Uttam Teron começa a Parijat Academy em 2003, sem professores nem financiamento, amplia o espaço sala por sala e hoje oferece educação gratuita, hospedagem e atividades como informática, costura, tecelagem, esportes e dança a crianças de vilarejos remotos de Assam
Em 2003, Uttam Teron tinha apenas ₹800, quatro crianças e um pequeno curral com goteiras na vila de Pamohi, no estado indiano de Assam. Ele transformou o espaço em sala de aula porque via crianças brincando na lama e na água das enchentes durante o horário em que deveriam estudar. Vinte e três anos depois, mais de 2 mil alunos já passaram pela Parijat Academy, e alguns se tornaram policiais e outros profissionais que hoje retornam para ajudar suas comunidades, conforme informações publicadas pelo The Better India em 30 de agosto de 2026.
A transformação começou sem estrutura. Não havia professores, financiamento nem um prédio escolar convencional. Teron usou o dinheiro que havia economizado dando aulas particulares para comprar uma mesa e um banco. Depois, começou a ensinar quatro crianças entre 4 e 6 anos em um espaço de aproximadamente 100 pés quadrados, segundo a própria Parijat Academy.
Quando percebeu que precisaria de ajuda para crescer, ele enviou centenas de e-mails pedindo livros usados, roupas, bambu, chapas de metal e qualquer material que pudesse aproveitar. A resposta foi mínima: apenas duas ou três pessoas responderam. Mesmo assim, ele continuou.
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Ele via crianças brincando na lama enquanto a escola permanecia distante
A decisão nasceu de uma cena cotidiana.
Teron observava crianças de comunidades rurais de Assam brincando durante o dia porque muitas tinham pouco ou nenhum acesso à escola. Em áreas remotas, distância, estradas ruins e condições econômicas dificultavam a frequência escolar.
Ele próprio não tinha planejado se tornar professor.

Teron concluiu graduação em Ciências no Cotton College, em Guwahati, e já relatou que o ensino não aparecia inicialmente entre suas grandes ambições profissionais. Porém, o contato com as crianças mudou sua direção.
Em vez de esperar que uma estrutura maior surgisse, decidiu começar com o que possuía.
O curral da família virou sala de aula.
A mudança lembra outras iniciativas em que uma necessidade observada de perto acaba virando uma solução educacional, embora em contextos completamente diferentes.
₹800 compram uma mesa e um banco para os primeiros 4 alunos
O capital inicial era extremamente pequeno.
Teron havia acumulado ₹800 dando aulas particulares.
Com esse dinheiro, pediu a um carpinteiro da vila que produzisse uma mesa e um banco. Depois, começou a receber quatro crianças.
A Parijat Academy nasceu como um pequeno centro de aprendizagem.
No começo, Teron dava aulas durante cerca de uma hora por dia. Mais tarde, ampliou o período para aproximadamente três horas, à medida que a demanda aumentava.
Ele também precisou descobrir como manter as crianças interessadas.
Em relatos anteriores, contou que recorria a brincadeiras, barro, argila, música e até dança para despertar curiosidade.
A estratégia tinha um objetivo simples:
fazer as crianças gostarem de aprender antes de exigir que permanecessem sentadas diante de livros.
Plano inicial era preparar crianças para escolas públicas
No começo, Teron não imaginava construir uma instituição até a 10ª classe.
Ele queria preparar as crianças e depois encaminhá-las para escolas governamentais.
Entretanto, os pais começaram a pedir outra coisa.
Eles queriam que seus filhos continuassem ali.
Segundo o relato recuperado pelo The Better India, as famílias pediram que ele mantivesse os estudantes até a Class 10.
Teron aceitou.
Consequentemente, aquilo que havia começado como um centro de reforço precisou crescer.
Vieram novas salas.
Depois, mais alunos.
Em seguida, professores e outras atividades.
O curral deixou de ser uma solução temporária e passou a ser o ponto de partida de uma escola.
Centenas de e-mails trazem apenas 2 ou 3 respostas
Crescer sem dinheiro, porém, trouxe outro problema.
Teron precisava de materiais.
Então, começou a enviar mensagens para pessoas e organizações.
Foram centenas de e-mails.
Ele não pedia necessariamente grandes doações.
Aceitava livros antigos, roupas, bambu, chapas de metal e outros materiais que pudessem ajudar.
Ainda assim, quase ninguém respondeu.
