Plano estratégico americano busca reduzir dependência chinesa e posiciona Brasil no centro da nova corrida global por minerais essenciais
Uma nova estratégia mineral de grande impacto geopolítico foi apresentada pelos Estados Unidos, ampliando a disputa global por recursos estratégicos. Nesse contexto, o chamado Projeto Cofre (Project Vault) surge como resposta direta à dependência americana da China no setor de minerais críticos. Segundo anúncio feito no início de fevereiro de 2025 pelo presidente Donald Trump, na Casa Branca, o plano prevê investimento de US$ 12 bilhões.
Com esse movimento, o governo americano busca garantir abastecimento contínuo para indústrias estratégicas, tecnologia e defesa nacional. Ao mesmo tempo, a iniciativa ocorre em meio ao aumento das tensões comerciais entre Estados Unidos e China, conforme reportado pela BBC News Mundo . Dessa forma, o projeto também assume caráter geopolítico relevante no cenário internacional.
Assim, além do impacto econômico, o plano reforça a disputa por influência global no setor de recursos estratégicos. Nesse sentido, a criação do Projeto Cofre representa uma mudança estrutural na política industrial dos Estados Unidos. Consequentemente, a estratégia combina segurança econômica, inovação tecnológica e independência produtiva.
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Nova estratégia inspirada na reserva de petróleo
Desde os anos 1970, os Estados Unidos mantêm uma robusta Reserva Estratégica de Petróleo, criada após o embargo energético imposto por países árabes. Atualmente, cerca de 714 milhões de barris estão armazenados em cavernas subterrâneas de sal-gema, garantindo segurança energética em momentos de crise. Dessa forma, essa estrutura se tornou um dos pilares da política energética americana.
Agora, o governo americano busca replicar esse modelo, porém voltado para minerais críticos. Nesse contexto, o Projeto Cofre surge como uma evolução dessa estratégia histórica. Assim, a proposta amplia o conceito de segurança energética para segurança mineral.
Portanto, o plano representa uma adaptação às novas demandas da economia global. Além disso, reflete a crescente importância dos minerais na indústria moderna. Consequentemente, o país tenta antecipar riscos associados à dependência externa.
Minerais críticos ganham protagonismo global
Os Estados Unidos classificam cerca de 60 minerais como críticos, essenciais para o funcionamento da economia moderna. Entre eles, destacam-se terras raras, cobre, níquel, lítio, cobalto e grafite, amplamente utilizados em setores como defesa, tecnologia e energia. Dessa forma, esses recursos se tornam fundamentais para diversas cadeias produtivas.
Além disso, esses materiais são indispensáveis para a produção de aviões de guerra, semicondutores, veículos elétricos, sistemas de inteligência artificial e dispositivos médicos. Nesse contexto, a dependência desses minerais cresce rapidamente. Assim, sua importância estratégica aumenta no cenário global.
Nesse cenário, estima-se que um único caça F-35 utilize mais de 400 kg de terras raras, enquanto a China domina aproximadamente 70% da extração global e 90% do processamento químico. Portanto, o domínio chinês amplia sua influência econômica e tecnológica. Consequentemente, isso pressiona outros países a reagirem.
Reação chinesa acelera plano americano
Em 2025, o governo de Xi Jinping restringiu exportações de terras raras, evidenciando o poder estratégico chinês no comércio global. Dessa forma, a decisão impactou diretamente cadeias produtivas internacionais. Assim, a medida reforçou a dependência global da China.
Diante disso, os Estados Unidos intensificaram seus esforços para reduzir vulnerabilidades no abastecimento desses insumos. Nesse contexto, o Projeto Cofre ganha prioridade estratégica. Portanto, a iniciativa busca antecipar possíveis crises futuras.
Segundo declarações do presidente Trump, o país não pretende enfrentar novamente situações de escassez. Além disso, a política busca garantir estabilidade industrial. Consequentemente, o plano se consolida como ferramenta de segurança econômica.
Desafios na cadeia produtiva mineral
Apesar da urgência, especialistas apontam obstáculos relevantes para a execução do plano. Segundo Jeff Dickerson, da consultoria Rystad Energy, os Estados Unidos demoraram para construir estoques adequados. Dessa forma, a recuperação da competitividade se torna mais complexa.
Além disso, o maior desafio está no processamento desses recursos. Ou seja, não basta apenas extrair os minerais. Assim, é necessário transformá-los em materiais utilizáveis.
Portanto, a criação de uma cadeia industrial completa se torna essencial. Além disso, essa etapa é considerada estratégica. Consequentemente, o sucesso do plano depende dessa estrutura.
América Latina se torna campo de disputa
Diante desse cenário, a América Latina ganha importância estratégica crescente, especialmente por sua diversidade mineral. Segundo Henry Ziemer, do Center for Strategic and International Studies (CSIS), a região passou a ocupar posição central na política externa americana. Dessa forma, os recursos minerais se tornaram prioridade geopolítica.
Além disso, países latino-americanos concentram reservas relevantes de minerais críticos. Nesse contexto, investidores e governos ampliam sua atenção sobre a região. Assim, o interesse internacional cresce rapidamente.
Enquanto isso, a China mantém forte presença na região, especialmente no Cone Sul. Segundo Tilsa Oré Mónago, da Universidade Rice, os Estados Unidos chegaram atrasados nessa disputa. Consequentemente, o cenário competitivo se torna mais desafiador.

Brasil assume papel estratégico global
Nesse contexto, o Brasil emerge como peça-chave na estratégia americana, principalmente por possuir entre 20% e 23% das reservas globais de terras raras, ocupando a segunda posição mundial. Dessa forma, o país ganha relevância internacional. Assim, sua posição estratégica se fortalece.
Em 2025, o Brasil exportou cerca de US$ 12 milhões desses minerais. No entanto, aproximadamente 99,4% tiveram como destino a China, evidenciando a atual dependência comercial. Portanto, o fluxo comercial permanece concentrado.
Dessa forma, uma possível parceria com os Estados Unidos poderia alterar esse cenário. Ainda assim, o governo brasileiro mantém postura cautelosa. Consequentemente, as negociações seguem com prudência.
Acordos internacionais avançam rapidamente
Após o anúncio do Projeto Cofre, os Estados Unidos intensificaram articulações diplomáticas. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, foram firmados 11 acordos sobre minerais críticos, incluindo países como Argentina, Equador, Paraguai e Peru. Dessa forma, a estratégia internacional se fortalece.
Além disso, o México aderiu a um plano de ação estratégico. Segundo o representante comercial Jamieson Greer, esses acordos envolvem projetos de extração e processamento. Assim, a cadeia produtiva ganha integração regional.
Paralelamente, o Chile iniciou consultas bilaterais com os EUA. O país é destaque na produção de cobre e reservas de lítio. Consequentemente, sua importância estratégica aumenta.
Elo perdido pode definir o futuro do projeto
Apesar do enorme potencial mineral da América Latina, ainda existe um desafio estrutural relevante. Segundo Jeff Dickerson, o principal problema está na ausência de processamento local. Dessa forma, a dependência externa permanece.
Ou seja, muitos minerais ainda precisam ser refinados fora da região, especialmente na China. Assim, a cadeia produtiva continua incompleta. Portanto, esse fator limita a autonomia regional.
Assim, a construção dessa cadeia industrial completa se torna decisiva para o sucesso do Projeto Cofre. Além disso, a proximidade geográfica com os Estados Unidos favorece essa integração.
Consequentemente, a disputa global por minerais críticos tende a se intensificar cada vez mais — e quem dominar essa cadeia poderá liderar a nova economia tecnológica mundial?

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