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Fim do acabamento manual no drywall: robôs reduzem prazos em até 60%, cortam cerca de 40% da mão de obra e levam IA, sensores e cobots para uma etapa ainda dominada pelo esforço físico na construção

Escrito por Carla Teles
Publicado em 26/05/2026 às 19:09
Atualizado em 26/05/2026 às 19:14
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Robôs com IA, sensores e cobots já assumem o acabamento em drywall, reduzem prazos em até 60% e cortam cerca de 40% da mão de obra na construção. Imagem: Canvas
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Nos Estados Unidos, robôs da Canvas usam UR10e, IA e sensores para aplicar e lixar composto em drywall, reduzindo prazos em até 60% e mão de obra em cerca de 40%. A solução trabalha em canteiros dinâmicos, alcança mais de 15 pés e busca melhorar segurança e ergonomia dos trabalhadores.

Os robôs estão entrando em uma das etapas mais cansativas da construção: o acabamento em drywall. A startup Canvas, de San Francisco, desenvolveu uma plataforma móvel com sensores, inteligência artificial e cobots UR10e para aplicar e lixar composto em paredes internas.

A proposta mira um trabalho tradicionalmente manual, repetitivo e fisicamente pesado. Segundo a empresa, a tecnologia pode reduzir os prazos de acabamento em até 60% e cortar a necessidade de mão de obra em cerca de 40%, sem eliminar a presença humana do canteiro.

Robôs assumem aplicação e lixamento no drywall

O sistema da Canvas foi criado para executar duas tarefas centrais no acabamento do drywall: pulverizar o composto nas juntas e superfícies e depois realizar o lixamento. Essas etapas costumam exigir retornos sucessivos à mesma parede, esforço físico constante e alta repetição.

Com o uso dos robôs, a empresa afirma que trabalhos que antes levavam de cinco a sete dias podem ser concluídos em cerca de dois dias, tanto em acabamento Level 4, focado nas juntas do drywall, quanto em Level 5, aplicado em toda a parede.

A diferença está na repetição organizada da máquina. Segundo Kevin Albert, cofundador e CEO da Canvas, em uma abordagem manual, 20 mil pés quadrados de parede podem representar cerca de 100 mil pés quadrados de trabalho, porque o trabalhador precisa voltar várias vezes ao mesmo local.

Com a plataforma robótica, esse retorno é reduzido. A máquina precisa voltar à mesma parede apenas algumas vezes, o que encurta o cronograma e torna a etapa mais previsível dentro da obra.

IA e sensores ajudam máquina a entender o canteiro

Robôs com IA, sensores e cobots já assumem o acabamento em drywall, reduzem prazos em até 60% e cortam cerca de 40% da mão de obra na construção.
Imagem: Canvas

Um dos maiores desafios para levar robôs à construção civil é que cada canteiro muda o tempo todo. Diferentemente de fábricas e centros logísticos, onde o ambiente é mais padronizado, obras têm paredes, obstáculos, acessos e superfícies diferentes a cada projeto.

A Canvas afirma que resolveu parte desse problema com uma plataforma equipada com sensores avançados e IA. O sistema detecta automaticamente o local e começa a trabalhar sem exigir mapeamento prévio detalhado.

Isso é importante porque reduz a barreira de adoção. Se cada obra exigisse uma preparação longa antes da entrada da máquina, o ganho de produtividade poderia desaparecer.

A ideia é levar o robô para dentro do edifício, posicioná-lo e iniciar o acabamento com menor dependência de planos prévios. Para um canteiro dinâmico, essa adaptação é parte central da tecnologia.

Cobots UR10e dão força e controle ao sistema

No centro da solução está o cobot UR10e, da Universal Robots. A Canvas escolheu esse braço robótico por combinar força, leveza e controle suficiente para operar em uma plataforma móvel.

Segundo Kevin Albert, o UR10e é um dos robôs mais leves para a força que entrega. Essa característica foi importante porque a máquina precisava alcançar alturas superiores a 15 pés sem comprometer estabilidade.

O controle de força também é decisivo no drywall. O composto aplicado nas paredes é um material delicado, que pode ser riscado até com a unha, segundo a descrição da empresa.

Maria Telleria, cofundadora e CTO da Canvas, destaca que o controle de força integrado ao braço robótico permite aplicação precisa e suave. A empresa afirma que não precisou usar controle de força externo, porque o recurso já faz parte do robô.

Segurança e ergonomia viram parte do ganho

Robôs com IA, sensores e cobots já assumem o acabamento em drywall, reduzem prazos em até 60% e cortam cerca de 40% da mão de obra na construção.
Imagem: Canvas

A velocidade não é o único argumento da automação. A Canvas também destaca ganhos de segurança e ergonomia, especialmente porque o acabamento e o lixamento em drywall são atividades repetitivas e fisicamente exigentes.

Kevin Albert afirma que um em cada quatro trabalhadores da construção termina a carreira com problema musculoesquelético relacionado a tarefas repetitivas e pesadas. A proposta da empresa é tirar dos trabalhadores a parte mais dura desse processo.