Segundo o The Better India, somente duas ou três pessoas retornaram aqueles pedidos iniciais.
Para um projeto sem caixa, o resultado poderia ter encerrado a iniciativa.
Teron fez o contrário.
Continuou construindo.
Pouco a pouco, outras pessoas começaram a conhecer a escola.
E a rede de apoio cresceu com o tempo.
Em 2006, escola já alcançava 100 estudantes
Os números mostram como a iniciativa ganhou escala.
A Parijat Academy começou em 2003 com quatro crianças.
Em 2006, já havia alcançado 100 estudantes.
No ano seguinte, a escola criou sua biblioteca.
Em 2008, abriu um centro de aprendizagem em Garbhanga, ampliando o alcance para outra comunidade.
Depois, em 2010, vieram aulas de informática com 15 computadores.
Em 2012, a primeira turma realizou o exame de conclusão escolar.
Já em 2017, o número de estudantes chegou a 500, segundo a linha do tempo oficial da instituição.
Portanto, a expansão não aconteceu de uma só vez.
Ela levou anos.
Escola cresce para duas unidades e alcança comunidades vizinhas
Atualmente, a organização mantém atuação em Pamohi e Garbhanga.
A própria academia afirma que nasceu naquele espaço de aproximadamente 100 pés quadrados e depois cresceu para duas escolas nas comunidades vizinhas.
O alcance vai além dos alunos que moram próximos.
Crianças de localidades mais isoladas também chegam à instituição.

Esse ponto importa porque algumas comunidades rurais enfrentam trajetos particularmente difíceis, sobretudo durante a estação de chuvas.
Relatos históricos da Parijat descrevem trechos nos quais o acesso a Garbhanga podia ocorrer somente a pé durante o período chuvoso.
Assim, oferecer educação não significava apenas abrir uma sala.
Era necessário resolver também distância e permanência.
50 crianças de áreas remotas passam a morar e estudar na escola
O The Better India informa que atualmente 50 crianças de algumas das vilas mais remotas e desfavorecidas vivem e estudam na instituição.
A hospedagem permite que estudantes não precisem refazer diariamente trajetos longos ou difíceis.
Além disso, a escola oferece alimentação e acompanhamento.
A própria Parijat Academy descreve sua missão como proporcionar educação gratuita e acomodação para crianças de comunidades socioeconomicamente desfavorecidas de Assam.
O site institucional mais recente apresenta números ainda mais amplos para a operação como um todo: 350 estudantes, mais de 2 mil formados e 75 residentes. Essas métricas podem refletir um período de atualização ou critério de contagem diferente daquele usado no vídeo do The Better India, que menciona 50 crianças de vilas remotas vivendo e estudando ali.
Mais de 2 mil crianças já passam pela Parijat Academy
O número central da história aparece no acumulado.
A Parijat Academy informa ter ultrapassado 2 mil formados desde sua criação.
É uma diferença enorme diante dos quatro primeiros alunos.
Além disso, o impacto começa a aparecer na geração seguinte.
O The Better India destaca que alguns ex-estudantes se tornaram policiais e outros profissionais. Depois, parte deles voltou às próprias comunidades para contribuir.
A escola oficializa um desses exemplos.
Shankar Bongjang estudou na Parijat entre a 4ª e a 10ª série e hoje trabalha como constable da Assam Police. Quando criança, morava a aproximadamente 25 km da escola e acabou permanecendo no alojamento durante anos.
Assim, o efeito deixa de terminar no diploma.
Ex-alunos voltam para ajudar as mesmas comunidades onde cresceram
Esse retorno possui um significado especial para Teron.
O objetivo inicial era oferecer educação a crianças que praticamente não tinham acesso a ela.
Anos depois, algumas dessas crianças passaram a atuar profissionalmente e começaram a retornar como voluntários.
A mudança cria um ciclo.
Primeiro, a escola recebe uma criança.
Depois, forma o estudante.
Em seguida, esse ex-aluno pode construir uma carreira.
Finalmente, alguns retornam para apoiar outros jovens.
Para Teron, é justamente esse momento que confirma que as noites sem dormir valeram a pena, segundo o relato do The Better India.
Currículo passa a incluir informática, tecelagem, costura, esportes e dança
A Parijat Academy não se limita às disciplinas convencionais.
As crianças também aprendem informática, tecelagem, costura, esportes e dança.
A escolha acompanha a filosofia de educação integral defendida pela instituição.
