O estado do Rio reúne mais de R$ 25 bilhões em projetos de petroquímica e fertilizantes até 2030, com duas fábricas de ureia previstas no Norte Fluminense, segundo a Firjan.
O levantamento está na publicação “Petroquímica e Fertilizantes no Rio de Janeiro 2026”, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, com lançamento marcado para quarta-feira (4) na sede da entidade.
A aposta é usar o gás natural do pré-sal, que chega ao continente pelo litoral fluminense, para fabricar plásticos, produtos químicos e adubo dentro do estado, em vez de vender a matéria-prima bruta.
As duas fábricas de ureia.
No Porto do Açu, em São João da Barra, está projetado um empreendimento para produzir 1,38 milhão de toneladas de ureia e 781,5 mil toneladas de amônia por ano, segundo o O Globo.
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Em Macaé, a capital do petróleo na Bacia de Campos, há um projeto de fábrica com capacidade estimada de 1,8 milhão de toneladas anuais de ureia.
Somados, os dois projetos chegariam a 3,18 milhões de toneladas de ureia por ano. O estudo não informa o valor de cada fábrica nem o nome das empresas responsáveis por elas.
“Os novos complexos industriais no Norte Fluminense, com projetos em Macaé e no Porto do Açu, visam implantar unidades produtoras de fertilizantes nitrogenados de grande porte, aproveitando a proximidade com os gasodutos do pré-sal para a produção de amônia e ureia”, disse Karine Fragoso, gerente-geral de Petróleo, Gás, Energias e Naval da Firjan.

Por que ureia importa para o campo.
A ureia é feita a partir da amônia, que por sua vez sai do gás natural. É o principal adubo nitrogenado do agro, usado em lavouras como milho e cana.
Entre janeiro e julho de 2026, o Brasil gastou cerca de US$ 8,8 bilhões com importação de adubos e fertilizantes químicos, alta de 7,3% sobre o mesmo período de 2025, mesmo com volume menor, aponta a publicação.
Ou seja, o país pagou mais por menos produto. A Firjan diz que as fábricas fluminenses podem reduzir a exposição do agro às oscilações do mercado internacional.
O gás que viabiliza os projetos.
Segundo o estudo, a entrada em plena operação do gasoduto Rota 3 e do Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí, mudou o patamar de oferta de gás no estado.
Com dois módulos, a unidade de processamento do complexo pode receber até 21 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia. A Petrobras estuda ainda produzir no local ácido acético e monoetilenoglicol.
A partir de 2028, o Projeto Raia, liderado pela Equinor, poderá adicionar 16 milhões de m³ por dia de gás ao mercado brasileiro, segundo a TN Petróleo.

A parte da petroquímica.
No Polo Petroquímico de Duque de Caxias, o destaque é o Transforma Rio, da Braskem, com aporte previsto de cerca de R$ 4,3 bilhões, projeto que o CPG já mostrou quando foi anunciado.
O plano inclui uma unidade de processamento de etano, componente do gás usado como matéria-prima, e a ampliação da produção de polietileno em cerca de 230 mil toneladas por ano.
O polietileno vira embalagem, tubo e sacola.
O que diz a Firjan.
“O petróleo e o gás natural são riquezas fundamentais do nosso estado. Mas o seu valor para a sociedade só se multiplica verdadeiramente quando essas matérias-primas percorrem a cadeia de valor”, afirmou o presidente da Firjan, Luiz Césio Caetano.
Segundo ele, a matéria-prima precisa chegar à indústria química, aos plásticos, aos materiais especiais e aos fertilizantes para gerar produção, emprego e renda no estado.
O que pode travar as fábricas.
A própria publicação ressalta que a implantação dos projetos de fertilizantes depende de condições econômicas, comerciais, regulatórias e de infraestrutura. Nenhum deles tem data de início de obra divulgada.
“O grande desafio da próxima década já não é a descoberta de recursos, mas a execução coordenada de políticas que garantam preços competitivos de gás natural, segurança jurídica e previsibilidade regulatória”, disse Karine Fragoso.
Para a federação, ter gás disponível não basta: o preço precisa ser competitivo e o fornecimento, seguro, para que uma fábrica de ureia feche a conta.
O susto do enxofre em 2026.
O estudo lembra que 2026 impôs um teste à cadeia, com a escassez global e a disparada do preço do enxofre, insumo usado para fabricar ácido sulfúrico, base de outros fertilizantes.
Para a Firjan, a crise mostrou que a segurança do agro não depende só de nitrogênio, fósforo e potássio, mas de toda a cadeia de insumos intermediários.
Quem assina o estudo.
O Rio também vai sediar o Centro de Excelência em Fertilizantes e Nutrição de Plantas, o Cefenp, e um hub de escalonamento de tecnologias, segundo a federação.
Esta é a quinta edição da publicação. A parte de petroquímica tem participação de Petrobras, Braskem, Nitriflex, Siquirj, Abiplast e Assecampe, entre outros.
O capítulo de fertilizantes traz artigos do MDIC e da Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Rio. O lançamento tem um painel só sobre fertilizantes, com a UFRRJ e a Finep, segundo o Petronotícias.
Onde o Rio entra na corrida.
A dependência externa de nitrogenados é antiga. Em maio, a Petrobras voltou a produzir ureia no Paraná, com capacidade de 720 mil toneladas por ano.
Se saírem do papel, só as duas fábricas do Norte Fluminense teriam mais de quatro vezes essa capacidade. Até lá, o adubo que chega às lavouras continua vindo, em boa parte, de navio.
Você acha que as fábricas de ureia de Macaé e do Porto do Açu saem do papel antes de 2030 com o gás do pré-sal?
