Longe da rotina intensa que marcou décadas de carreira, Rita Lee encontrou no interior paulista um cotidiano particular, dividido com Roberto de Carvalho e cercado pela natureza, onde animais domésticos, espécies aquáticas e visitantes silvestres passaram a ocupar espaço importante em seus dias.
Rita Lee passou a fase final da vida em um sítio no interior de São Paulo, onde dividia a rotina com o marido, Roberto de Carvalho, e mantinha contato constante com animais domésticos, espécies aquáticas e visitantes silvestres que circulavam pelo jardim.
Em entrevista exibida pelo Fantástico em maio de 2020, a cantora contou que naquele momento tinha dois cachorros, três gatos, 30 carpas, três tartarugas-d’água e cinco jabutis, além de macaquinhos, tucanos, maritacas e beija-flores que apareciam soltos na propriedade.
Afastamento dos palcos mudou a rotina de Rita Lee
A mudança para uma rotina mais reservada acompanhou o afastamento dos palcos, iniciado em 2012, depois de décadas marcadas por gravações, viagens e apresentações, enquanto Rita Lee passava a reduzir gradualmente a exposição pública e a reorganizar o cotidiano fora dos grandes espetáculos.
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Sem representar um rompimento com a música ou com a própria trajetória, esse recolhimento permitiu que a artista mantivesse vínculos com a criação e com a memória da carreira, ao mesmo tempo em que concentrava a vida diária na casa, na família e na natureza.
Quando falou sobre envelhecimento na entrevista de 2020, Rita explicou que desejava atravessar aquela etapa sem a obrigação de permanecer diante do público, resumindo a escolha em uma frase direta: “Fiquei com vontade de viver minha velhice afastada dos palcos”.
Essa declaração dava contexto a uma transformação que já vinha acontecendo havia anos, porque a cantora havia trocado a rotina intensa das apresentações por uma vida doméstica mais discreta, sem abandonar o interesse pela própria obra nem o contato com manifestações de carinho dos fãs.
Animais faziam parte do cotidiano no sítio
Dentro do sítio, a relação com os bichos aparecia de maneira concreta na rotina descrita por Rita, que enumerou espécies e quantidades ao apresentar a propriedade como um ambiente compartilhado entre os animais mantidos pela família e aqueles que frequentavam livremente a área verde.
Naquele período, os números divulgados por ela formavam um retrato bastante específico: dois cães, três gatos, 30 carpas, três tartarugas-d’água e cinco jabutis conviviam no local, enquanto aves e pequenos animais silvestres completavam o movimento do jardim chamado pela cantora de “encantado”.
Além da presença cotidiana dos animais, a convivência reforçava uma característica pública conhecida de Rita Lee, frequentemente associada à defesa dos bichos, tema que aparecia tanto em suas manifestações pessoais quanto na forma como descrevia a própria vida durante os anos de maior recolhimento.
Durante a mesma entrevista de 2020, realizada em meio à pandemia de Covid-19, a artista chegou a sugerir a adoção de animais e brincou com o fato de já estar acostumada ao isolamento, hábito que fazia parte de sua rotina antes das restrições daquele período.
Refúgio no interior paulista marcou os últimos anos
Bem diferente do ambiente construído nos palcos, a propriedade no interior paulista se tornou cenário de uma etapa marcada por mais privacidade, sem apagar uma trajetória pública ligada à irreverência, às mudanças artísticas e à presença de Rita Lee em diferentes fases da música brasileira.
Ao lado de Roberto de Carvalho, parceiro pessoal e musical, a cantora encontrava no sítio um espaço reservado, enquanto o contato com os animais e com a vegetação aparecia com frequência nos relatos sobre os anos em que se manteve mais distante dos palcos.
Rita Lee morreu em 8 de maio de 2023, aos 75 anos, em São Paulo, depois de uma carreira que atravessou diferentes gerações e permaneceu associada tanto à transformação do rock brasileiro quanto à autonomia artística construída ao longo de várias décadas.
Nos anos anteriores à morte, as aparições públicas se tornaram menos frequentes, e o sítio passou a representar uma fase em que a cantora preferiu preservar a intimidade, acompanhar homenagens e conduzir os dias sem a sucessão de compromissos profissionais que havia marcado sua carreira.
Contagem dos animais registra um momento específico
Por esse motivo, a contagem dos animais funciona como um registro concreto daquele período e ajuda a mostrar como Rita descrevia a própria casa em 2020, quando a presença dos bichos já ocupava uma posição central na rotina que havia escolhido para envelhecer.
Embora a quantidade exata possa ter mudado depois daquela entrevista, o número disponível corresponde ao relato feito ao Fantástico em 2020, três anos antes da morte da artista, sem confirmação segura de que a mesma composição de animais tenha permanecido inalterada até 2023.
Entre a decisão de envelhecer longe dos palcos e a rotina cercada por cães, gatos, carpas, tartarugas, jabutis e animais silvestres, qual aspecto desse período ajuda mais a compreender a forma como Rita Lee escolheu viver seus últimos anos?