Além da formação acadêmica, a organização diz querer desenvolver habilidades para a vida e formação profissional, ajudando os estudantes a se tornarem adultos financeiramente independentes.
Essa abordagem amplia a função da escola.
A criança não recebe apenas conteúdo para provas.
Também ganha contato com ferramentas práticas.
Além disso, encontra atividades culturais e esportivas.
Informática chega em 2010 com 15 computadores
A introdução de computadores marcou uma etapa específica.
Em 2010, a academia iniciou as aulas de informática com 15 computadores.
Para crianças de comunidades rurais e famílias com poucos recursos, esse contato poderia ser difícil de obter fora da escola.
Por isso, a instituição passou a tratar alfabetização digital como parte do desenvolvimento.
Essa lógica se tornou ainda mais relevante ao longo dos anos, conforme tarefas acadêmicas e oportunidades profissionais passaram a exigir familiaridade crescente com tecnologia.
Assim, uma escola que nasceu com uma mesa e um banco chegou a oferecer aulas em computadores sete anos depois.
Teron queria também evitar que crianças fossem enviadas ao trabalho cedo demais
A dificuldade educacional estava ligada também às condições econômicas das famílias.
Em registros anteriores da própria academia, Teron relatou preocupação especialmente com meninas que acabavam trabalhando desde muito novas em vez de estudar.
Convencer os pais a manter as crianças na escola, portanto, fazia parte do desafio.
A família podia precisar daquela mão de obra.
Enquanto isso, os benefícios da educação apareciam apenas anos depois.
Por isso, Teron não precisava apenas ensinar.
Também precisava convencer a comunidade de que manter um filho estudando poderia mudar seu futuro.
Essa dimensão lembra iniciativas em que moradores precisam se mobilizar coletivamente para resolver uma carência básica, como ocorreu na estrada comunitária de 100 km construída em Manipur.
Em 2011, trabalho ganha reconhecimento nacional
A expansão começou a chamar atenção fora de Assam.
Em 2011, Uttam Teron recebeu o CNN-IBN Real Heroes Award, reconhecimento destinado a pessoas que promoviam mudanças sociais em diferentes áreas da Índia.
A academia também lista outros reconhecimentos.
Entre eles aparecem o Eastern India Women Association Social Service Award, em 2009, e o Karmayogi Award, concedido pelo Lions Club em 2017.
Esses prêmios vieram depois de anos de trabalho.
Entretanto, o projeto continuou operando com a mesma lógica básica:
ensinar gratuitamente crianças que teriam poucas opções educacionais.
Parijat Academy chega a 500 estudantes em 2017
Outro marco apareceu em 2017.
A escola atingiu 500 estudantes.
Para comparar, isso representa 125 vezes o número de crianças da primeira turma.
A conta serve apenas para visualizar a escala.
Ela não significa que todas essas crianças estudaram simultaneamente durante toda a história da instituição.
Ainda assim, mostra o salto operacional.
Com mais alunos, surgiram novas demandas.
Era necessário ampliar salas.
Também contratar professores.
Depois, oferecer materiais, alimentação e alojamento.
Quanto maior a escola, maior o desafio para manter a gratuidade.
Escola depende de apoio para continuar oferecendo educação gratuita
A Parijat Academy funciona como uma organização sem fins lucrativos.
Por isso, doações permanecem importantes para a operação.
É um contraste interessante com o começo.
Em 2003, Teron enviava centenas de mensagens e quase ninguém respondia.
Agora, a academia possui uma estrutura mais conhecida, canais formais de contribuição e uma história de mais de duas décadas.
Mesmo assim, o princípio continua semelhante.
Para oferecer educação gratuitamente, alguém precisa financiar professores, alimentação, manutenção, materiais e alojamento.
Assim, o projeto que começou com ₹800 ainda depende de uma rede de pessoas para continuar crescendo.
Um curral de 100 pés quadrados vira uma instituição com duas escolas
A dimensão física também mudou.
O espaço inicial tinha cerca de 100 pés quadrados, equivalente a pouco mais de 9 m².
Ali, Teron acomodou quatro crianças.
Depois, vieram novas salas.
Em seguida, uma biblioteca.
Mais tarde, um segundo centro.
Depois, informática, alojamento e espaços para outras atividades.
Em 2020, a organização também construiu uma sala multiuso para atividades internas.
Portanto, a escola não nasceu pronta.
