Governo prepara plano nacional para minerais críticos com incentivos do BNDES e emissão de debêntures, mirando industrialização e soberania energética
Segundo informações da Folha de São Paulo, o governo brasileiro trabalha em um plano nacional para minerais críticos que prevê incentivos às empresas do setor.
A ideia central é usar crédito subsidiado e novos instrumentos de financiamento para estimular a extração e o beneficiamento dos insumos.
O Brasil o guarda uma das maiores reservas de terras raras do planeta.
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O plano deve ser concluído ainda neste ano e ganha força diante do interesse dos Estados Unidos nesses minerais, fundamentais para setores como o bélico.
Esses elementos, fundamentais para a produção de superímãs, turbinas eólicas, motores de carros elétricos, semicondutores e equipamentos militares, são hoje dominados pela China, que concentra a maior parte da produção global.
Dependência e vulnerabilidade
Washington enxerga no Brasil uma oportunidade para reduzir sua dependência de Pequim. Atualmente, a China não apenas controla a extração como também domina o refino das terras raras, etapa em que os minerais ganham valor estratégico.
Isso coloca os EUA em posição vulnerável, sobretudo em um cenário de tensões comerciais e militares. Para o governo norte-americano, diversificar fornecedores é uma questão de segurança nacional.
Debêntures e BNDES em pauta
Segundo integrantes do governo, duas frentes estão em análise. A primeira seria permitir que empresas de extração emitam debêntures incentivadas.
A segunda prevê a criação de uma nova linha de empréstimos pelo BNDES.
Além disso, os mecanismos podem ser usados também por empresas que não atuam diretamente na extração, mas em outras etapas da cadeia de produção.
Dessa forma, o incentivo alcançaria mais atividades, ampliando o desenvolvimento tecnológico do setor.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, afirmou que agregar valor dentro das fronteiras nacionais é uma diretriz do plano.
Para ele, o país não deve ser apenas exportador de commodities.
Agenda de longo prazo
Embora o plano seja discutido desde o início do governo Lula 3, ainda não foi apresentado oficialmente. Mesmo assim, os minerais críticos já ocupam posição central na agenda de desenvolvimento.
O tema deve integrar os objetivos da estratégia nacional de longo prazo até 2050, que está em formulação pelo Ministério do Planejamento.
O governo defende que a atividade precisa ser sustentável, segura e inovadora, garantindo soberania e protagonismo na transição energética.
Demanda global crescente
O interesse internacional é impulsionado pela substituição dos combustíveis fósseis. Minerais como lítio, cobalto, níquel, grafite, nióbio, cobre, tântalo e urânio são essenciais para turbinas eólicas, baterias e veículos elétricos. Portanto, a demanda tende a crescer.
