Na Suécia, a Riksbyggen construiu três casas minúsculas para mostrar quanto jovens de 25 anos conseguem pagar por moradia. Os modelos têm 1,9 m² em Estocolmo, 3,1 m² em Gotemburgo e 4,5 m² em Umeå e não serão vendidos, pois integram uma campanha por reformas habitacionais no país da Suécia.
A Geração Z virou o centro de uma campanha habitacional que transformou renda, poupança, preço dos imóveis e condições de financiamento em três casas reais de dimensões extremas. Construídos na Suécia, os modelos representam o espaço que uma pessoa de 25 anos com renda média conseguiria pagar em Estocolmo, Gotemburgo e Umeå.
Segundo reportagem da Fast Company Brasil, assinada por Nate Berg, as construções fazem parte de uma campanha liderada pela incorporadora sueca Riksbyggen em parceria com a agência criativa BBDO Nordics. As casas não serão oferecidas como imóveis reais: foram produzidas especificamente para materializar o problema de acesso à moradia enfrentado pelos jovens.
Casas foram calculadas a partir da renda e da poupança de pessoas de 25 anos

A Riksbyggen direcionou o projeto a jovens que tentam comprar o primeiro imóvel.
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As dimensões foram calculadas levando em conta a renda média e a poupança média de pessoas de 25 anos, em um contexto no qual os preços das moradias não acompanham aquilo que esse público consegue financiar.
Índice combina renda, preço dos imóveis e financiamento
Os tamanhos não foram escolhidos de maneira arbitrária.
A campanha utiliza o índice de metro quadrado da Riksbyggen, que combina renda, valores dos imóveis e condições de financiamento para estimar quanto espaço seria acessível a um jovem com renda média em diferentes cidades suecas.
Estocolmo chega ao menor resultado, com apenas 1,9 m²

A capital sueca apresentou o cenário mais restritivo entre os três exemplos construídos.
Em Estocolmo, o cálculo indica que uma pessoa de 25 anos dentro do perfil analisado conseguiria pagar por apenas 1,9 metro quadrado de moradia.
Gotemburgo amplia espaço para 3,1 m²
O segundo modelo representa a realidade estimada para Gotemburgo.
Na cidade, a área considerada acessível sobe para 3,1 metros quadrados, ainda muito distante das dimensões de uma residência convencional.
Umeå chega a 4,5 m² e ainda não permite uma casa convencional

O maior dos três modelos foi calculado para Umeå.
Nesse caso, o espaço acessível chega a 4,5 metros quadrados, mais que o dobro do resultado de Estocolmo, mas ainda insuficiente para reproduzir as condições comuns de uma residência completa.

Três modelos têm entre 1,9 e 4,5 metros quadrados
As construções foram executadas em tamanho real para permitir que as pessoas percebam fisicamente o que os números significam.
As três casas possuem áreas entre aproximadamente 1,9 e 4,5 metros quadrados, fazendo com que o espaço interno seja deliberadamente limitado.
Interior oferece quatro paredes, teto, vaso sanitário e lugar para sentar

A limitação financeira calculada pelo índice foi reproduzida diretamente no interior.
Segundo a fonte, os modelos oferecem pouco mais do que quatro paredes, um teto, um vaso sanitário e um lugar para sentar.
O espaço é tão reduzido que não permite sequer que uma pessoa se deite completamente em uma cama.
Casas não serão vendidas nem destinadas a moradores
Apesar de terem sido efetivamente construídas, as unidades não fazem parte de um empreendimento residencial.
A Riksbyggen criou os imóveis apenas como instrumentos de comunicação da campanha. O objetivo é tornar visível aquilo que poderia permanecer abstrato se fosse apresentado somente por tabelas, percentuais e preços de metro quadrado.
Campanha pretende permitir que público “entre” na crise habitacional
A estratégia escolhida foi transformar o problema financeiro em uma experiência física.
As três casas serão levadas em uma turnê pela Suécia, permitindo que visitantes entrem nas estruturas e observem de perto as dimensões associadas ao poder de compra dos jovens.
Escassez de moradias amplia pressão sobre compradores iniciantes
A ação ocorre em um país que enfrenta escassez habitacional.
A campanha argumenta que jovens interessados no primeiro imóvel encontram uma distância significativa entre sua capacidade financeira e os preços praticados no mercado, situação que os modelos procuram representar de forma concreta.
Riksbyggen defende aumento da produção de moradias
A incorporadora relaciona a campanha a três propostas de reforma.
A primeira é aumentar a produção de casas, ampliando a oferta disponível no mercado e tentando enfrentar parte da dificuldade de acesso identificada pelo projeto.
Empréstimos mais baratos para primeiro imóvel são segunda proposta
A segunda medida defendida envolve o financiamento.
A Riksbyggen quer a disponibilização de empréstimos de menor custo para compradores de primeira viagem, reduzindo parte das barreiras financeiras enfrentadas por jovens que tentam entrar no mercado imobiliário.
Habitação para idosos poderia liberar imóveis para jovens
A terceira proposta envolve outro grupo etário.
A empresa defende a retomada de um programa de construção de habitação social para pessoas mais velhas, com a expectativa de que a mudança libere mais imóveis existentes para compradores jovens.
Ministro da Habitação visitou uma das estruturas
A campanha chegou também ao debate político sueco.
O ministro da Habitação da Suécia, Andreas Carlsson, visitou as casas e chegou a se acomodar em uma das pequenas camas construídas dentro dos modelos.
CEO vê maior apoio a empréstimo inicial garantido pelo Estado
Johanna Frelin, CEO da Riksbyggen, afirmou perceber avanço político em torno das três propostas, embora com diferentes níveis de apoio.
Segundo ela, o maior respaldo naquele momento parecia concentrado em um empréstimo inicial garantido pelo Estado para compradores de primeira viagem.
Investimentos em moradias para idosos voltaram a receber atenção
A executiva também apontou movimento favorável em outra frente.
Johanna Frelin disse que o apoio a investimentos destinados à construção de moradias para pessoas mais velhas estava voltando a ganhar atenção no debate político.
Participação estatal no risco da construção enfrenta maior resistência
A proposta considerada mais difícil politicamente envolve o compartilhamento dos riscos da construção de novas moradias.
Frelin reconheceu que essa medida encontra mais obstáculos, embora afirme perceber um reconhecimento crescente sobre a necessidade de enfrentar o problema habitacional.
Campanha quer transformar diagnóstico em políticas concretas
As casas de 1,9 m², 3,1 m² e 4,5 m² não foram projetadas como alternativas reais de moradia para jovens suecos.
A Riksbyggen e a BBDO Nordics construíram os três modelos justamente para demonstrar o contrário: quando renda, poupança, financiamento e preços imobiliários são colocados na mesma conta, o espaço acessível para uma pessoa de 25 anos pode chegar a dimensões incompatíveis com uma residência convencional.
Na sua opinião, qual medida teria maior impacto para ampliar o acesso dos jovens ao primeiro imóvel: aumentar a construção de moradias, oferecer financiamento mais barato ou liberar mais imóveis por meio de programas voltados aos idosos? Deixe sua opinião nos comentários.
