A Afagá nasceu com brigadeiros vendidos nas ruas da Zona Norte, cresceu com o trabalho dividido entre três fundadores e projetava alcançar R$ 2 milhões em 2025 após conquistar clientes famosos e transformar um bolo pouco procurado no principal produto da confeitaria.
Expulso de lojas enquanto vendia doces como ambulante no Rio de Janeiro, Matheus Duarte continuou percorrendo as ruas com uma bolsa térmica. A confeitaria Afagá, criada em 2017 com sua prima, Jessica Veras, e a amiga de infância Thayanini Magalhães, começou com brigadeiros feitos na casa dos pais dele.
A informação foi publicada pela Time Out Rio de Janeiro, publicação dedicada a notícias e atrações da cidade. O negócio faturou R$ 1,25 milhão em 2024 e trabalhava com a meta de chegar a R$ 2 milhões em 2025.
O valor de R$ 2 milhões representava uma projeção apresentada em 2 de setembro de 2025, e não um resultado confirmado. A trajetória também reservou outra virada: o bolo de caramelo salgado, que vendia pouco nas ruas, tornou-se o produto mais procurado da marca.
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Da rua para a vitrine, a Afagá começou com brigadeiros vendidos em diferentes bairros do Rio de Janeiro
Matheus, criado na Penha, vendia os produtos na região da Rua Visconde de Pirajá, em Ipanema. Thayanini atendia clientes na Fundação Oswaldo Cruz, conhecida como Fiocruz, em Manguinhos. Enquanto os dois percorriam as ruas, Jessica cuidava da produção dos doces.
Matheus resumiu aquela fase em uma frase: “Fui expulso de lojas e vi conhecidos mudando de calçada para não toparem comigo”. O relato mostra que a dificuldade não estava apenas nas vendas baixas. O grupo também enfrentava preconceito contra o trabalho ambulante.

Nos primeiros anos, o faturamento semanal às vezes não passava de R$ 150, valor suficiente apenas para cobrir parte da matéria prima. “De 2017 a 2020, ainda dependíamos dos nossos pais até para comprar desodorante”, contou Matheus. Toda a produção acontecia no apartamento dos pais dele, na Penha.
O bolo de caramelo salgado que quase não vendia nas ruas virou o principal produto da confeitaria
O trio ampliou o cardápio aos poucos. Depois dos brigadeiros, vieram bolos de pote, barras de chocolate, ovos de Páscoa e outros doces. Entre eles estava o bolo de caramelo salgado, que inicialmente despertava pouco interesse dos clientes.
A receita usada na Casa Afagá permaneceu igual àquela preparada durante o período das vendas ambulantes. Nas ruas, o bolo era colocado em potes e transportado dentro de uma bolsa térmica. Na loja, passou a ser servido em fatias.
“Vendia menos na época em que éramos ambulantes pelo preconceito das pessoas”, afirmou Duarte. O produto que encontrava resistência fora da loja acabou se transformando no campeão de vendas da Afagá, com a fatia oferecida por R$ 26 na época da publicação.
Faturamento chegou a R$ 1,25 milhão em 2024
A Time Out Rio de Janeiro, publicação dedicada a notícias e atrações da cidade, registrou a mudança entre os R$ 150 semanais do início e o faturamento de R$ 1,25 milhão em 2024.
Faturamento é o valor total obtido com as vendas antes do pagamento das despesas. Portanto, a cifra não representa o lucro dividido entre os proprietários. Os R$ 2 milhões anunciados para 2025 eram uma meta do negócio na data da reportagem.
A popularidade da marca cresceu durante a pandemia, quando a Afagá conquistou mais seguidores nas redes sociais. Camila Pitanga, Renata Sorrah e Paulo Betti tornaram-se clientes. A confeitaria também recebeu uma encomenda empresarial de 50 bolos, entregues separadamente nas casas dos funcionários.
Loja no Andaraí passou a receber filas com até 115 pessoas após começar a servir café da manhã
A Casa Afagá foi inaugurada em 2021, na Rua Uruguai, no Andaraí. Durante os primeiros seis meses, o endereço ainda não atendia o público presencialmente. O movimento aumentou quando a equipe começou a servir café da manhã.
“Nos primeiros domingos, para a nossa aflição, a fila de espera chegava a 115 pessoas”, recordou Matheus. O estabelecimento contava com 50 lugares e um cardápio que reunia doces, bebidas, ovos com bacon e outros pratos.
A equipe chegou a 18 pessoas, enquanto os três fundadores mantiveram funções diferentes. Matheus assumiu a comunicação, Thayanini ficou responsável pela parte contábil e Jessica permaneceu à frente da produção.
Primeira filial aparecia nos planos para 2026, seguida pela intenção de levar a Afagá para a Zona Sul
Em 2 de setembro de 2025, o plano dos fundadores previa a abertura da primeira filial em 2026. A unidade seria instalada no Taste Lab, uma praça gastronômica que estava sendo montada no Shopping Tijuca. A abertura aparecia como planejamento, e não como loja já inaugurada.

Depois da Tijuca, o trio pretendia avançar para a Zona Sul do Rio de Janeiro. A Casa Afagá também abastecia estabelecimentos como La Panata, Gato Café e The Coffee, levando seus produtos para outros pontos da cidade.
O crescimento ocorreu sem sócio investidor e sem empréstimos. Matheus, Jessica e Thayanini dividiram produção, vendas, administração e comunicação enquanto transformavam uma pequena operação familiar em uma confeitaria com equipe própria.
A mudança de escala não apaga as dificuldades enfrentadas durante os primeiros anos nas ruas
A trajetória da Afagá reuniu vendas ambulantes, faturamento semanal baixo, dependência financeira da família e episódios de preconceito. O avanço até a loja física aconteceu depois de anos de trabalho, mudanças no cardápio e uma divisão definida de responsabilidades.
O caso também mostra como um produto pode encontrar outro público quando muda de ambiente e apresentação. O bolo de caramelo salgado saiu da bolsa térmica, chegou à vitrine e virou o doce mais vendido da confeitaria.
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