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Cleitinho, governador eleito de Minas, vê a cidade dele perder mil empregos: a Gerdau desliga a produção de aço de Divinópolis, iniciada em 1994, e a prefeitura perde até 15% do ICMS

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Escrito por Paulo Nogueira Publicado em 04/11/2026 às 22:01 Atualizado em 04/11/2026 às 22:02
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A Gerdau confirmou nesta terça-feira (3) que vai encerrar a produção de aço na unidade de Divinópolis, no Centro-Oeste de Minas, onde opera desde 1994.

Segundo a prefeitura, a decisão atinge diretamente cerca de mil pessoas, entre empregados da siderúrgica e trabalhadores terceirizados que prestam serviço dentro da usina.

São pouco mais de 31 anos de aço na cidade.

Divinópolis é a cidade do governador eleito de Minas Gerais, Cleitinho Azevedo (Republicanos), o que levou o fechamento para o debate político no mesmo dia do anúncio.

O que a Gerdau anunciou.

Em nota, a maior produtora de aço do país disse que decidiu encerrar a produção siderúrgica em Divinópolis. A empresa não divulgou uma data para o desligamento completo dos equipamentos.

A prefeitura informou que recebeu a confirmação da companhia na manhã de terça-feira, depois que os próprios funcionários já tinham sido comunicados da decisão dentro da fábrica.

A administração municipal disse ainda que acompanhava o caso e mantinha contato com a empresa desde os primeiros sinais de que a unidade poderia fechar, segundo o Poder360.

Por que a usina vai parar.

A Gerdau atribui a decisão principalmente à perda de competitividade da operação, pela ausência de fornecimento de minério de ferro a custos competitivos, o que vem pressionando o custo de produção.

Segundo a nota, o quadro é agravado pelo avanço das importações de aço no mercado brasileiro e pelas condições desfavoráveis do mercado internacional para as exportações, historicamente importantes para a unidade.

A empresa afirma que a medida segue a estratégia de concentrar a produção de aço no Brasil em ativos mais competitivos, eficientes e com maior nível tecnológico, para garantir o negócio no longo prazo.

Caixa d'água com o logotipo e o nome da Gerdau pintados, entre árvores, na unidade de Divinópolis
Caixa d’água com a marca da Gerdau na unidade de Divinópolis (MG) (Reprodução/NC News)

Quantos empregos estão em jogo.

O número de mil trabalhadores afetados é da Prefeitura de Divinópolis e soma empregados próprios e terceiros. A Gerdau não informou quantos funcionários diretos tinha na unidade nem quantos serão demitidos.

Pelos cálculos da prefeitura, esse contingente equivale a cerca de 7,4% dos empregos industriais do município, conforme o Hoje em Dia.

Na tarde de terça, o Sindicato dos Metalúrgicos de Divinópolis e Região fez uma assembleia com os trabalhadores para discutir os impactos da decisão e os próximos passos da categoria.

O Hoje em Dia pediu ao sindicato o resultado da reunião com os trabalhadores afetados, mas não teve resposta até a publicação da reportagem.

O que a empresa promete a quem sai.

A Gerdau diz que está considerando transferir parte dos funcionários para outras unidades do grupo. A empresa não detalhou quantas vagas serão oferecidas nem em quais cidades elas estariam.

A siderúrgica também promete cursos de qualificação técnica e workshops para apoiar a recolocação profissional de quem for desligado e a preparação para novas oportunidades de trabalho.

Na nota, a companhia afirma manter diálogo com os colaboradores, os representantes sindicais, o poder público e as demais partes interessadas no fechamento da produção.

O peso da usina no caixa da cidade.

Estudos internos da prefeitura indicam que a unidade da Gerdau pode representar até 15% dos repasses de ICMS que Divinópolis recebe do estado, uma das principais receitas do município.

A prefeitura ainda não apresentou uma estimativa em reais de quanto deve perder em arrecadação com o fim da produção de aço, segundo o portal NC News, que acompanha a economia da região.

O município informou que vai lançar ainda nesta semana um programa para atender trabalhadores e empresas atingidos pelo encerramento das atividades da siderúrgica.

As 2 mil empresas do entorno.

Nos bairros Interlagos e Porto Velho, vizinhos da usina, estão mais de 2 mil empresas. Segundo a prefeitura, cerca de 93% delas são microempresas, com pouca margem para absorver perdas.

A lista de expostos inclui fornecedores, transportadoras, oficinas de manutenção, restaurantes e comércios que dependem do movimento dos trabalhadores que circulam diariamente pela região.

A administração municipal não informou quantos desses negócios têm contrato direto com a Gerdau, nem fez projeção da queda de faturamento do comércio local.

O que disse a prefeita.

A prefeita Janete Aparecida (Avante) chamou a Gerdau de parceira histórica da cidade, mas disse que a gestão não minimiza a gravidade da decisão nem os impactos sobre a economia local.

“Divinópolis tem uma economia diversificada, mas isso não reduz a gravidade deste momento. Vamos intensificar as conversas com o setor produtivo e fazer tudo o que está ao alcance do Município, sem promessas que não dependem de nós”, afirmou.

A briga política no mesmo dia.

O deputado federal eleito Gleidson Azevedo (Republicanos-MG), irmão do governador eleito, atribuiu o fechamento ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e à política econômica federal.

“Essa culpa é do governo Lula e essa culpa eu não carrego”, disse Gleidson, que pediu para a responsabilidade não ser atribuída ao governo estadual nem à prefeitura, segundo o Poder360.

O aço importado na conta.

Bandeira amarela com a marca da Gerdau tremulando diante de um gasômetro de usina siderúrgica sob céu azul
Bandeira da Gerdau em unidade siderúrgica da empresa, imagem de arquivo (Reprodução/O Tempo)

Em setembro, no Congresso Aço Brasil, o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, já tinha cobrado cotas de importação para segurar a entrada de aço chinês. “Em alguns produtos específicos, estabelecer cota; depois disso, não entra mais produto”, disse ele em entrevista ao jornal O Tempo.

Werneck também criticou a importação indireta de aço, por meio de carros chineses que chegam prontos ou só para montagem no país. Para ele, o ideal seria produzir aqui, com fornecedores locais.

Não é a primeira unidade a parar.

Em agosto, a empresa já tinha hibernado a aciaria e a laminação da fábrica do Recife, com 160 demissões. O fechamento mineiro vem dias depois de um lucro de R$ 1,56 bilhão no 3º trimestre.

Em Divinópolis, os próximos passos dependem do calendário de desligamento da usina, que a Gerdau ainda não tornou público, e do programa que a prefeitura promete apresentar nesta semana.

Você acha que cota para o aço importado teria salvado a usina da Gerdau em Divinópolis e os mil empregos da cidade?

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Paulo Nogueira

Técnico em Elétrica desde 2008, formado pelo Instituto Federal Fluminense (IFF), antigo CEFET, uma das mais tradicionais instituições de ensino técnico do Brasil. Atuou por diversos anos nas áreas de petróleo e gás offshore, energia e construção, experiência que hoje aplica na produção de conteúdo especializado sobre o setor energético. Com mais de 8 mil publicações em revistas e portais online, dedica-se à cobertura do mercado de trabalho, petróleo e gás, energia, economia, renováveis e empreendedorismo. Para dúvidas, sugestões ou correções, entre em contato pelo e-mail paulohsnogueira@gmail.com. Este canal não recebe currículos.

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