severa grave dessa doença. Só uma pergunta sem crítica dos governantes do nosso país. Porque o Estado de São Paulo atravessa fronteiras com essa doença e Sergipe,Bahia e outros da nossa região não temos essa doença e o preço da laranja $2.000,00 a tonelada caiu para $ 200,00 a tonelada nós precisamos de uma já e contundente das autoridades do nosso país. Ou tão brincando com os agricultores do nordeste, que somos homens iguais a vcs. através desse meu desabafo, queremos uma resposta urgentes das nossas autoridades. um abraços a todos agricultores do nosso país gigante.

Joao carlos pessatto
Joao carlos pessatto
02/02/2026 12:34

Pesquisador brasileiro do nordeste e amazonia logo descobrem.

Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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