Família holandesa viveu 9 anos isolada em fazenda acreditando que o mundo havia acabado. O caso real surpreendeu autoridades e revelou os limites do isolamento humano.
Durante quase uma década, uma família viveu completamente isolada em uma fazenda remota no norte da Holanda, convencida de que o mundo havia chegado ao fim. O caso veio à tona em 2019, quando um dos filhos, já adulto, conseguiu escapar e pedir ajuda em um bar próximo, revelando uma história de confinamento, crença apocalíptica e mistério que surpreendeu tanto autoridades quanto psicólogos. A família composta por um pai e seis filhos vivia escondida no subsolo de uma propriedade rural na pequena vila de Ruinerwold, na província de Drenthe.
Eles acreditavam que o planeta havia sido destruído e que apenas eles haviam sobrevivido, aguardando o “novo tempo”, como chamavam o início de uma nova era espiritual. Por quase 9 anos, ninguém da comunidade soube da existência deles, e o grupo sobreviveu plantando legumes, criando animais e armazenando alimentos.
A descoberta acidental que revelou o isolamento
O caso só veio à tona quando o filho mais velho, de 25 anos, conseguiu escapar e caminhar até um bar local. Desnorteado, ele contou ao dono do estabelecimento que havia vivido os últimos nove anos trancado em uma fazenda isolada com a família. O relato assustou o comerciante, que imediatamente chamou a polícia.
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Ao chegar ao local, os investigadores encontraram uma escada oculta atrás de um armário, que levava a um porão improvisado. Lá estavam o pai e os outros cinco filhos, visivelmente desnutridos e desorientados.

Os cômodos eram escuros, sem acesso à luz natural, com colchões improvisados, latas de alimentos e utensílios básicos. Os filhos, que tinham entre 18 e 25 anos, acreditavam que o mundo lá fora não existia mais.
O líder e as crenças apocalípticas
O homem identificado como o patriarca da família, Josef Brunner, de 58 anos, era austríaco e havia se mudado para a Holanda décadas antes. Ele trabalhava como carpinteiro e arrendou a fazenda isolada de um idoso que, posteriormente, também foi investigado por envolvimento no caso.
Segundo a polícia, Brunner controlava rigidamente a rotina dos filhos e pregava que o fim do mundo havia ocorrido em 2010, após uma “grande purificação espiritual”.
Relatos indicam que os filhos nasceram ou cresceram no isolamento e foram educados com base em textos religiosos e previsões de catástrofes globais. Eles acreditavam que o confinamento era uma forma de proteção divina. A família tinha uma horta, animais e um sistema rudimentar de filtragem de água. Não possuíam energia elétrica nem internet.
As consequências psicológicas do isolamento prolongado
O caso causou perplexidade entre psicólogos e sociólogos. Viver isolado por quase uma década, sem contato humano externo, especialmente durante a infância e juventude, tende a gerar impactos profundos.
Os filhos apresentavam dificuldades de fala, medo de estranhos e confusão mental ao serem expostos à vida fora da fazenda. Para os especialistas, o caso ilustra o poder da manipulação psicológica e a vulnerabilidade de grupos fechados que adotam ideologias extremas.
As autoridades holandesas afirmaram que, durante anos, o isolamento foi possível porque a fazenda ficava em uma área de mata densa, com entrada discreta e pouca movimentação de vizinhos. O aluguel do local era pago regularmente, o que evitava suspeitas.
O retorno à vida e a busca por normalidade
Após a descoberta, os filhos foram acolhidos por serviços sociais e receberam tratamento psicológico e médico. Alguns se adaptaram rapidamente à vida moderna, enquanto outros tiveram dificuldades em compreender o mundo contemporâneo, especialmente o uso de tecnologia e a convivência com outras pessoas.
Josef Brunner foi preso e acusado de sequestro e maus-tratos, mas morreu meses depois em decorrência de problemas de saúde antes do julgamento. As investigações mostraram que ele acreditava sinceramente em suas visões apocalípticas, o que tornou o caso ainda mais complexo.
Reflexões sobre isolamento e crença
A história da família de Ruinerwold levanta questões profundas sobre fé, controle e isolamento. Até que ponto o medo do fim pode se transformar em aprisionamento psicológico?
Como a crença em narrativas extremas pode levar famílias inteiras a se afastarem da realidade? Para os investigadores, o caso serve de alerta sobre como ideologias e crenças não verificadas podem criar microcosmos de alienação dentro de sociedades modernas e conectadas.
Hoje, parte da família vive discretamente sob nova identidade, tentando reconstruir a própria vida. Para muitos moradores da região, a lembrança daquele porão sombrio permanece como um símbolo de até onde o ser humano pode ir quando decide se desconectar completamente do mundo.


Não acredito nisso não dá para plantar ou criar animais em um porão