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Governo planeja R$ 530 bilhões em 15 ferrovias, mas a FIOL de 1.527 km entre Bahia e Tocantins espera há décadas — Lula pede entrega até dezembro de 2026

Escrito por Douglas Avila
Publicado em 28/04/2026 às 11:00
Atualizado em 28/04/2026 às 11:11
Ferrovia em construção no Cerrado brasileiro com trilhos sendo assentados
A FIOL terá 1.527 km ligando Ilhéus (BA) a Figueirópolis (TO) — Lula pediu entrega antes de dezembro de 2026
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São 1.527 km de ferrovia entre a Bahia e o Tocantins — e o governo planeja R$ 530 bilhões em 15 ferrovias para transformar a logística do Brasil

A Ferrovia de Integração Oeste-Leste, conhecida como FIOL, é um dos projetos ferroviários mais ambiciosos do Brasil: 1.527 quilômetros de trilhos em bitola larga conectando o Porto Sul, em Ilhéus (BA), à Ferrovia Norte-Sul, em Figueirópolis (TO).

Segundo a Infra S.A., empresa estatal responsável pelo planejamento, a ferrovia visa escoar grãos do oeste baiano e minério do sul da Bahia até o litoral, reduzindo custos logísticos e desafogando rodovias.

Contudo, o projeto está dividido em três trechos — e cada um avança em ritmo diferente, com desafios distintos.

Além disso, a FIOL faz parte de um plano federal muito mais amplo: o Plano Nacional de Ferrovias, que prevê investimentos de R$ 530 bilhões em 15 ativos ferroviários.

Dessa forma, o destino da FIOL pode definir o futuro de toda a malha ferroviária brasileira.

Trem de carga transportando grãos de soja pelo Cerrado brasileiro
Representação artística de trem de carga no Cerrado — a FIOL visa escoar grãos e minério para o Porto Sul

A ferrovia está dividida em 3 trechos — e nenhum foi concluído integralmente

O Trecho 1 da FIOL liga Caetité a Ilhéus, na Bahia, com 537 km de extensão passando por 19 municípios.

De acordo com o governo federal, a responsabilidade pela execução desse trecho foi confiada à empresa Bahia Mineração (Bamin).

Por outro lado, o Trecho 2 (FIOL II) conecta Caetité a Barreiras, no oeste baiano, e está com obras em andamento após lançamento de novo edital em setembro de 2025.

Igualmente, o Trecho 3 (FIOL III) vai de Barreiras até Figueirópolis (TO), mas ainda aguarda licença de instalação — o que significa que as obras nem começaram.

Consequentemente, a FIOL completa só existirá quando todos os três trechos estiverem prontos e conectados — algo que pode levar anos.

Lula pediu que a ferrovia fosse entregue antes de dezembro de 2026 — mas o prazo oficial é 2027

Em julho de 2023, o presidente Lula visitou as obras da FIOL em Ilhéus e fez um pedido direto aos empresários: entregar a ferrovia antes de 31 de dezembro de 2026.

No entanto, o prazo contratual oficial para conclusão do Trecho 1 é 2027 — e mesmo esse prazo é considerado otimista por especialistas do setor.

Da mesma forma, a FIOL foi anunciada como a primeira obra do Novo PAC em 2023, sinalizando a prioridade que o governo dava ao projeto.

Ainda assim, o histórico de ferrovias brasileiras não inspira confiança: a Transnordestina levou quase 20 anos sem conclusão, e o trem-bala Rio–São Paulo acumula 19 anos de atraso.

Portanto, a grande questão é se a FIOL será diferente — ou se seguirá o padrão brasileiro de promessas ferroviárias que nunca se concretizam.

Porto de Ilhéus na Bahia com navios cargueiros atracados
Representação artística do Porto Sul em Ilhéus — destino final da produção que a FIOL transportará

O plano de R$ 530 bilhões em ferrovias: ambicioso no papel, incerto na execução

Conforme reportou a NeoFeed, o governo federal estruturou um plano de R$ 530 bilhões para 15 ativos ferroviários, com R$ 138,6 bilhões já confirmados.

Nesse sentido, a carteira de projetos inclui não apenas a FIOL, mas também a Ferrogrão, a Fico, novas concessões e expansões da malha existente.

Além disso, a expansão da FIOL 2 avançou com novo edital lançado em setembro de 2025, sinalizando algum progresso.

