Em meio à escalada de tensão no Oriente Médio, Israel volta seus olhos para a instalação nuclear de Fordow, no Irã, protegida por uma montanha com até 800 metros de profundidade, tornando-se um dos alvos mais difíceis já enfrentados em um eventual conflito.
O atual confronto entre Israel e Irã reacendeu discussões sobre o programa nuclear iraniano, especialmente a respeito de Fordow, a instalação subterrânea mais fortificada do país persa. Localizada em meio a montanhas, essa base representa um desafio logístico sem precedentes.
Construída intencionalmente sob uma montanha, Fordow foi projetada para resistir a ataques aéreos. Após experiências passadas, como o bombardeio israelense ao reator iraquiano em 1981, o Irã adotou uma estratégia de proteção máxima para suas estruturas nucleares mais sensíveis.
A profundidade exata do bunker permanece incerta, mas estimativas apontam para estruturas enterradas entre 80 e 800 metros abaixo da superfície. Essa proteção natural torna praticamente impossível o ataque com armas convencionais.
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Israel não possui armamento capaz de atravessar a montanha que protege o programa nuclear iraniano
De acordo com fontes militares ocidentais, Israel utilizou armas antibunker como a GBU-28, com capacidade de penetração de até seis metros, insuficientes para atingir Fordow. Esse tipo de armamento foi projetado para estruturas subterrâneas rasas.
A única bomba convencional capaz de causar danos significativos à instalação de Fordow seria a GBU-57, também conhecida como MOP (Massive Ordnance Penetrator). Com 13,6 toneladas, essa bomba pode penetrar até 60 metros de rocha sólida.
Contudo, essa arma está disponível apenas para os Estados Unidos e precisa ser lançada de bombardeiros estratégicos B2, aviões também exclusivos das forças armadas americanas. O Irã, portanto, está blindado contra ataques israelenses diretos.
Pentágono teria planos secretos para lançar múltiplas MOPs no mesmo ponto da montanha
Segundo o jornal The New York Times, militares dos EUA elaboraram uma estratégia para destruir Fordow utilizando múltiplas GBU-57 lançadas sequencialmente no mesmo ponto, ampliando o buraco criado pela primeira explosão para maximizar a penetração.
Ainda conforme o jornal, esse plano estava restrito a exercícios militares, mas ganhou força após recentes ataques israelenses. O ex-presidente Donald Trump teria autorizado a preparação de uma possível operação em apoio ao aliado israelense.
Embora tecnicamente possível, a destruição de Fordow com bombas MOP nunca foi realizada em combate real. Especialistas alertam que seriam necessárias ao menos duas explosões exatamente no mesmo local, com extrema precisão e coordenação.
Esforço diplomático perde espaço para ameaças militares no impasse entre Israel e Irã
Durante décadas, os EUA lideraram negociações diplomáticas com o Irã visando limitar seu programa nuclear. Porém, a deterioração das relações e os recentes ataques mudaram o tom da conversa para uma possível ofensiva coordenada com armamento de alta destruição.
As informações foram publicadas pelo The New York Times, BBC e Financial Times, com declarações de Rafael Grossi, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, além de análises do historiador militar Robert Pape.

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