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Com investimento de R$ 870 milhões e capacidade de 720 mil toneladas anuais, a Petrobras volta a produzir ureia no Paraná e ataca a dependência de cerca de 80% das importações brasileiras de fertilizantes nitrogenados, segmento pressionado por guerra na Ucrânia e conflitos no Oriente Médio

Publicado em 05/05/2026 às 23:10
Atualizado em 05/05/2026 às 23:14
Petrobras reativa fábrica de fertilizantes no PR com R$ 870 mi. Produção de ureia recomeça e Brasil mira 35% do mercado nacional até 2029.
Petrobras reativa fábrica de fertilizantes no PR com R$ 870 mi. Produção de ureia recomeça e Brasil mira 35% do mercado nacional até 2029.
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A Petrobras retomou em 30 de abril de 2026 a produção de ureia na Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), fábrica de fertilizantes no Paraná que estava hibernada desde 2020, após investimento de R$ 870 milhões na reativação. A unidade tem capacidade para produzir 720 mil toneladas de ureia por ano, o equivalente a 8% do mercado nacional, além de 475 mil toneladas de amônia e 450 mil m³ de ARLA 32. A retomada faz parte de estratégia integrada que inclui as fábricas Fafen-SE e Fafen-BA, já reativadas, e a futura UFN-III em Três Lagoas (MS).

A Petrobras acaba de reativar uma fábrica de fertilizantes que ficou parada por seis anos no Paraná, e o investimento de R$ 870 milhões revela o tamanho da aposta da estatal em um setor que o Brasil praticamente abandonou na última década. A Araucária Nitrogenados S.A. (Ansa), localizada na Região Metropolitana de Curitiba ao lado da Refinaria Getúlio Vargas (Repar), retomou a produção de ureia em 30 de abril com capacidade para processar 720 mil toneladas por ano, volume que representa cerca de 8% do mercado nacional do fertilizante mais usado no agronegócio brasileiro.

O contexto que justifica o investimento é de vulnerabilidade estratégica. O Brasil importa cerca de 85% dos fertilizantes que consome, e a dependência se tornou risco concreto quando a guerra na Ucrânia fez o preço da ureia quadruplicar no mercado internacional em 2022. A Rússia é o maior fornecedor de fertilizantes para o Brasil e o segundo maior produtor mundial, o que significa que cada conflito geopolítico que envolva Moscou afeta diretamente o custo de plantar soja, milho e café em solo brasileiro.

O que a fábrica de fertilizantes produz e por que isso importa

A Ansa não produz apenas ureia: a fábrica tem capacidade para 475 mil toneladas por ano de amônia e 450 mil metros cúbicos por ano de ARLA 32, agente redutor líquido usado em motores diesel pesados de caminhões e ônibus para diminuir emissões de poluentes. A combinação de ureia, amônia e ARLA 32 em uma única planta industrial posiciona a Ansa como ativo estratégico que atende simultaneamente o agronegócio (fertilizantes), a indústria química (amônia) e o transporte rodoviário (ARLA 32).

A localização ao lado da Refinaria Getúlio Vargas não é coincidência. O gás natural é a matéria-prima principal da produção de ureia e amônia, e a integração com a refinaria reduz custos logísticos de fornecimento do insumo. William França, diretor de Processos Industriais da Petrobras, declarou que “com as Fafens e, agora, a Ansa em pleno funcionamento, reduzimos a dependência externa de ureia e fortalecemos a cadeia produtiva do agronegócio e da indústria nacional”.

A estratégia integrada: quatro fábricas e a meta de 35% do mercado

Ansa tem capacidade de produção de 720 mil toneladas/ano de ureia, o que corresponde a cerca de 8% do mercado nacional
imagem: Michel Chedid / Agência Petrobras

A reativação da Ansa não é evento isolado. Faz parte de movimento integrado da Petrobras que soma quatro fábricas de fertilizantes em diferentes estágios. A Fafen-SE, em Sergipe, retomou operação em dezembro de 2025. A Fafen-BA, na Bahia, voltou a produzir em janeiro de 2026. A Ansa, no Paraná, é a terceira. E a UFN-III, em Três Lagoas (MS), teve obras retomadas em 13 de abril de 2026 com previsão de operação comercial em 2029.

