Intervenção milionária mobiliza draga 24 horas, retira 379 mil m³ de areia a 10,5 km da costa e marca a quarta grande obra contra erosão em Balneário Piçarras, reacendendo debate sobre custo público e durabilidade do alargamento.
Balneário Piçarras, no Litoral Norte de Santa Catarina, iniciou uma nova etapa de alargamento da Praia Central para enfrentar a erosão costeira e ampliar a faixa de areia em cerca de dois quilômetros, no trecho entre os molhes que delimitam a orla, com previsão de depósito de 379.166,76 m³ de sedimentos.
O investimento divulgado durante a execução supera R$ 40 milhões e combina recursos do Fundo de Manutenção da Praia (Fumpra) com verba própria do município, enquanto documentos de licitação registraram valor estimado de R$ 38.288.895,54 para o serviço.
A obra ganhou ritmo de operação contínua, com trabalho dia e noite, e a prefeitura passou a comunicar um prazo de conclusão de até 60 dias, ainda que o planejamento do certame tenha trabalhado com limite máximo mais amplo em parte das divulgações públicas.
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Alargamento da Praia Central avança por trechos e altera rotina da orla
Diferentemente de intervenções menores, o projeto depende de uma cadeia logística em mar aberto, envolvendo dragagem, transporte e deposição controlada de areia, com interdições temporárias para permitir que cada trecho seja executado e, depois, reaberto ao público.

Segundo a prefeitura, os serviços avançam em segmentos de aproximadamente 300 metros, com tapumes e sinalização para separar máquinas e banhistas, estratégia pensada para reduzir conflitos em uma praia central que concentra comércio, moradores e turistas ao longo do ano.
Nas últimas semanas, a administração informou que a obra alcançou cerca de 30% de execução e que, em 20 dias de trabalho, aproximadamente 850 metros já haviam passado pelo processo de ampliação, com liberação progressiva conforme a finalização de cada área.
Draga 24h, jazida a 10,5 km e operação contínua em mar aberto
A operação é conduzida pela draga Amazone, citada na cobertura local como responsável por buscar sedimentos em uma jazida marítima e fazer viagens repetidas até a costa, mantendo o ciclo de retirada, transporte e descarga como base do cronograma acelerado.
De acordo com as informações divulgadas, a jazida fica a cerca de 10,5 quilômetros da Praia Central, nas proximidades da Ponta da Vigia, em Penha, o que exige rotas definidas e monitoramento constante para garantir que o material retirado e depositado siga parâmetros do licenciamento.
A prefeitura também relata que cada operação transporta aproximadamente 6 mil metros cúbicos de areia, com possibilidade de até quatro movimentos por dia, enquanto reforça que o sedimento precisa manter características compatíveis com a areia original da praia para evitar impactos indesejados.

No orçamento, há duas referências que aparecem lado a lado no debate público, porque nem sempre se fala do mesmo número: o aviso de licitação publicou o valor total estimado em R$ 38.288.895,54, e a execução vem sendo comunicada como investimento acima de R$ 40 milhões.
A contratação foi homologada com valor de R$ 38.280.000,00 em divulgações sobre o resultado do certame, e a diferença em relação ao montante acima de R$ 40 milhões costuma ser atribuída, em comunicados e coberturas, ao conjunto de custos e complementações informadas durante a obra.
Quarta intervenção reacende debate sobre erosão e custo público
A atual recomposição é tratada como a quarta grande intervenção na Praia Central, após ações registradas em 1998, 2008 e 2012, sequência que ajuda a explicar por que o tema reaparece com frequência sempre que ressacas e marés mais altas pressionam a orla urbanizada.
Essa repetição alimenta duas leituras simultâneas na cidade: de um lado, a obra é apresentada como medida de proteção à infraestrutura e de reorganização do uso turístico; por outro, reforça a discussão sobre custo público e a durabilidade real do alargamento.

Na comunicação oficial, o município passou a exibir câmeras ao vivo para acompanhar o avanço do serviço, com transmissão contínua, numa tentativa de ampliar a transparência sobre interdições, liberação de trechos e movimentação de equipamentos pesados ao longo da praia.
O secretário municipal de Obras, Arthur Ribeiro, afirmou ao ND Mais que “o avanço da obra já representa 30% do total previsto”, destacando eficiência de planejamento e execução, enquanto a prefeitura insiste que a operação contínua busca entregar o novo perfil da orla dentro do prazo divulgado.
Certificação ambiental e imagem turística em jogo
Além do debate sobre erosão, a intervenção ocorre em uma cidade que vem associando sua gestão costeira a certificações ambientais, com trechos de Balneário Piçarras reconhecidos pelo Programa Bandeira Azul na temporada 2025/2026, segundo registros do próprio programa.
Em divulgação local sobre o tema, a prefeitura e veículos regionais informaram que a certificação passou a abranger diferentes trechos ao longo da orla do município, incluindo a Praia Central, compondo a narrativa de que a qualidade de gestão e infraestrutura se tornou parte do posicionamento turístico.
No canteiro, os efeitos mais imediatos aparecem na rotina: áreas são fechadas para receber o material, nivelamento e acabamento, e depois liberadas, num vai e vem que tenta equilibrar a necessidade técnica da obra com a manutenção do uso público do principal cartão-postal.
Ao fim, o que sustenta o interesse e a controvérsia são os mesmos números que tornam a intervenção difícil de ignorar, com 379 mil m³ de areia previstos, jazida offshore a 10,5 km, draga operando em ciclo contínuo e custos que, na prática, colocam a engenharia costeira no centro da política local.
Quando as próximas ressacas testarem o novo desenho da Praia Central, o que vai pesar mais na percepção da cidade: a faixa de areia maior e a sensação de proteção da orla, ou a cobrança por resultados que dispensem uma nova rodada de investimento público?


Eu resolvo o problema .
Muito suspeito.
Tanto dinheiro gasto em algo tão insignificante
Causando impacto ambiental tremendo e os resultados serão desastrosos, qual foi a empresa que fez o estudo de impacto ambiental?