Mudança de país, adaptação a uma nova rotina e uma oportunidade inesperada no setor de transportes marcaram a trajetória de Rafael Evangelista na Europa, em um percurso que começou longe das estradas e acabou transformando sua relação com trabalho, horários, fronteiras e vida profissional.
Rafael Evangelista deixou Vitória, no Espírito Santo, após ser incentivado pela mãe e pela tia a tentar uma vida na Europa, passou por Lisboa e depois se estabeleceu em Málaga, onde trocou o descarregamento de contêineres pelas estradas como caminhoneiro.
Publicada pelo Brasil Caminhoneiro em 9 de junho de 2021, a trajetória mostra como o capixaba entrou no transporte rodoviário após trabalhar em logística, providenciar a documentação necessária e começar a transportar verduras em diferentes rotas europeias.
Lisboa foi a primeira parada, e Rafael contou ter sentido a diferença de temperatura em relação a Vitória, embora a transformação profissional tenha ganhado força apenas depois da mudança para Málaga, no sul da Espanha, onde encontrou trabalho no setor logístico.
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Enquanto descarregava contêineres, o brasileiro passou a conversar com motoristas e observar mais de perto a rotina do transporte de cargas, convivência que despertou seu interesse por assumir um caminhão e trabalhar diretamente nas estradas europeias.
Da logística em Málaga ao trabalho como caminhoneiro
A decisão de mudar de atividade exigiu uma etapa anterior às viagens, porque Rafael precisou agilizar a documentação necessária para exercer a nova profissão, embora a publicação não detalhe quais documentos foram obtidos nem quando cada procedimento foi concluído.
Com a regularização concluída, ele passou a transportar verduras e deixou uma função concentrada nas operações de carga para assumir uma rotina marcada por deslocamentos, controle de horários, períodos de descanso e permanência longe de casa.
No relato ao Brasil Caminhoneiro, Rafael resumiu o trabalho por uma divisão de tempo que incluía nove horas de condução, 11 horas de descanso e 45 horas destinadas a ficar em casa, além do acompanhamento das jornadas por tacógrafo digital.
Esse padrão coincide, em seus principais números, com as regras atuais da União Europeia, que estabelecem nove horas diárias de condução, 11 horas de repouso diário regular e pelo menos 45 horas de repouso semanal regular.
Em determinadas situações, as normas europeias permitem ampliar o tempo diário ao volante para dez horas em até duas ocasiões por semana, enquanto o limite semanal de condução chega a 56 horas e o acumulado em duas semanas não pode superar 90.
Também está prevista uma pausa de ao menos 45 minutos depois de quatro horas e meia de condução, além de regras específicas para reduções de descanso e para o retorno periódico do motorista ao domicílio ou à base da empresa.
Jornada de caminhoneiro e controle pelo tacógrafo digital
Dentro do caminhão, o controle do tempo fazia parte da própria rotina, e Rafael afirmou que os veículos usados naquele contexto possuíam tacógrafo digital para registrar períodos de direção, pausas e descanso ao longo das jornadas.
Pelas regras da União Europeia, motoristas sujeitos aos limites de condução precisam registrar as viagens no tacógrafo, e esses dados podem ser fiscalizados pelas autoridades tanto na estrada quanto nas instalações da transportadora responsável pela operação.
Ao comparar sua experiência, o capixaba avaliou positivamente a infraestrutura encontrada nas rotas europeias e destacou a manutenção das vias, além da existência de duchas nas autoestradas utilizadas durante as viagens como motorista profissional na Europa.
Segundo Rafael, essas duchas estavam disponíveis em determinadas rotas e incluídas no valor do pedágio, estrutura que, em sua avaliação, ajudava quem permanecia muitas horas ou dias em deslocamento e precisava organizar higiene e repouso fora de casa.
Fronteiras, estradas europeias e salário no transporte de verduras
Entre as dificuldades lembradas pelo caminhoneiro estava o risco de encontrar imigrantes escondidos em veículos pesados na tentativa de atravessar fronteiras sem conhecimento ou autorização do motorista, preocupação que ele associou principalmente aos deslocamentos relacionados à Inglaterra.
No transporte de verduras, Rafael declarou receber em torno de 2.200 libras por mês à época da reportagem, valor que corresponde à remuneração informada por ele em 2021 e não deve ser interpretado como referência atual para caminhoneiros europeus.
Por depender do câmbio daquele período, a conversão para reais apresentada na publicação de 2021 não foi mantida, já que poderia transmitir hoje uma comparação monetária desatualizada sobre uma remuneração registrada há mais de cinco anos.
Da saída de Vitória à mudança para Lisboa e, depois, Málaga, o incentivo da mãe e da tia abriu caminho para uma sequência de adaptações que levou Rafael da logística ao transporte rodoviário profissional em estradas europeias.
Ao definir a escolha pela nova profissão, ele usou a expressão “um caminho sem volta”, depois de enfrentar adaptação a outro país, regularização documental, transporte de verduras e jornadas controladas diariamente pelo tempo ao volante.
Depois de trocar o descarregamento de contêineres por viagens, fronteiras e horários rigidamente registrados em outro continente, deixando para trás uma rotina fixa, você encararia uma mudança semelhante para construir uma vida profissional longe do Brasil?