Com as três fábricas já operando, a Petrobras mira cerca de 20% do mercado interno de ureia. Quando a UFN-III entrar em operação, a meta é alcançar 35% do mercado nacional, patamar que reduziria significativamente a exposição do Brasil a oscilações de preço no mercado internacional e a interrupções de fornecimento causadas por conflitos como os da Ucrânia e do Oriente Médio. A meta é ambiciosa, mas o volume de importação que o país ainda realizará mesmo com as quatro plantas em operação mostra que a dependência não será eliminada, apenas reduzida.

Os mais de 2 mil empregos e o impacto regional

A reativação da Ansa gerou mais de 2 mil empregos na fase de mobilização e a fábrica opera com cerca de 700 postos diretos na fase regular. O impacto na Região Metropolitana de Curitiba vai além dos empregos diretos: a cadeia de fornecedores, serviços de manutenção, transporte e alimentação movimenta a economia local de Araucária e municípios vizinhos.

Marcelo dos Santos Faria, diretor industrial e presidente interino da Ansa, destacou que “a Ansa volta a produzir ureia em um momento em que ampliar a capacidade interna desse insumo é cada vez mais relevante para o Brasil“. A perspectiva sindical é de conquista histórica. Cibele Vieira, coordenadora-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), afirmou que “mesmo que no imediato não tenhamos conseguido impedir o fechamento da fábrica, a resistência possibilitou a retomada”.

Por que a fábrica ficou parada seis anos

A Ansa foi paralisada em 2020 durante a gestão de Roberto Castello Branco como presidente da Petrobras, sob justificativa de prejuízo operacional. A decisão integrava o programa de desinvestimentos e venda de ativos da estatal, que na época priorizava retorno financeiro de curto prazo e redução do portfólio de negócios considerados não essenciais. Fertilizantes foram classificados como segmento deficitário que não compensava o custo de manter as plantas em operação.

A inflexão veio com a mudança de gestão. A presidente atual da Petrobras, Magda Chambriard, manifestou desde sua posse em 2024 o interesse de retomar investimentos em fertilizantes, tratando o setor como estratégico para a segurança alimentar e a soberania industrial do Brasil. O investimento de R$ 870 milhões na Ansa é resultado dessa reorientação, e a retomada das obras da UFN-III em Três Lagoas confirma que a decisão não é pontual, mas parte de plano de longo prazo.

O gás natural do pré-sal como matéria-prima da ureia

A conexão entre Petrobras, fertilizantes e gás natural é direta: a ureia é produzida a partir do gás natural, que fornece o hidrogênio necessário para sintetizar amônia, precursora da ureia. O Brasil tem reservas significativas de gás natural no pré-sal, e a integração entre exploração de gás e produção de fertilizantes é uma das vocações estratégicas que a Petrobras pode explorar para agregar valor a um recurso que hoje é parcialmente reinjetado nos poços ou queimado.

O desafio é o preço. O gás natural brasileiro ainda é caro em comparação com o de concorrentes como Rússia, Qatar e Argélia, e essa diferença de custo foi justamente o argumento usado para justificar a paralisação das fábricas em 2020. Se o Brasil quiser que suas plantas de fertilizantes sejam competitivas no longo prazo, o debate sobre o preço do gás natural precisa avançar, envolvendo regulação, tributação e investimentos em infraestrutura de transporte que reduzam o custo do insumo na porta da fábrica.

Você acha que a Petrobras deveria ter parado a fábrica de fertilizantes em 2020 ou o Brasil já pagou caro demais por depender de importações? Conte nos comentários se acredita que o agronegócio brasileiro precisa de ureia nacional e o que pensa sobre a Petrobras voltar a investir em fertilizantes.

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Zé cueca
Zé cueca
11/05/2026 07:09

Claro que as fábricas de fertilizantes fa Petrobrás sai necessárias e Vital para o Brasil.
Pior que essa turma do Agro apoiava o governo passado.
E sinda colocam a culpa na atual gestão

Maria Heloisa Barbosa Borges

Falo sobre construção, mineração, minas brasileiras, petróleo e grandes projetos ferroviários e de engenharia civil. Diariamente escrevo sobre curiosidades do mercado brasileiro.

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