Levantamento divulgado em 2025 pela Confederação Nacional da Indústria detalha custos bilionários, impacto na folha de pagamentos e efeitos regionais da proposta de redução da jornada semanal
Uma possível mudança na jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, com o fim da escala 6×1, pode provocar forte impacto econômico nos estados brasileiros.
Segundo estudo divulgado em 2025 pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o aumento estimado nos custos pode chegar a R$ 95,83 bilhões, considerando apenas o impacto direto nos estados.
Além disso, conforme o levantamento técnico da entidade, até 26 milhões de vínculos formais poderiam ser afetados nos estados mais impactados.
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De acordo com a CNI, os resultados variam conforme a estrutura produtiva regional, o peso do emprego formal na economia local e a proporção de trabalhadores com jornada próxima a 44 horas semanais.
Ainda assim, o estudo sustenta que o impacto seria significativo e desigual em todo o país.
Impacto imediato na folha de pagamentos
Inicialmente, a análise aponta que, caso a jornada seja reduzida, as empresas precisarão recompor o volume de trabalho.
Nesse cenário, os custos anuais adicionais poderiam atingir R$ 267,2 bilhões, o que representaria aumento médio de 7% na folha de pagamentos.
Segundo a CNI, esses valores correspondem ao custo adicional necessário para manter a produção atual. Ou seja, as empresas teriam que pagar horas extras para compensar a redução do tempo de trabalho.
Além disso, o estudo destaca que haveria aumento aproximado de 10% no valor da hora regular trabalhada para contratos ajustados às 40 horas semanais.
Por outro lado, caso as horas reduzidas não sejam recompostas, a entidade afirma que poderá ocorrer retração da atividade econômica.
Estados mais impactados pelo fim da escala 6×1

Conforme os dados apresentados pela CNI, alguns estados concentram os maiores impactos financeiros e trabalhistas.
Entre os mais afetados, destacam-se:
• Minas Gerais: aumento de R$ 25,55 bilhões | redução estimada de 6,09 milhões de vínculos formais
• Paraná: aumento de R$ 19,58 bilhões | redução estimada de 3,72 milhões de vínculos formais
• Rio Grande do Sul: aumento de R$ 17,67 bilhões | redução estimada de 3,29 milhões de vínculos formais
• Santa Catarina: aumento de R$ 17,13 bilhões | redução estimada de 2,86 milhões de vínculos formais
• Rio de Janeiro: aumento de R$ 17,96 bilhões | redução estimada de 3,29 milhões de vínculos formais
Enquanto isso, o Sudeste continuaria concentrando o maior impacto absoluto, especialmente em valores financeiros.
Cenários econômicos avaliados pela CNI
Para aprofundar a avaliação técnica, a CNI examinou dois cenários distintos.
No primeiro cenário, as empresas manteriam o total de horas trabalhadas por meio do pagamento de horas extras. Nesse caso, as indústrias da Região Sul teriam aumento estimado de até 8,1% nos custos.
Em seguida, o Sudeste registraria impacto de 7,3%, seguido pelo Nordeste, com 6,1%. Além disso, as regiões Norte e Centro-Oeste teriam elevação estimada de 5,5% cada.
No segundo cenário, entretanto, as horas reduzidas seriam recompostas por meio da contratação de outros trabalhadores. Assim, os percentuais seriam menores, mas a ordem regional permaneceria a mesma. Dessa forma, o Sul teria aumento de 5,4%, o Sudeste de 4,9%, o Nordeste de 4,1%, e Norte e Centro-Oeste de 3,7% cada.
Ainda assim, mesmo nesse cenário, o Sudeste concentraria o maior impacto absoluto, com custos estimados em R$ 95,8 bilhões.
Debate econômico em curso
Diante dos dados apresentados pela Confederação Nacional da Indústria, o debate sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada de trabalho permanece no centro das discussões econômicas nacionais em 2025.
Enquanto setores produtivos avaliam os impactos sobre custos e empregos formais, a análise técnica da CNI reforça que a decisão envolve efeitos econômicos amplos e regionalmente desiguais.
A questão, portanto, segue em aberto: o Brasil deve priorizar a redução da jornada como avanço trabalhista ou considerar os impactos estimados sobre custos, folha de pagamentos e empregos formais antes de avançar com a mudança?

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