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Cidade brasileira que abriga única jazida de opala nobre do país tem pedras que exibem todas as cores do arco-íris e reservas com mais de 200 milhões de anos com apenas 10% exploradas

Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 25/11/2025 às 21:38
Opala nobre de Pedro II revela cores raras, impulsiona turismo, joalheria e pesquisa científica no Piauí, fortalecendo a economia local.
Opala nobre de Pedro II revela cores raras, impulsiona turismo, joalheria e pesquisa científica no Piauí, fortalecendo a economia local.
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Município piauiense abriga a única jazida de opala nobre do Brasil e transforma a rara pedra multicolorida em motor econômico, turístico e cultural, atraindo pesquisadores, artesãos e visitantes de várias partes do mundo.

No Norte do Piauí, o município de Pedro II abriga a única jazida de opala nobre em atividade no Brasil, com reservas formadas há cerca de 200 milhões de anos e ainda pouco exploradas.

As pedras, capazes de exibir todas as cores do arco-íris, tornaram-se base da economia local, impulsionam o turismo e ajudam a projetar a cidade internacionalmente, embora apenas cerca de 10% das reservas conhecidas tenham sido extraídas até agora.

Formação geológica e raridade da opala de Pedro II

A opala encontrada em Pedro II é considerada uma raridade geológica.

O geólogo Érico Gomes, professor-doutor do Instituto Federal do Piauí e coordenador do Arranjo Produtivo Local da opala, descreve a origem do mineral como um verdadeiro “capricho da natureza”.

Segundo ele, trata-se de uma combinação pouco comum de fatores geológicos em ambiente hidrotermal, responsável por conferir características singulares às pedras.

As opalas da região remontam ao período em que a área hoje ocupada pelo Norte do Piauí passava por intensos processos de alteração geológica.

Ao longo de milhões de anos, esse ambiente permitiu a formação de gemas com forte jogo de cores, reflexo da interação da luz com microestruturas internas do mineral.

O nome “opala” tem origem na palavra sânscrita upala, que significa pedra preciosa.

No caso de Pedro II, essa denominação ganhou peso simbólico: além do valor econômico, a gema se consolidou como elemento central da identidade local, associada tanto ao patrimônio natural quanto à cultura do município.

A descoberta da opala e o início da extração

A exploração de opala em Pedro II começou por volta da década de 1940.

De acordo com relatos preservados na cidade, um agricultor encontrou a pedra por acaso enquanto limpava um roçado entre a encosta da serra do Boi Morto e o vale do rio dos Matos.

Ao cavar o solo para o plantio, ele percebeu o brilho incomum de uma rocha.

A pedra foi retirada da terra e levada ao então prefeito, Lauro Cordeiro, que encaminhou o material para análise.

A confirmação de que se tratava de opala abriu caminho para os primeiros garimpos artesanais, que, com o tempo, acabaram estruturando uma nova atividade econômica no município.

Desde então, a opala piauiense passou a ser reconhecida como gema de alto valor.

A cidade passou a atrair compradores, lapidários, joalheiros e pesquisadores.

Hoje, as jazidas de Pedro II são citadas como as únicas de qualidade nobre no país, em um cenário mundial em que a mesma categoria de opala é encontrada, fora do Brasil, apenas na Austrália e na Etiópia.

Pesquisas e certificação da origem da opala

Para fortalecer a cadeia produtiva, o Arranjo Produtivo Local da opala reúne ações de pesquisa, capacitação e formalização.

O projeto é coordenado por Érico Gomes e pela professora Lilane de Araújo Mendes Brandão.

A iniciativa busca garantir sustentabilidade, rastreabilidade, qualidade e reconhecimento internacional para a opala de Pedro II.

Um dos trabalhos em andamento é o mapeamento detalhado dos garimpos.

O objetivo é compreender como as opalas se formaram e de que maneira se concentram nas rochas.

Essas informações permitem identificar novas áreas com potencial mineral e reavaliar garimpos desativados.

Outro eixo envolve ensaios químicos, mineralógicos e gemológicos.

