França tem onda de protestos contra cortes no orçamento e nomeação de novo premiê. Mobilização reuniu milhares e deixou mais de 50 detidos em Paris.
Protestos contra cortes e novo premiê agitam a França
A França amanheceu em clima de tensão nesta quarta-feira (10), quando milhares de manifestantes foram às ruas para protestar contra os cortes previstos no orçamento de 2026 e a nomeação do novo premiê Sébastien Lecornu.
A mobilização, que ganhou força nas redes sociais sob o lema “Vamos bloquear tudo”, resultou em mais de 50 detenções apenas na região de Paris.
As manifestações começaram ainda na madrugada, com jovens tentando bloquear garagens de ônibus e trechos do anel viário que circunda a capital.
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No entanto, a forte presença policial, quase 6.000 agentes apenas em Paris, rapidamente dispersou os grupos, embora novos focos de mobilização tenham surgido em outras cidades francesas.
O que motivou os protestos na França
Por isso, o estopim da mobilização ocorreu com a queda do então primeiro-ministro François Bayrou, anunciada na última segunda-feira (8), logo após a apresentação de um projeto de orçamento polêmico. O plano previa cortes de 44 bilhões de euros, a eliminação de dois feriados nacionais e ajustes drásticos em serviços públicos.
No dia seguinte, o presidente Emmanuel Macron anunciou a nomeação de Sébastien Lecornu, ex-ministro da Defesa, como novo chefe de governo. A transição oficial com Bayrou foi marcada para esta quarta-feira, em meio ao ambiente de forte pressão popular.
Mobilização em todo o país
Além de Paris, diversas cidades francesas registraram bloqueios e tentativas de paralisação. Em Bordeaux, forças de segurança intervieram rapidamente para desbloquear a garagem de bondes. Já na região de Poitiers, manifestantes tentaram fechar a rodovia A10.
O Ministério do Interior mobilizou quase 80.000 policiais e gendarmes em todo o território para impedir a escalada da violência. O ministro Bruno Retailleau reforçou que deu ordens claras para não tolerar depredações, bloqueios ou ocupações de infraestruturas essenciais.
Temor de repetição dos “coletes amarelos”
O governo francês teme que a atual onda de protestos evolua para um movimento de longo prazo, semelhante ao dos “coletes amarelos”, que entre 2018 e 2019 paralisou o país e desafiou duramente o primeiro mandato de Macron.
Com a insatisfação popular crescendo e setores estratégicos sendo afetados, sindicatos já convocaram uma greve nacional para o próximo dia 18 de setembro. Assim, a expectativa é que a mobilização reúna ainda mais trabalhadores de empresas públicas, universidades e serviços de transporte.
Geopolítica e impactos internos
A crise política francesa ocorre em um momento delicado para a geopolítica europeia. Internamente, Macron enfrenta resistência popular diante das medidas de austeridade.
Como resultado, externamente, há pressão para manter estabilidade em meio a desafios econômicos globais.
Assim, Macron nomeou Lecornu para dar firmeza ao governo, mas o novo premiê já começou o mandato em meio à turbulência das ruas.
Portanto, alcance da mobilização ainda é incerto, mas especialistas alertam que o desgaste pode comprometer a governabilidade nos próximos meses.
