Nos Estados Unidos, robôs da Canvas usam UR10e, IA e sensores para aplicar e lixar composto em drywall, reduzindo prazos em até 60% e mão de obra em cerca de 40%. A solução trabalha em canteiros dinâmicos, alcança mais de 15 pés e busca melhorar segurança e ergonomia dos trabalhadores.
Os robôs estão entrando em uma das etapas mais cansativas da construção: o acabamento em drywall. A startup Canvas, de San Francisco, desenvolveu uma plataforma móvel com sensores, inteligência artificial e cobots UR10e para aplicar e lixar composto em paredes internas.
A proposta mira um trabalho tradicionalmente manual, repetitivo e fisicamente pesado. Segundo a empresa, a tecnologia pode reduzir os prazos de acabamento em até 60% e cortar a necessidade de mão de obra em cerca de 40%, sem eliminar a presença humana do canteiro.
Robôs assumem aplicação e lixamento no drywall
O sistema da Canvas foi criado para executar duas tarefas centrais no acabamento do drywall: pulverizar o composto nas juntas e superfícies e depois realizar o lixamento. Essas etapas costumam exigir retornos sucessivos à mesma parede, esforço físico constante e alta repetição.
-
Enquanto cientistas testam bolas gigantes no fundo do mar, startup quer afundar tanques de concreto e aço presos por gaiolas cheias de pedras a até 700 metros de profundidade para transformar ar comprimido em bateria submarina invisível
-
Ex-engenheiro da NASA transforma drones em “helicópteros de sementes” capazes de disparar 300 bolas por minuto, mirar áreas degradadas com precisão de meio metro e plantar até 40 milhões de árvores por ano em uma nova corrida de reflorestamento aéreo
-
Brasil coloca drones para despejar sementes em encostas quase inacessíveis e tenta transformar morros degradados em floresta com plantio aéreo até 100 vezes mais rápido, em ofensiva verde lançada no Rio de Janeiro
-
A África está se rachando mais rápido do que a ciência previa, a crosta no centro da fenda tem só 13 quilômetros de espessura em alguns trechos, e pesquisadores dizem que o continente atingiu o limite crítico de rompimento que pode formar um novo oceano
Com o uso dos robôs, a empresa afirma que trabalhos que antes levavam de cinco a sete dias podem ser concluídos em cerca de dois dias, tanto em acabamento Level 4, focado nas juntas do drywall, quanto em Level 5, aplicado em toda a parede.
A diferença está na repetição organizada da máquina. Segundo Kevin Albert, cofundador e CEO da Canvas, em uma abordagem manual, 20 mil pés quadrados de parede podem representar cerca de 100 mil pés quadrados de trabalho, porque o trabalhador precisa voltar várias vezes ao mesmo local.
Com a plataforma robótica, esse retorno é reduzido. A máquina precisa voltar à mesma parede apenas algumas vezes, o que encurta o cronograma e torna a etapa mais previsível dentro da obra.
IA e sensores ajudam máquina a entender o canteiro

Um dos maiores desafios para levar robôs à construção civil é que cada canteiro muda o tempo todo. Diferentemente de fábricas e centros logísticos, onde o ambiente é mais padronizado, obras têm paredes, obstáculos, acessos e superfícies diferentes a cada projeto.
A Canvas afirma que resolveu parte desse problema com uma plataforma equipada com sensores avançados e IA. O sistema detecta automaticamente o local e começa a trabalhar sem exigir mapeamento prévio detalhado.
Isso é importante porque reduz a barreira de adoção. Se cada obra exigisse uma preparação longa antes da entrada da máquina, o ganho de produtividade poderia desaparecer.
A ideia é levar o robô para dentro do edifício, posicioná-lo e iniciar o acabamento com menor dependência de planos prévios. Para um canteiro dinâmico, essa adaptação é parte central da tecnologia.
Cobots UR10e dão força e controle ao sistema
No centro da solução está o cobot UR10e, da Universal Robots. A Canvas escolheu esse braço robótico por combinar força, leveza e controle suficiente para operar em uma plataforma móvel.
Segundo Kevin Albert, o UR10e é um dos robôs mais leves para a força que entrega. Essa característica foi importante porque a máquina precisava alcançar alturas superiores a 15 pés sem comprometer estabilidade.
O controle de força também é decisivo no drywall. O composto aplicado nas paredes é um material delicado, que pode ser riscado até com a unha, segundo a descrição da empresa.
Maria Telleria, cofundadora e CTO da Canvas, destaca que o controle de força integrado ao braço robótico permite aplicação precisa e suave. A empresa afirma que não precisou usar controle de força externo, porque o recurso já faz parte do robô.
Segurança e ergonomia viram parte do ganho