Nesse modelo, os robôs assumem o esforço principal, enquanto os profissionais passam a coordenar a operação, acompanhar a execução e cuidar de áreas mais complexas ou detalhadas.

Esse ponto foi importante para a aceitação junto a sindicatos, segundo a Canvas. A empresa apresentou a tecnologia como ferramenta para produtividade, bem-estar e mobilidade profissional, não apenas como substituição direta de trabalhadores.

Redução de mão de obra não significa canteiro sem pessoas

A empresa fala em redução de aproximadamente 40% da mão de obra necessária para o acabamento em drywall, mas isso não significa obra sem trabalhadores. O modelo depende de operadores, planejamento, deslocamento da plataforma e acompanhamento da execução.

A automação muda o tipo de trabalho exigido. Em vez de manter equipes grandes em tarefas repetitivas de aplicação e lixamento, parte da função passa para coordenação, controle e acabamento em pontos específicos.

Esse detalhe é importante para evitar uma leitura simplista. A tecnologia não retira toda a complexidade do canteiro, mas reorganiza a etapa de acabamento.

Para empresas de construção, o interesse está na combinação entre prazo menor, menor esforço físico e mais previsibilidade. Para trabalhadores, a questão central é como essa transição será feita e quais funções serão criadas ou valorizadas.

Plataforma móvel foi pensada para obra real

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A Canvas precisou desenvolver uma solução leve, forte e móvel para funcionar dentro de edifícios em construção. A máquina precisa circular, alcançar paredes altas e lidar com variações de espaço.

Além da aplicação e do lixamento, o sistema precisa manipular o composto de drywall com precisão. O desafio é equilibrar força, delicadeza e mobilidade em uma etapa que antes dependia quase totalmente da habilidade manual.

Outro fator destacado foi a maturidade da plataforma Universal Robots. Segundo a Canvas, apenas dois meses após receber o primeiro cobot UR, a empresa já realizava seu primeiro trabalho.

A abertura do software também ajudou no desenvolvimento. A equipe podia acessar dados de sensores e personalizar controles em níveis mais baixos, adaptando o robô às exigências da aplicação em drywall.

Construção enfrenta falta de mão de obra

A automação aparece em um momento de pressão sobre a construção. Kevin Albert afirma que será necessário construir muito mais nas próximas décadas, enquanto o setor enfrenta aposentadorias e dificuldade para atrair novos profissionais.

Nesse cenário, máquinas colaborativas podem ajudar a aliviar etapas com maior desgaste físico. O objetivo declarado não é apenas acelerar obras, mas tornar certas funções menos agressivas ao corpo.

A escassez de trabalhadores torna o acabamento em drywall um alvo natural para automação. É uma etapa repetitiva, exige força, técnica e retorno constante às mesmas superfícies.

Se a tecnologia funcionar em escala, pode liberar equipes para atividades de maior coordenação e reduzir atrasos em cronogramas apertados, especialmente em obras de interiores.

Canvas já mira robôs mais altos e pintura

A Canvas vê o sistema atual como uma primeira etapa. A empresa pretende desenvolver robôs mais altos, capazes de alcançar acima de 20 pés, reduzindo ainda mais riscos de queda e melhorando a segurança em áreas elevadas.

Outro caminho natural é a pintura. Como a plataforma já trabalha com pulverização de material, a empresa enxerga essa aplicação como uma extensão possível da tecnologia.

Isso mostra que o drywall pode ser apenas o começo. O acabamento interno, historicamente feito com ferramentas manuais, começa a receber máquinas pesadas adaptadas ao ambiente de construção.

Se a automação avançar para outras etapas, canteiros podem passar por uma mudança semelhante à que já ocorreu em fábricas: menos esforço repetitivo direto e mais coordenação técnica de sistemas.

Robôs podem mudar o acabamento interno das obras

Os robôs da Canvas mostram como a construção civil começa a automatizar etapas que pareciam resistentes à tecnologia. O acabamento em drywall, antes dominado por aplicação manual, lixamento pesado e retorno constante à mesma parede, passa a contar com IA, sensores e cobots.

Com redução de prazos em até 60%, corte aproximado de 40% da mão de obra e foco em ergonomia, a solução promete mudar a lógica do acabamento interno. A grande questão agora é como essa tecnologia será incorporada sem deixar trabalhadores para trás.

Para construtoras, o ganho está em velocidade, precisão e previsibilidade. Para profissionais, o desafio é se adaptar a um canteiro onde o esforço físico pesado começa a dividir espaço com máquinas colaborativas.

E você, acha que robôs no acabamento em drywall são avanço necessário para obras mais rápidas e seguras, ou essa automação pode pressionar demais os trabalhadores da construção? Comente sua opinião.

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Carla Teles

Produzo conteúdos diários sobre economia, curiosidades, setor automotivo, tecnologia, inovação, construção e setor de petróleo e gás, com foco no que realmente importa para o mercado brasileiro. Aqui, você encontra oportunidades de trabalho atualizadas e as principais movimentações da indústria. Tem uma sugestão de pauta ou quer divulgar sua vaga? Fale comigo: carlatdl016@gmail.com

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