Operação inédita valida pista de concreto na Amazônia e reforça estratégia logística em região isolada, com impacto direto na capacidade operacional, durabilidade da infraestrutura e integração aérea em Coari, no Amazonas.
Em 26 de março, a Força Aérea Brasileira executou o primeiro pouso técnico no novo trecho da pista do Aeródromo de Coari, no Amazonas, validando em condições reais o pavimento rígido recém-implantado e avançando na modernização da infraestrutura aeroportuária local.
Conduzida por uma aeronave C-98 Caravan do Sétimo Esquadrão de Transporte Aéreo, o Esquadrão Cobra, a operação ocorreu sob coordenação da Comissão de Aeroportos da Região Amazônica, a COMARA, responsável por obras e apoio logístico em áreas de difícil acesso.
Considerado marco técnico no cronograma da obra, o procedimento permitiu aferir o desempenho do novo segmento da pista e verificar sua conformidade com requisitos de segurança e eficiência, conforme planejamento operacional estabelecido para o aeródromo.
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Participaram da agenda o comandante do Primeiro Comando Aéreo Regional, major-brigadeiro do ar José Virgílio Guedes de Avellar, e o vice-presidente da COMARA, coronel aviador Antônio Carlos Neves Trigueiro, acompanhando a validação em campo.
Pista de concreto amplia resistência e capacidade operacional

Projetado para ampliar a durabilidade da pista e elevar sua capacidade de suporte, o trecho em concreto responde às condições climáticas severas da região, onde chuvas intensas e variações ambientais afetam diretamente a conservação e a logística de manutenção.
Nesse cenário, a adoção do pavimento rígido atende a uma necessidade operacional recorrente na Amazônia, em que transporte de insumos, deslocamento de equipes e execução de serviços dependem de cadeias logísticas mais complexas do que em áreas conectadas por malha rodoviária.
Obra em Coari avança com foco em infraestrutura e operação
Inserida em um conjunto mais amplo de iniciativas, a intervenção em Coari integra ações da FAB com a Secretaria Nacional de Aviação Civil e o Ministério de Portos e Aeroportos, estruturadas por instrumentos administrativos voltados à requalificação aeroportuária na região.
Entre esses instrumentos, destaca-se o Termo de Execução Descentralizada nº 937690/2022, formalizado em 27 de dezembro de 2022, que prevê a construção do novo terminal de passageiros do Aeroporto de Coari como parte da modernização em curso.
Ainda que o pouso técnico simbolize um avanço visível, o projeto envolve múltiplas frentes de engenharia, fiscalização e apoio logístico, mantidas pela Aeronáutica para garantir a continuidade das obras e a integração das estruturas aeroportuárias locais.
Com repasse de R$ 12.206.458,21 para a construção do novo terminal de passageiros, o TED evidencia que a modernização não se limita à pista, abrangendo também instalações essenciais ao funcionamento e à ampliação da capacidade operacional do aeroporto.
Infraestrutura aeroportuária é estratégica na Amazônia
Em municípios amazônicos de acesso restrito, melhorias desse porte assumem papel decisivo, já que a infraestrutura aeroportuária viabiliza deslocamento de equipes, suporte institucional e circulação de suprimentos em regiões com alternativas logísticas limitadas.
Ao mesmo tempo, pistas mais resistentes e instalações adequadas contribuem para reduzir vulnerabilidades operacionais, além de ampliar a previsibilidade das missões aéreas, especialmente em períodos de chuva intensa ou desgaste acelerado da superfície.
Inspeção da COMARA percorreu bases e destacamentos na Amazônia

Integrando a Visita de Inspeção Mensal da COMARA, realizada entre 23 e 27 de março, a passagem por Coari fez parte de um roteiro que incluiu diversos pontos da Amazônia com elevada complexidade logística.
Durante o deslocamento, a comitiva liderada pelo comandante do I COMAR e pelo vice-presidente da comissão percorreu destacamentos de apoio e engenharia, supervisionando atividades, acompanhando a execução dos serviços e avaliando condições operacionais em campo.
No itinerário, foram visitados o Destacamento de Apoio da COMARA em Manaus, além das estruturas localizadas em São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga, ampliando o monitoramento das frentes de atuação mantidas pela Aeronáutica na região.
Também ocorreram vistorias nos Destacamentos de Engenharia em Iauaretê e em Coari, onde a comissão acompanha o avanço da pavimentação do aeroporto municipal, etapa considerada estratégica para a consolidação da infraestrutura local.
Vistorias técnicas garantem padrão da engenharia militar
Ao longo das inspeções, foram realizadas avaliações técnicas, análise das condições de funcionamento e checagens logísticas, procedimentos que buscam alinhar diretrizes com as equipes locais e assegurar o cumprimento dos parâmetros da engenharia militar.
Esse acompanhamento contínuo torna-se especialmente relevante em empreendimentos amazônicos, nos quais fatores como clima, distância e abastecimento influenciam diretamente o ritmo das obras e o uso eficiente dos recursos disponíveis.
Ainda na agenda, a comitiva realizou visita técnica ao Aeroporto de Estirão do Equador, na fronteira com o Peru, considerado essencial para o apoio ao 4º Pelotão Especial de Fronteira do Exército Brasileiro.
Concluída pela COMARA por meio de Termo de Execução Descentralizada firmado com a Secretaria Nacional de Aviação Civil, a infraestrutura segue o mesmo modelo adotado em outras intervenções estratégicas na Amazônia Ocidental.
Em 2021, a própria Força Aérea já havia destacado a inauguração da pista local com 1.500 metros de pavimentação em concreto, evidenciando a relevância desse tipo de solução para localidades remotas da faixa de fronteira.
No caso de Coari, o primeiro pouso no trecho modernizado aponta para redução da vulnerabilidade da infraestrutura, maior robustez operacional e ampliação da capacidade de resposta, reforçando o papel da aviação como elo essencial de integração em áreas isoladas da Amazônia.
