Pesquisa publicada em 7 de outubro indica que as estátuas eram movimentadas de pé, com cordas e balanços laterais. Teste com réplica confirmou o método em campo.
A forma como os Moai da Ilha de Páscoa (Rapa Nui) foram transportados intriga a arqueologia há décadas. Um novo estudo, revisado por pares, afirma que as estátuas “andavam” em posição vertical, movidas por cordas em movimentos coordenados. O artigo saiu no Journal of Archaeological Science.
A equipe, liderada por Carl P. Lipo (Binghamton University) e Terry L. Hunt (University of Arizona), combinou modelagem 3D, base de dados de campo e ensaios práticos. A conclusão reforça relatos orais Rapa Nui e refuta hipóteses de arrasto horizontal em trenós.
O trabalho aparece poucos dias após novas reportagens sobre ameaças climáticas às estátuas, o que aumenta o interesse do público brasileiro por soluções baseadas em evidências sobre a engenharia Rapa Nui.
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O que diz o novo estudo sobre os Moai da Ilha de Páscoa
O artigo foi divulgado em 7 de outubro de 2025 e apresenta o que os autores chamam de “walking moai hypothesis”. Eles argumentam que os Moai foram concebidos para serem transportados de pé, com balanços controlados e puxões alternados de cordas.

A base empírica inclui uma análise sistemática de 962 Moai espalhados pela ilha, com foco em 62 estátuas de estrada associadas às rotas de transporte. Essa amostra sustenta a interpretação funcional de formas e desgastes observados.
Segundo o comunicado institucional da Binghamton University, o estudo integra levantamentos fotogramétricos, medições de campo e experimentação para testar previsões físicas do movimento vertical.
Para contexto histórico, a própria AP lembra que os Moai foram erguidos entre os séculos X e XVI. O novo artigo não debate cronologia, mas reinterpreta como as estátuas chegaram às plataformas cerimoniais (ahu).
Como as estátuas “caminhavam” com cordas
O princípio é simples e eficiente, trata-se de cordas amarradas em pontos laterais e, às vezes, traseiros geram um balanço lateral. O peso desloca o centro de massa e a estátua “dá um passo”, repetindo o ciclo em zigue-zague até o destino. Veja o esquema divulgado para ilustrar:

Para testar a hipótese, a equipe construiu uma réplica de 4,35 toneladas com leve inclinação para a frente. Em campo, 18 pessoas deslocaram a peça 100 metros em 40 minutos, comprovando a viabilidade do método em escala real. “A física faz sentido”, resume Lipo nos relatos à imprensa.
Relatos e vídeos de ensaio mostram que, após iniciar o movimento, o esforço cai e o ritmo aumenta, com parte da equipe puxando com um braço. A performance supera tentativas anteriores de transporte vertical sem o balanço controlado.
O resultado alinha-se a tradições locais e inviabiliza explicações mais antigas de arrasto deitado sobre roletes de madeira, hoje vistas como energeticamente piores para peças desse formato.
Estradas, design dos Moai da Ilha de Páscoa e a modelagem 3D
Os autores destacam bases largas em “D” e inclinação frontal de muitos Moai, atributos que favorecem a estabilidade dinâmica durante o “caminhar”. Esses traços aparecem de forma recorrente no acervo analisado.
A modelagem tridimensional permitiu simular forças e trajetórias. O padrão gerado bate com marcas no terreno e com a localização de estátuas abandonadas ao longo das rotas, interpretadas como quedas durante o transporte vertical.
As chamadas “estradas cerimoniais” ganham novo sentido: seriam vias funcionais abertas e ajustadas conforme a estátua avançava. Em vários trechos, há rotas paralelas e sobrepostas, sinalizando planejamento progressivo de obra e logística.
A física, a morfologia e os registros de campo convergem. Para os autores, os atributos crescem com a escala e a estratégia de “caminhar” se torna a opção mais consistente à medida que as estátuas ficam maiores.
E você, concorda que o novo experimento encerra a polêmica? Deixe seu comentário: o método de “caminhar com cordas” explica tudo ou ainda faltam provas de campo em escala maior?

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