Contudo, o Brasil investe apenas 2,24% do PIB em infraestrutura — metade do necessário — o que levanta dúvidas sobre a capacidade de executar tantos projetos simultaneamente.

Sobretudo, o setor privado já responde por 72% dos investimentos em infraestrutura no país, indicando que o governo não tem recursos suficientes para bancar sozinho o plano.

O que a FIOL pode mudar: do sertão baiano ao comércio internacional

A ferrovia promete transformar a logística de uma região que hoje depende quase exclusivamente de caminhões para escoar produção.

De fato, o trecho entre Caetité e Ilhéus passará por 19 municípios baianos, muitos deles com economia baseada em mineração e agricultura que sofrem com o custo alto do frete rodoviário.

Por consequência, a chegada da ferrovia ao Porto Sul em Ilhéus abriria um corredor de exportação direto para mercados internacionais — reduzindo custos e aumentando a competitividade dos produtos brasileiros.

Como resultado, a região poderia se beneficiar com geração de empregos, aumento da arrecadação e desenvolvimento de cadeias produtivas que hoje são inviáveis pelo custo logístico.

Apesar disso, a ausência de infraestrutura portuária adequada em Ilhéus é outro gargalo que precisará ser resolvido em paralelo.

Obras ferroviárias paralisadas no Brasil com trilhos incompletos
Representação artística de obras ferroviárias atrasadas — o plano de R$ 530 bilhões enfrenta desafios de execução

A Ferrovia Norte-Sul levou 36 anos — a FIOL vai repetir o padrão?

O maior precedente para a FIOL é a Ferrovia Norte-Sul, que levou 36 anos para ser concluída — do início da construção em 1987 até a entrega do último trecho em 2023.

Durante esse período, o projeto passou por governos de todos os espectros políticos, múltiplas paralisações e bilhões em custos adicionais.

No entanto, a Norte-Sul também prova que é possível concluir grandes ferrovias no Brasil — desde que haja continuidade política e compromisso de longo prazo.

A diferença é que a China constrói 2.400 km de alta velocidade POR ANO. O Brasil levou 36 anos para concluir uma única ferrovia de carga.

A FIOL será o teste definitivo: se o governo conseguir entregar os 537 km do Trecho 1 até 2026 ou 2027, haverá esperança para o resto do plano de R$ 530 bilhões. Se não, o ciclo de promessas ferroviárias continuará — e o Brasil seguirá movendo sua riqueza em caminhões.

De fato, a Norte-Sul prova que ferrovias no Brasil levam uma geração inteira para sair do papel — e a FIOL, se seguir o mesmo ritmo, só ficará completa quando os filhos de quem planejou o projeto já tiverem se aposentado.

Apesar disso, o mercado de concessões ferroviárias está aquecido: a ANTT recebeu pedidos de autorização para mais de 20 projetos de ferrovias privadas nos últimos dois anos, sinalizando que o setor privado vê oportunidade onde o governo vê burocracia.

Sobretudo, o custo logístico brasileiro — estimado em 12% do PIB contra 8% nos Estados Unidos — é um peso que toda a economia carrega, do produtor rural ao consumidor final.

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Lucia Corrêa
Lucia Corrêa
02/05/2026 14:19

A direita não produz nada de bom e vive de criticar o Lula

Sandro Valleris de Oliveira Gomes
Sandro Valleris de Oliveira Gomes
02/05/2026 12:33

O Brasil precisa ser pensado como ator geopolítico e não capacho de outras nações. Todo investimento com o objetivo citado na segunda linha tem que ser prioridade e todos os fatores…que impeçam esse objetivo devem ser estudados e debatidos com nossa sociedade.

Alisson
Alisson
01/05/2026 18:23

Uma levou 36 anos,e a fiol nunca vai ser entregue,só vai servir de mais uma fonte de renda para os **** dos poderes

Douglas Avila

Trabalho com tecnologia há 16 anos, hoje 100% focado em IA. Atuo como CAIO (Chief AI Officer) em São Paulo, com foco em receita. Formado em Sistemas para Internet pelo Senac. No Click Petróleo e Gás escrevo sobre tecnologia e inovação aplicadas aos setores estratégicos da economia brasileira: energia, indústria, transporte marítimo, automotivo, ciência e engenharia

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