São 1.527 km de ferrovia entre a Bahia e o Tocantins — e o governo planeja R$ 530 bilhões em 15 ferrovias para transformar a logística do Brasil
A Ferrovia de Integração Oeste-Leste, conhecida como FIOL, é um dos projetos ferroviários mais ambiciosos do Brasil: 1.527 quilômetros de trilhos em bitola larga conectando o Porto Sul, em Ilhéus (BA), à Ferrovia Norte-Sul, em Figueirópolis (TO).
Segundo a Infra S.A., empresa estatal responsável pelo planejamento, a ferrovia visa escoar grãos do oeste baiano e minério do sul da Bahia até o litoral, reduzindo custos logísticos e desafogando rodovias.
Contudo, o projeto está dividido em três trechos — e cada um avança em ritmo diferente, com desafios distintos.
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Além disso, a FIOL faz parte de um plano federal muito mais amplo: o Plano Nacional de Ferrovias, que prevê investimentos de R$ 530 bilhões em 15 ativos ferroviários.
Dessa forma, o destino da FIOL pode definir o futuro de toda a malha ferroviária brasileira.

A ferrovia está dividida em 3 trechos — e nenhum foi concluído integralmente
O Trecho 1 da FIOL liga Caetité a Ilhéus, na Bahia, com 537 km de extensão passando por 19 municípios.
De acordo com o governo federal, a responsabilidade pela execução desse trecho foi confiada à empresa Bahia Mineração (Bamin).
Por outro lado, o Trecho 2 (FIOL II) conecta Caetité a Barreiras, no oeste baiano, e está com obras em andamento após lançamento de novo edital em setembro de 2025.
Igualmente, o Trecho 3 (FIOL III) vai de Barreiras até Figueirópolis (TO), mas ainda aguarda licença de instalação — o que significa que as obras nem começaram.
Consequentemente, a FIOL completa só existirá quando todos os três trechos estiverem prontos e conectados — algo que pode levar anos.
Lula pediu que a ferrovia fosse entregue antes de dezembro de 2026 — mas o prazo oficial é 2027
Em julho de 2023, o presidente Lula visitou as obras da FIOL em Ilhéus e fez um pedido direto aos empresários: entregar a ferrovia antes de 31 de dezembro de 2026.
No entanto, o prazo contratual oficial para conclusão do Trecho 1 é 2027 — e mesmo esse prazo é considerado otimista por especialistas do setor.
Da mesma forma, a FIOL foi anunciada como a primeira obra do Novo PAC em 2023, sinalizando a prioridade que o governo dava ao projeto.
Ainda assim, o histórico de ferrovias brasileiras não inspira confiança: a Transnordestina levou quase 20 anos sem conclusão, e o trem-bala Rio–São Paulo acumula 19 anos de atraso.
Portanto, a grande questão é se a FIOL será diferente — ou se seguirá o padrão brasileiro de promessas ferroviárias que nunca se concretizam.

O plano de R$ 530 bilhões em ferrovias: ambicioso no papel, incerto na execução
Conforme reportou a NeoFeed, o governo federal estruturou um plano de R$ 530 bilhões para 15 ativos ferroviários, com R$ 138,6 bilhões já confirmados.
Nesse sentido, a carteira de projetos inclui não apenas a FIOL, mas também a Ferrogrão, a Fico, novas concessões e expansões da malha existente.
Além disso, a expansão da FIOL 2 avançou com novo edital lançado em setembro de 2025, sinalizando algum progresso.
Contudo, o Brasil investe apenas 2,24% do PIB em infraestrutura — metade do necessário — o que levanta dúvidas sobre a capacidade de executar tantos projetos simultaneamente.
Sobretudo, o setor privado já responde por 72% dos investimentos em infraestrutura no país, indicando que o governo não tem recursos suficientes para bancar sozinho o plano.
O que a FIOL pode mudar: do sertão baiano ao comércio internacional
A ferrovia promete transformar a logística de uma região que hoje depende quase exclusivamente de caminhões para escoar produção.
De fato, o trecho entre Caetité e Ilhéus passará por 19 municípios baianos, muitos deles com economia baseada em mineração e agricultura que sofrem com o custo alto do frete rodoviário.
Por consequência, a chegada da ferrovia ao Porto Sul em Ilhéus abriria um corredor de exportação direto para mercados internacionais — reduzindo custos e aumentando a competitividade dos produtos brasileiros.
Como resultado, a região poderia se beneficiar com geração de empregos, aumento da arrecadação e desenvolvimento de cadeias produtivas que hoje são inviáveis pelo custo logístico.
Apesar disso, a ausência de infraestrutura portuária adequada em Ilhéus é outro gargalo que precisará ser resolvido em paralelo.

A Ferrovia Norte-Sul levou 36 anos — a FIOL vai repetir o padrão?
O maior precedente para a FIOL é a Ferrovia Norte-Sul, que levou 36 anos para ser concluída — do início da construção em 1987 até a entrega do último trecho em 2023.
Durante esse período, o projeto passou por governos de todos os espectros políticos, múltiplas paralisações e bilhões em custos adicionais.
No entanto, a Norte-Sul também prova que é possível concluir grandes ferrovias no Brasil — desde que haja continuidade política e compromisso de longo prazo.
A diferença é que a China constrói 2.400 km de alta velocidade POR ANO. O Brasil levou 36 anos para concluir uma única ferrovia de carga.
A FIOL será o teste definitivo: se o governo conseguir entregar os 537 km do Trecho 1 até 2026 ou 2027, haverá esperança para o resto do plano de R$ 530 bilhões. Se não, o ciclo de promessas ferroviárias continuará — e o Brasil seguirá movendo sua riqueza em caminhões.
De fato, a Norte-Sul prova que ferrovias no Brasil levam uma geração inteira para sair do papel — e a FIOL, se seguir o mesmo ritmo, só ficará completa quando os filhos de quem planejou o projeto já tiverem se aposentado.
Apesar disso, o mercado de concessões ferroviárias está aquecido: a ANTT recebeu pedidos de autorização para mais de 20 projetos de ferrovias privadas nos últimos dois anos, sinalizando que o setor privado vê oportunidade onde o governo vê burocracia.
Sobretudo, o custo logístico brasileiro — estimado em 12% do PIB contra 8% nos Estados Unidos — é um peso que toda a economia carrega, do produtor rural ao consumidor final.

A direita não produz nada de bom e vive de criticar o Lula
Obrigado pelo comentário, Lucia. Vale destacar que a FIOL atravessou governos de partidos diferentes desde 2010 — começou no governo Lula, foi continuada por Dilma, Temer e Bolsonaro, e segue em obras agora. A entrega do trecho 1 está prevista para dezembro de 2026.
O Brasil precisa ser pensado como ator geopolítico e não capacho de outras nações. Todo investimento com o objetivo citado na segunda linha tem que ser prioridade e todos os fatores…que impeçam esse objetivo devem ser estudados e debatidos com nossa sociedade.
Concordo, Sandro. A FIOL é exatamente o tipo de obra que decide se o Brasil escoa via Atlântico ou Pacífico — e isso muda quem nos compra. A entrega prometida para dezembro de 2026 vai mostrar se a logística vira prioridade de Estado.
Uma levou 36 anos,e a fiol nunca vai ser entregue,só vai servir de mais uma fonte de renda para os **** dos poderes
Entendo o ceticismo, Alisson — o histórico do trecho é pesado mesmo. A FIOL 1 ficou paralisada após a Bamin desistir, e a entrega prometida para dezembro de 2026 depende de retomada de canteiros parados há anos. O prazo é apertado, e a execução é o que vai contar, não o anúncio.