A entrada da marca alemã no país reforça o avanço da agricultura de precisão e posiciona o Brasil no radar global de máquinas agrícolas de alto desempenho
O agronegócio brasileiro ganhou um novo protagonista de peso. A marca alemã Fendt, conhecida mundialmente como a “Ferrari dos tratores”, iniciou oficialmente suas operações no Brasil após um investimento de R$ 150 milhões ao longo de dois anos. Dessa vez, a chegada ocorreu por meio do grupo AGCO, que já atua no país com as marcas Valtra e Massey Ferguson.
A informação foi divulgada pelo G1, conforme reportagem publicada em 23 de abril de 2019. Segundo o conteúdo, a empresa instalou escritório, centro comercial e estoque de peças na BR-163, em Sorriso (MT). Por isso, a AGCO posicionou a Fendt no principal polo produtor de soja do Brasil, aproximando a marca dos grandes produtores rurais.
Além disso, a estratégia reforça a presença da companhia no coração da agricultura nacional, mirando um público altamente tecnificado e com grande capacidade de investimento.
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Trator de US$ 450 mil, 517 cavalos e tecnologia superior à de carros importados de luxo
Inicialmente, a Fendt passou a comercializar no Brasil o trator 1050 Vario, considerado um dos mais potentes do mundo. O modelo entrega 517 cavalos de potência e atua em diversas frentes do campo, como preparo do solo, plantio e transporte de grãos ou cana-de-açúcar.
O preço chama atenção. Cada unidade custa US$ 450 mil e chega ao país por importação direta da Alemanha. Ainda que a empresa tenha limitado o volume de vendas, ela não divulgou o número exato de tratores disponíveis.
Durante um evento com jornalistas realizado em São Paulo, no dia 23, o presidente da AGCO na América Latina, Luís Fernando Felli, destacou o posicionamento premium da marca. Segundo ele, “a Fendt é a Ferrari dos tratores”. Além disso, afirmou que as máquinas possuem “mais tecnologia embarcada do que um carro importado de luxo”.
Enquanto isso, o grupo Bom Futuro, produtor de algodão, fechou as primeiras compras do 1050 Vario. No entanto, a empresa não revelou quantas unidades negociou.
Outro diferencial importante envolve eficiência operacional. De acordo com o fabricante, o trator distribui a potência de forma inteligente entre os eixos traseiro e dianteiro, que operam de maneira independente. Como consequência, o equipamento otimiza o consumo de combustível mesmo em operações de alta exigência.
Novos modelos, produção nacional e investimento milionário em inovação

Além do trator de alto desempenho, a Fendt decidiu ampliar sua atuação no Brasil. A partir de 2020, a marca anunciou a venda da colheitadeira Ideal e da plantadeira Momentum no mercado nacional.
A AGCO produziria a colheitadeira na fábrica de Santa Rosa (RS). Ao mesmo tempo, a empresa montaria a plantadeira na unidade de Ibirubá (RS). Apesar disso, os preços desses equipamentos ainda não haviam sido definidos.
Do total de R$ 150 milhões investidos, a companhia direcionou R$ 60 milhões para adaptar as linhas de produção dessas fábricas. Em paralelo, aplicou o restante na compra do imóvel em Sorriso e no processo de “tropicalização” dos produtos, ajustando as máquinas às condições do campo brasileiro.
No caso da colheitadeira Ideal, a inovação se destaca. O equipamento utiliza sensores e câmeras que fornecem dados em tempo real ao operador. Conectado a um tablet, o sistema permite controlar o tipo de colheita até mesmo fora da cabine. Para desenvolver essa máquina, a empresa investiu US$ 250 milhões, o maior aporte do tipo já realizado pela AGCO.
Enquanto isso, a plantadeira Momentum ganhou destaque por ser, segundo a Fendt, a maior do mercado com distribuição de fertilizante diretamente na linha de plantio. Totalmente desenvolvida no Brasil, a máquina mantém cada linha em contato constante com o solo, independentemente da velocidade ou das variações do terreno. Dessa forma, o produtor obtém um plantio mais uniforme e eficiente.
Expansão global, metas agressivas e cenário de crédito no agronegócio
A chegada da Fendt ao Brasil integra uma estratégia global de expansão. Nos últimos dois anos, a marca também entrou em mercados como Estados Unidos, África do Sul, Austrália e países da Ásia. Agora, a empresa pretende avançar gradualmente para outros estados brasileiros e, posteriormente, para outros países da América do Sul.
Além disso, a Fendt estabeleceu uma meta ambiciosa: vender 20 mil tratores em 2020. Atualmente, o grupo AGCO atua em 150 países, emprega mais de 20 mil funcionários e opera com 4,2 mil concessionárias, sendo 600 na América do Sul. No ano anterior ao anúncio, a companhia registrou faturamento de R$ 9,4 bilhões.
Os três produtos destinados ao mercado brasileiro foram apresentados durante a Agrishow 2019, realizada em Ribeirão Preto (SP). No entanto, o lançamento ocorreu em um momento de incerteza, já que os recursos do programa Moderfrota, ligado ao BNDES, haviam se esgotado no Plano Safra 2018/2019.
Mesmo assim, os executivos minimizaram o impacto. Segundo Felli, a incerteza não representa um fator determinante. Já José Galli, diretor da Fendt América do Sul, reforçou que o volume limitado de unidades e o perfil dos clientes reduzem a dependência de crédito subsidiado.
Você acredita que tratores de altíssima tecnologia e preço elevado representam o futuro do agronegócio brasileiro?

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