Baixo volume de vendas, reorganização de portfólios, fim de estoques importados e novas exigências de emissões estão entre os motivos que encerraram a trajetória de modelos de nove marcas no mercado brasileiro ao longo de 2026.
O mercado brasileiro de carros novos perdeu 14 modelos em 2026, entre SUVs, picapes, sedãs, compactos e elétricos. As retiradas atingiram veículos de diferentes faixas de preço e tecnologias, com razões que vão de mudanças estratégicas das fabricantes ao fim de lotes disponíveis nas concessionárias.
A relação não inclui o JAC E-JS1. Apesar da redução da gama da fabricante e do foco maior em picapes, o compacto elétrico ainda permanecia disponível, diferentemente do E-JS4 e do E-J7, cujas unidades já haviam desaparecido das revendas.
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Nissan encerra ciclos de Frontier, Sentra e Kicks Play
A Nissan Frontier está entre as baixas mais recentes. Depois do encerramento da produção na Argentina e do esgotamento das unidades nas lojas brasileiras, a geração atual da picape deixou o mercado, fazendo a Nissan ficar temporariamente sem representante no segmento de médias.
As últimas unidades eram oferecidas principalmente nas versões Attack, Platinum e Pro-4X, equipadas com motor 2.3 biturbo diesel de até 190 cv, câmbio automático de sete marchas e tração 4×4. A fabricante já anunciou que pretende retornar ao segmento com uma sucessora.
O Sentra também teve sua comercialização encerrada depois de aproximadamente três anos da geração mais recente no país. A Nissan informou que a retirada faz parte do ciclo de vida do veículo e que detalhes de sua nova estratégia de produtos serão apresentados posteriormente.
Outro nome retirado do catálogo foi o Kicks Play, baseado na geração anterior do SUV. O modelo abriu espaço para o Kait, que preserva o motor 1.6 aspirado de 113 cv e 15,5 kgfm, combinado ao câmbio automático CVT com sete marchas simuladas.
Elétricos também perderam espaço
O Renault Kwid E-Tech encerrou sua trajetória depois de ter chegado ao mercado brasileiro em 2022. O compacto enfrentou um ambiente mais competitivo com a expansão dos elétricos chineses e chegou à linha 2026 antes de deixar o portfólio da fabricante.
Seu motor entregava 65 cv de potência e 11,3 kgfm de torque, enquanto a autonomia homologada pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) era de 185 km.
Também saiu de cena o Chevrolet Equinox EV, lançado no país em 2024. A versão Premier estreou por R$ 419.990 e chegou a R$ 349.990 antes do encerramento da comercialização, mesmo após a redução de preço promovida pela marca.
O SUV tinha dois motores elétricos, com potência combinada de 292 cv e torque de 46 kgfm, além de bateria de 85 kWh. No Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular, a autonomia homologada chegava a 443 km.
A BMW retirou dois elétricos de sua oferta. O iX, lançado no Brasil em 2022, deixou de ser comercializado durante uma reorganização interna da gama e oferecia, na versão xDrive50 Sport, 523 cv e autonomia homologada de até 528 km.
O BMW i5 saiu no mesmo movimento. Comercializado no país apenas na configuração M60, o sedã tinha dois motores elétricos, potência de 598 cv, aceleração de zero a 100 km/h em 3,8 segundos e autonomia homologada de 391 km.
BMW e JAC enxugam seus portfólios
Além dos elétricos, a BMW retirou o X4 do catálogo brasileiro. O SUV cupê deixou de ser oferecido dentro de uma reorganização internacional da gama, depois de ter sido vendido por valores que variavam aproximadamente entre R$ 441 mil e R$ 650 mil, conforme a versão.
Na JAC, E-JS4 e E-J7 deixaram de ser encontrados nas concessionárias, embora páginas dos dois modelos ainda aparecessem no site da marca. A mudança ocorreu enquanto a operação brasileira direcionava maior atenção ao segmento de picapes.
O E-JS4 era um SUV elétrico anunciado por R$ 254.900. O sedã E-J7, também movido exclusivamente a eletricidade, entregava 193 cv e tinha preço tabelado em R$ 259.900 antes de desaparecer das revendas.
A situação do E-JS1 permaneceu diferente: o compacto ainda aparecia no showroom da JAC. Por isso, uma possível retirada futura não foi tratada como fato consumado e o modelo ficou fora da contagem de 14 carros efetivamente retirados da oferta.
Emissões atingem Pajero Sport e Jimny Sierra
O Mitsubishi Pajero Sport deixou o mercado porque seu motor 2.4 turbodiesel não recebeu as atualizações necessárias para atender às exigências do Proconve L8. Sem a adequação, a Mitsubishi não lançou a linha 2026 e encerrou as vendas das últimas unidades ano-modelo 2025.
Importado da Tailândia, o SUV de sete lugares utilizava uma plataforma relacionada à antiga L200. A retirada ocorreu sem uma data confirmada para que uma nova geração do Pajero Sport assuma seu lugar no mercado brasileiro.
As regras de emissões também pesaram sobre o Suzuki Jimny Sierra. As lojas venderam o último lote trazido do Japão, enquanto o motor 1.5 a gasolina deixou de atender às exigências necessárias para a continuidade da importação do pequeno 4×4.
Com o fim desse estoque, o Jimny Sierra saiu da oferta de veículos novos da Suzuki. O grupo HPE, responsável pela operação da marca no Brasil, passou a apostar no elétrico e Vitara como novo produto de seu portfólio.
Grand Cherokee 4xe e Forester completam as baixas
O Jeep Grand Cherokee 4xe também deixou de ser vendido no país. Importado dos Estados Unidos, o SUV híbrido plug-in combinava um motor 2.0 turbo a gasolina com dois propulsores elétricos, conjunto que entregava 380 cv e 64 kgfm de torque.
O baixo volume comercial pesou na retirada, com 247 unidades vendidas desde o lançamento, conforme o material que registrou o fim da comercialização. A Jeep passou a concentrar sua estratégia de eletrificação em outros produtos, incluindo projetos híbridos destinados à produção nacional.
O Subaru Forester completa a relação. As últimas unidades disponíveis eram ano-modelo 2023, importadas do Japão, e foram vendidas antes do fechamento da última loja dedicada à comercialização de automóveis novos da marca no Brasil.
O encerramento das vendas do Forester deixou a Subaru sem veículos novos no país. A marca continuou representada pelo Grupo Caoa para atendimento aos proprietários, mas não havia novos lotes de automóveis anunciados para reposição daquele estoque.