A velocidade não é o único argumento da automação. A Canvas também destaca ganhos de segurança e ergonomia, especialmente porque o acabamento e o lixamento em drywall são atividades repetitivas e fisicamente exigentes.
Kevin Albert afirma que um em cada quatro trabalhadores da construção termina a carreira com problema musculoesquelético relacionado a tarefas repetitivas e pesadas. A proposta da empresa é tirar dos trabalhadores a parte mais dura desse processo.
Nesse modelo, os robôs assumem o esforço principal, enquanto os profissionais passam a coordenar a operação, acompanhar a execução e cuidar de áreas mais complexas ou detalhadas.
Esse ponto foi importante para a aceitação junto a sindicatos, segundo a Canvas. A empresa apresentou a tecnologia como ferramenta para produtividade, bem-estar e mobilidade profissional, não apenas como substituição direta de trabalhadores.
Redução de mão de obra não significa canteiro sem pessoas
A empresa fala em redução de aproximadamente 40% da mão de obra necessária para o acabamento em drywall, mas isso não significa obra sem trabalhadores. O modelo depende de operadores, planejamento, deslocamento da plataforma e acompanhamento da execução.
A automação muda o tipo de trabalho exigido. Em vez de manter equipes grandes em tarefas repetitivas de aplicação e lixamento, parte da função passa para coordenação, controle e acabamento em pontos específicos.
Esse detalhe é importante para evitar uma leitura simplista. A tecnologia não retira toda a complexidade do canteiro, mas reorganiza a etapa de acabamento.
Para empresas de construção, o interesse está na combinação entre prazo menor, menor esforço físico e mais previsibilidade. Para trabalhadores, a questão central é como essa transição será feita e quais funções serão criadas ou valorizadas.
Plataforma móvel foi pensada para obra real
A Canvas precisou desenvolver uma solução leve, forte e móvel para funcionar dentro de edifícios em construção. A máquina precisa circular, alcançar paredes altas e lidar com variações de espaço.
Além da aplicação e do lixamento, o sistema precisa manipular o composto de drywall com precisão. O desafio é equilibrar força, delicadeza e mobilidade em uma etapa que antes dependia quase totalmente da habilidade manual.
Outro fator destacado foi a maturidade da plataforma Universal Robots. Segundo a Canvas, apenas dois meses após receber o primeiro cobot UR, a empresa já realizava seu primeiro trabalho.
A abertura do software também ajudou no desenvolvimento. A equipe podia acessar dados de sensores e personalizar controles em níveis mais baixos, adaptando o robô às exigências da aplicação em drywall.
Construção enfrenta falta de mão de obra
A automação aparece em um momento de pressão sobre a construção. Kevin Albert afirma que será necessário construir muito mais nas próximas décadas, enquanto o setor enfrenta aposentadorias e dificuldade para atrair novos profissionais.
Nesse cenário, máquinas colaborativas podem ajudar a aliviar etapas com maior desgaste físico. O objetivo declarado não é apenas acelerar obras, mas tornar certas funções menos agressivas ao corpo.
A escassez de trabalhadores torna o acabamento em drywall um alvo natural para automação. É uma etapa repetitiva, exige força, técnica e retorno constante às mesmas superfícies.
Se a tecnologia funcionar em escala, pode liberar equipes para atividades de maior coordenação e reduzir atrasos em cronogramas apertados, especialmente em obras de interiores.
Canvas já mira robôs mais altos e pintura
A Canvas vê o sistema atual como uma primeira etapa. A empresa pretende desenvolver robôs mais altos, capazes de alcançar acima de 20 pés, reduzindo ainda mais riscos de queda e melhorando a segurança em áreas elevadas.
Outro caminho natural é a pintura. Como a plataforma já trabalha com pulverização de material, a empresa enxerga essa aplicação como uma extensão possível da tecnologia.
Isso mostra que o drywall pode ser apenas o começo. O acabamento interno, historicamente feito com ferramentas manuais, começa a receber máquinas pesadas adaptadas ao ambiente de construção.
Se a automação avançar para outras etapas, canteiros podem passar por uma mudança semelhante à que já ocorreu em fábricas: menos esforço repetitivo direto e mais coordenação técnica de sistemas.
Robôs podem mudar o acabamento interno das obras
Os robôs da Canvas mostram como a construção civil começa a automatizar etapas que pareciam resistentes à tecnologia. O acabamento em drywall, antes dominado por aplicação manual, lixamento pesado e retorno constante à mesma parede, passa a contar com IA, sensores e cobots.
Com redução de prazos em até 60%, corte aproximado de 40% da mão de obra e foco em ergonomia, a solução promete mudar a lógica do acabamento interno. A grande questão agora é como essa tecnologia será incorporada sem deixar trabalhadores para trás.
Para construtoras, o ganho está em velocidade, precisão e previsibilidade. Para profissionais, o desafio é se adaptar a um canteiro onde o esforço físico pesado começa a dividir espaço com máquinas colaborativas.
E você, acha que robôs no acabamento em drywall são avanço necessário para obras mais rápidas e seguras, ou essa automação pode pressionar demais os trabalhadores da construção? Comente sua opinião.


-
1 pessoa reagiu a isso.