Ela literalmente cresceu sala por sala.
A transformação acontece sem uma grande fortuna inicial
Esse é um dos elementos mais fortes da história.
Teron não começou com um grande patrocinador.
Também não possuía um prédio escolar.
Ele tinha ₹800.
Além disso, tinha um espaço da família.
Então, começou com quatro alunos.
A partir daí, acumulou resultados.
Essa trajetória não significa que qualquer projeto social possa crescer com recursos tão pequenos.
Também não elimina a importância das doações que vieram depois.
Porém, mostra que a primeira etapa não dependeu de uma grande estrutura.
Dependia de começar.
De 4 crianças para mais de 2 mil trajetórias educacionais
A progressão resume 23 anos.
2003: quatro estudantes e ₹800.
2006: a escola chega a 100 alunos.
2007: surge a biblioteca.
2008: nasce o centro de Garbhanga.
2010: entram 15 computadores.
2012: a primeira turma faz o exame de conclusão escolar.
2017: a escola chega a 500 estudantes.
2026: mais de 2 mil crianças já passaram pela iniciativa, segundo os dados divulgados pela instituição e pelo The Better India.
A sequência mostra uma construção lenta.
Não houve um único investimento capaz de transformar tudo de imediato.
Houve repetição.
Alguns alunos que recebiam ajuda agora trabalham e ajudam outros
Talvez o resultado mais forte não seja o tamanho da escola.
É aquilo que aconteceu com parte dos estudantes.
Alguns conseguiram seguir para profissões formais.
Outros retornam como voluntários.
Há ex-aluno na polícia.
E, segundo o The Better India, profissionais formados pela instituição já contribuem com as comunidades onde cresceram.
Assim, o projeto produz algo que Teron dificilmente conseguiria medir quando comprou seu primeiro banco.
Cada aluno formado pode multiplicar o impacto original.
Uma criança recebe oportunidade.
Depois, ajuda outra.
E a rede continua.
História também mostra que acesso à escola não termina na matrícula
Ter uma vaga disponível é apenas uma parte do problema.
Para crianças de áreas remotas, existem outras barreiras.
É preciso chegar.
É preciso comer.
Em alguns casos, é preciso morar perto.
Além disso, a família precisa acreditar que manter a criança estudando vale a pena.
A Parijat Academy tentou responder a várias dessas dificuldades simultaneamente.
Por isso, oferece educação, acomodação, alimentação e atividades complementares.
Em outra escala, histórias de esforço prolongado também mostram como a ausência de estrutura pode obrigar pessoas a reorganizar completamente a própria rotina de trabalho, ainda que o contexto aqui seja educacional e comunitário.
O projeto que quase ninguém respondeu agora recebe alunos de comunidades remotas
A ironia aparece quando se volta aos primeiros e-mails.
Teron pediu ajuda a centenas de pessoas.
Só duas ou três responderam.
Seria fácil concluir que não havia apoio suficiente.
Porém, ele continuou.
Hoje, a escola atravessou mais de duas décadas.
Além disso, sua história passou a circular nacional e internacionalmente.
Esse contraste mostra que o primeiro retorno de uma iniciativa não necessariamente prevê seu resultado final.
Em 2003, havia quatro crianças.
Agora, o acumulado supera 2 mil.
De crianças na lama a policiais, profissionais e voluntários
A cena inicial era de crianças brincando na lama e na água das enchentes.
Teron enxergou naquele momento um problema educacional.
Então, voltou para casa.
Transformou o curral em sala.
Pegou os ₹800 que havia economizado.
Comprou uma mesa e um banco.
Chamou quatro crianças.
Depois, enviou centenas de pedidos de ajuda.
Quase ninguém respondeu.
Mesmo assim, continuou.
Vinte e três anos depois, mais de 2 mil crianças já estudaram na Parijat Academy.
Algumas se tornaram policiais e profissionais.
Outras voltam para ajudar.
E crianças de áreas remotas continuam vivendo e estudando dentro da estrutura que cresceu a partir daquele pequeno curral.
No fim, a transformação não aconteceu porque Teron encontrou imediatamente dinheiro, professores ou um grande parceiro.
Ela aconteceu porque ele começou com quatro crianças antes de ter qualquer garantia de que a quinta chegaria.
Você acha que projetos comunitários como esse deveriam receber financiamento público depois de demonstrarem resultados ou preservar um modelo baseado principalmente em doações e apoio local?
