Descoberta acidental revelou caverna de calcário com milhões de anos, morcegos raros, passarelas iluminadas e parque educativo em pleno centro urbano
Em um dia frio, quem percorre as trilhas estreitas entre prédios residenciais de Donghae, na Coreia do Sul, dificilmente imagina que, logo abaixo do concreto e do movimento cotidiano, existe um universo moldado ao longo de centenas de milhões de anos.
Em meio a uma paisagem urbana aparentemente comum, uma entrada discreta conduz a um cenário subterrâneo que mistura mistério, ciência e preservação, revelando como a natureza e a cidade podem coexistir de maneira surpreendente.
Descoberta por acaso em 1991, durante escavações para a construção de um prédio de apartamentos de luxo, a Caverna Cheongok rapidamente se tornou motivo de fascínio.
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Com cerca de 1.510 metros de comprimento, a formação de calcário surgiu há mais de 400 milhões de anos, provocando um impacto imediato na comunidade geológica.
Após cinco anos de pesquisas e manutenção, o espaço foi aberto ao público em 1996, transformando-se em um importante ponto de visitação e estudo.
Um tesouro subterrâneo em pleno centro urbano
Conhecida como Caverna dos Morcegos Dourados de Cheongok, ela é a única caverna de calcário da Coreia localizada exatamente no coração de uma zona urbana.
Estima-se que sua formação tenha ocorrido entre os períodos Cambriano e Ordoviciano, há cerca de 400 a 500 milhões de anos.
Atualmente, 810 metros estão abertos à visitação, enquanto os outros 700 metros permanecem fechados para garantir a sobrevivência do morcego-dourado.
Essa espécie de pelagem laranja vibrante é extremamente rara e protegida como Monumento Natural, além de ser classificada como ameaçada de extinção.
A divisão entre áreas acessíveis e restritas reflete o esforço em equilibrar turismo e conservação.
Caverna lendária: Formas esculpidas pelo tempo
Ao caminhar pelas passarelas internas, o visitante encontra estalactites pendendo do teto como delicados pingentes de pedra, iluminados por luzes que realçam seus contornos.
No chão, estalagmites se elevam lentamente e, em diversos pontos, unem-se às formações superiores, criando colunas robustas que lembram pilares naturais.
Outro destaque são as fendas moldadas pelo fluxo de água ao longo de milhões de anos, consideradas as maiores já registradas no país. Cada detalhe reforça a sensação de estar diante de um espaço vivo, em constante transformação.
Educação ambiental e contato com a natureza
Além da caverna, o complexo abriga o Nature Learning Experience Park. No local, os visitantes percorrem a trilha “Doline”, que apresenta formações em formato de funil no solo, e conhecem o Parque das Flores Silvestres, que reúne mais de 100 espécies de plantas.
Esse conjunto tornou-se referência pedagógica para o estudo da geografia e da botânica regional.
A caverna funciona o ano todo, das 8h30 às 18h, com acesso facilitado por transporte público, já que diversas linhas de ônibus param a três minutos de caminhada da entrada.
A presença dessa relíquia geológica em meio às moradias modernas reforça como a preservação ambiental pode caminhar junto ao desenvolvimento urbano, sem que um anule o outro.
Com informações de Diário do Litoral.


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