Os estudos devem resultar em uma certificação de origem, chamada pelos pesquisadores de “DNA da opala”.

A certificação permitirá diferenciar o produto piauiense, evitar fraudes e agregar valor às joias produzidas na cidade.

Garimpo artesanal e produção de joias

A extração de opala em Pedro II ainda é marcada por forte presença de garimpos artesanais.

Aproximadamente 300 homens trabalham diretamente na mineração.

Outras cerca de 500 pessoas atuam na lapidação e na produção artesanal de joias.

A lapidação é considerada uma das etapas mais sensíveis da cadeia.

Lapidário desde 1987, Juscelino Araújo lembra que “as cores e o brilho costumam estar no interior da pedra”.

Ele explica que revelar a beleza do mineral exige experiência e precisão.

Segundo Juscelino, um único ângulo errado pode comprometer toda a peça.

Mesmo após décadas de extração, estimativas indicam que somente 10% das reservas conhecidas foram exploradas.

Esse dado reforça o grande potencial econômico ainda disponível.

Cores únicas que atraem designers e compradores

As opalas de Pedro II são reconhecidas pelo amplo espectro de cores.

A designer Áurea Amélia Brandão, diretora de criação da Opalas Pedro II, explica que cada gema apresenta um jogo cromático exclusivo.

Há variações de vermelho, verde, azul e lilás em combinações únicas.

Segundo ela, para produzir um par de brincos, é necessário dividir a mesma pedra para manter a harmonia das cores.

Áurea afirma que não precisa “convencer ninguém do valor da opala”, pois a gema já é conhecida e desejada internacionalmente.

Para a designer, o desafio é ampliar o reconhecimento de que o Piauí também é produtor dessa pedra preciosa.

Turismo impulsionado pela pedra preciosa

O impacto da opala em Pedro II ultrapassa a mineração e a joalheria.

Segundo o secretário de Turismo, Valdeci Teixeira de Castro, a pedra se tornou um marco para a cidade.

Inicialmente, pesquisadores, colecionadores e compradores eram o principal público interessado.

Com o tempo, turistas passaram a visitar também trilhas, mirantes e paisagens naturais da região.

Eventos locais geram aumento significativo nas vendas de joias e pedras lapidadas.

O secretário afirma que “a pedra preciosa tornou-se o grande cartão-postal”, ampliando a visibilidade de Pedro II.

A economia criativa também se fortaleceu.

Lojas especializadas, ateliês, oficinas e experiências turísticas ligadas à cadeia mineral se multiplicaram.

Políticas públicas, selo de origem e geoturismo

A Secretaria de Turismo do Piauí reconhece a opala como vetor estratégico de desenvolvimento.

A coordenadora de Políticas Públicas, Romilla Macêdo, afirma que a pedra integra os produtos prioritários das ações estaduais para o setor mineral e turístico.

O estado trabalha para conquistar um selo de origem, considerado essencial para ampliar exportações e consolidar a identidade regional.

O projeto está em desenvolvimento na Investe Piauí, agência de atração de investimentos.

O governo também investe em formação técnica, cursos profissionalizantes e criação de centros de lapidação e design de joias.

Além disso, cresce o interesse por roteiros de visitação a áreas de garimpo e pontos de relevância geológica.

Nesse cenário, ciência, turismo e tradição se encontram em torno da opala nobre.

A grande questão que se impõe agora é como transformar esse patrimônio mineral, ainda majoritariamente intocado, em mais desenvolvimento e qualidade de vida para a população de Pedro II nos próximos anos.

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Alisson Ficher

Jornalista formado desde 2017 e atuante na área desde 2015, com seis anos de experiência em revista impressa, passagens por canais de TV aberta e mais de 12 mil publicações online. Especialista em política, empregos, economia, cursos, entre outros temas e também editor do portal CPG. Registro profissional: 0087134/SP. Se você tiver alguma dúvida, quiser reportar um erro ou sugerir uma pauta sobre os temas tratados no site, entre em contato pelo e-mail: alisson.hficher@outlook.com. Não aceitamos currículos!

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