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Governo sanciona MP 1.304 e veta mais de 10 dispositivos na reforma do setor elétrico

Escrito por Paulo H. S. Nogueira
Publicado em 25/11/2025 às 09:48
Atualizado em 25/11/2025 às 10:03
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Governo sanciona a MP com vetos que alteram o rumo da reforma e reforçam o debate sobre estabilidade regulatória

A Medida Provisória 1.304, voltada para a reforma do setor elétrico, entrou oficialmente em vigor depois de o governo sancionar o texto com mais de dez vetos. Segundo o Infomoney, o Palácio do Planalto decidiu barrar especialmente a proposta que mudaria o cálculo do preço de referência do petróleo. O Congresso defendia essa alteração para aumentar a arrecadação da União, enquanto o governo argumentou que a medida criaria insegurança regulatória e risco de judicialização.

Além disso, o Diário Oficial da União registrou que o presidente em exercício, Geraldo Alckmin, optou pelos vetos para proteger a modicidade tarifária. Assim, o governo buscou evitar aumentos indiretos nas contas de energia elétrica, o que reforça um posicionamento histórico em relação ao equilíbrio tarifário.

A reforma no contexto histórico do setor elétrico brasileiro

Historicamente, o setor elétrico do Brasil passou por várias mudanças profundas. Desde as privatizações dos anos 2000 até as revisões do marco regulatório da Eletrobras, o país tenta equilibrar expansão, previsibilidade e custos ao consumidor.

A MP 1.304 nasce justamente nesse cenário de transição. Segundo o Senado Federal, a medida tenta atualizar regras ultrapassadas e alinhar o setor às dinâmicas atuais de mercado, inovação, geração distribuída e fontes renováveis.

Além disso, a MP surge em um momento em que o país vive forte expansão das energias solar e eólica. Por isso, a modernização regulatória se tornou urgente para absorver essa nova realidade operacional. Assim, o governo defende que a MP cria mais estabilidade para investidores, embora muitos agentes façam críticas a alguns vetos.

Vetos mais relevantes do governo

O veto ao novo cálculo do petróleo

O governo rejeitou a mudança no cálculo do preço de referência do petróleo. Segundo o Infomoney, esse trecho buscava ampliar a arrecadação da União sobre campos de exploração.

Entretanto, o Ministério de Minas e Energia argumentou que essa mudança poderia gerar insegurança jurídica e comprometer investimentos de longo prazo. Assim, o Planalto decidiu vetar a proposta.

O veto às compensações por curtailment

Outro veto importante atingiu o dispositivo que previa compensações ampliadas para usinas que sofrem cortes de geração por fatores externos. Conforme divulgado pelo Times Brasil, o Planalto justificou que essa compensação repassaria custos elevados ao consumidor, o que aumentaria tarifas.

Além disso, o governo afirmou que o mecanismo, se aplicado sem limites claros, poderia estimular sobreoferta e distorções de mercado.

Justificativa do governo para os vetos

Em suas explicações, o governo argumenta que os trechos vetados poderiam gerar impactos indesejados:

  • A mudança no preço de referência do petróleo, segundo o ministro de Minas e Energia Alexandre Silveira, poderia afetar o planejamento de empresas como a Petrobras e trazer instabilidade para projetos de gás e petróleo.
  • Já sobre o ressarcimento por curtailment, o argumento é de que o mecanismo ampliado tornaria a conta de luz mais cara para o cidadão, pois repassaria custos elevados aos consumidores.
  • O governo também tem ressaltado o risco de estimular uma sobreoferta de energia se o modelo de compensação fosse mantido sem limites claros.

Reações políticas e do setor energético

As reações à sanção da MP 1.304 foram imediatas. Por um lado, entidades de municípios produtores de petróleo, como a Ompetro, defendiam a mudança no preço de referência, argumentando que isso traria mais recursos para estados e municípios. Por outro lado, o governo resistiu, alegando que a alteração poderia comprometer a estabilidade regulatória.

Além disso, a aprovação da MP pelo Congresso ocorreu de forma relativamente rápida: o texto original foi aprovado pelo Senado e pela Câmara, segundo a ABEGÁS, com o objetivo de alterar regras de mercado livre, comercialização e a remuneração de novas fontes de energia.

No entanto, os vetos impostas pelo governo reforçam que nem todas as propostas aprovadas no parlamento são vistas como equilibradas para consumidores e para a previsibilidade do setor.

Impactos para consumidores e para o mercado de energia

Para os consumidores, um dos riscos mais concretos era o aumento de tarifas. Se a compensação por cortes de geração fosse amplamente aplicada, muitos poderiam sofrer repasses nas contas de luz. O veto do governo foi lido como uma medida para proteger a modicidade tarifária.

Do ponto de vista das geradoras renováveis, o veto ao ressarcimento amplo pode ser uma notícia negativa, porque limita os mecanismos de compensação por perdas operacionais externas. Isso pode afetar as finanças de usinas eólicas e solares que enfrentaram cortes forçados.

Já para as empresas de petróleo e gás, o veto da mudança no preço de referência limita a arrecadação adicional da União, mas por outro lado preserva previsibilidade para investimentos em campos maduros e exploração futura.

O futuro da MP e os próximos passos

Com a sanção dos vetos, parte da reforma do setor elétrico foi mantida, mas outras propostas foram barradas. Agora, o texto sancionado passará a vigorar com as novas regras definidas, e medidas implementadas nos próximos anos deverão refletir esse equilíbrio político complexo.

Além disso, segundo fontes oficiais, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) terá papel importante em apurar os cortes de geração de energia para fins de ressarcimento.

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Também haverá definição sobre os encargos e a metodologia para compensação, para evitar nova instabilidade.

Por fim, o mercado acompanhará atentamente como esses vetos influenciarão o investimento em novas usinas, especialmente renováveis, e como isso afetará tarifas, geração e competitividade nos próximos anos.

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Paulo H. S. Nogueira

Sou Paulo Nogueira, formado em Eletrotécnica pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), com experiência prática no setor offshore, atuando em plataformas de petróleo, FPSOs e embarcações de apoio. Hoje, dedico-me exclusivamente à divulgação de notícias, análises e tendências do setor energético brasileiro, levando informações confiáveis e atualizadas sobre petróleo, gás, energias renováveis e transição energética.

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