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Enquanto gigantes do varejo brasileiro enfrentam dívidas, prejuízos e recuperação judicial, a Havan registra lucro recorde de R$ 3,45 bilhões e levanta uma pergunta que intriga economistas, empresários e investidores: qual é o segredo por trás dessa máquina de lucro?

Escrito por Bruno Teles
Publicado em 10/03/2026 às 14:03
Assista o vídeoHavan registra lucro de R$ 3,45 bilhões mesmo com crise no varejo brasileiro. Entenda como a estratégia de lojas físicas, crédito próprio e logística eficiente transformou a empresa em uma das operações mais lucrativas do setor.
Havan registra lucro de R$ 3,45 bilhões mesmo com crise no varejo brasileiro. Entenda como a estratégia de lojas físicas, crédito próprio e logística eficiente transformou a empresa em uma das operações mais lucrativas do setor.
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Havan alcança lucro recorde de R$ 3,45 bilhões enquanto redes tradicionais do varejo brasileiro enfrentam dívidas e recuperação judicial, e o desempenho da empresa levanta uma pergunta inevitável: qual estratégia permite que a companhia cresça com lojas físicas em um mercado cada vez mais pressionado

A Havan aparece hoje como um caso incomum dentro do varejo brasileiro. Enquanto grandes redes enfrentam dívidas elevadas, margens comprimidas e processos de recuperação judicial, a empresa catarinense registrou lucro recorde de aproximadamente R$ 3,45 bilhões, abrindo um debate inevitável sobre o funcionamento real de seu modelo de negócio.

O desempenho chama atenção porque ocorre justamente em um momento de forte pressão financeira no setor. A Havan cresce em um ambiente em que muitas varejistas lutam apenas para manter as operações, o que levou economistas e empresários a examinar com mais cuidado os pilares que sustentam essa performance.

Estrutura financeira da Havan cria uma blindagem rara no varejo

Havan registra lucro de R$ 3,45 bilhões mesmo com crise no varejo brasileiro. Entenda como a estratégia de lojas físicas, crédito próprio e logística eficiente transformou a empresa em uma das operações mais lucrativas do setor.

Um dos primeiros fatores que explicam o desempenho da Havan está na estrutura financeira da companhia.

Enquanto muitas varejistas dependem intensamente de crédito bancário para financiar operações e expansão, a empresa encerrou o ano com cerca de R$ 4,9 bilhões em caixa e uma dívida bruta próxima de R$ 78 milhões, resultando em dívida líquida negativa.

Essa situação cria um efeito incomum no mercado. Em vez de pagar juros elevados, a Havan acaba gerando receitas financeiras, que somaram aproximadamente R$ 800 milhões em 2025.

Em um país onde a taxa de juros frequentemente pressiona empresas endividadas, a lógica se inverte: a companhia transforma o cenário macroeconômico em um aliado do lucro.

Outro elemento decisivo é a estrutura societária. A Havan mantém capital fechado, o que significa que não precisa responder a pressões trimestrais de investidores da bolsa por crescimento acelerado.

Essa liberdade permite decisões focadas em rentabilidade de longo prazo, sem a necessidade de promoções agressivas apenas para inflar receitas momentâneas.

Estratégia imobiliária reduz um dos maiores custos do varejo

Outro pilar importante do modelo da Havan está na forma como a empresa utiliza seus imóveis. Diferentemente de muitas redes que operam dentro de shopping centers e pagam aluguel elevado, cerca de 76% das lojas da Havan funcionam em imóveis próprios.

Essa estratégia muda completamente a estrutura de custos. O que para a maioria das varejistas é uma despesa permanente se transforma em patrimônio no balanço da empresa, eliminando gastos com aluguel, condomínios e taxas de shopping que costumam corroer margens.

Além disso, as unidades costumam ser instaladas em grandes lojas de rua, muitas vezes localizadas em cidades médias do interior. Esse posicionamento reduz custos operacionais e cria uma espécie de monopólio regional, atraindo consumidores de várias cidades próximas.

A escolha do interior também permite lojas amplas, estacionamento gratuito e estrutura de lazer, o que transforma a visita em uma experiência de consumo prolongada. Em 2025, a empresa registrou cerca de 190 milhões de clientes, com crescimento aproximado de 7%.

Logística centralizada sustenta a expansão das lojas físicas

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Enquanto parte do varejo brasileiro concentrou investimentos em entregas rápidas e logística urbana complexa, a Havan adotou um modelo diferente. A empresa estruturou um grande centro de distribuição em Barra Velha, Santa Catarina, com cerca de 200 mil metros quadrados.

Nesse complexo, aproximadamente R$ 100 milhões foram investidos em automação, incluindo robôs capazes de separar até 3.000 caixas por hora. Esse sistema permite abastecer as lojas com rapidez e previsibilidade.

A lógica logística também é diferente da corrida pela chamada “última milha”. A Havan prioriza o transporte rodoviário de longa distância entre o centro de distribuição e suas megastores, evitando os altos custos da fragmentação das entregas urbanas.

Essa estratégia reduz despesas logísticas e garante que as lojas mantenham estoque regular. Menos rupturas significam mais vendas e maior satisfação do consumidor, criando um ciclo operacional que favorece a recorrência de compras.

Mix de produtos protege margens e mantém rentabilidade elevada

Outro elemento central na estrutura da Havan está no mix de produtos. Enquanto parte do varejo depende fortemente da venda de eletrodomésticos, cuja margem líquida costuma ficar entre 1% e 2%, a empresa concentra grande parte do faturamento em categorias com rentabilidade maior.

Cerca de 60% das vendas vêm de moda e têxteis, categorias que podem ultrapassar 50% de margem bruta. Produtos de bazar e utilidades domésticas também apresentam margens próximas de 42%.

Os eletrodomésticos permanecem no portfólio, mas cumprem papel estratégico diferente. Eles funcionam como produtos de atração, capazes de gerar fluxo de consumidores e aumentar o ticket médio dentro da loja.

Esse equilíbrio permite que a empresa mantenha margem líquida consolidada próxima de 25,1%, algo incomum no varejo de massa brasileiro.

Crédito próprio se transforma em um motor de lucro

Outro ponto que diferencia a Havan é o uso do crédito próprio. Em vez de depender exclusivamente de bancos ou financeiras, a empresa mantém um sistema interno de financiamento para os clientes.

Em 2025, aproximadamente 40% das vendas da Havan foram realizadas através do cartão da própria rede. Isso cria duas fontes de receita: a venda do produto e o financiamento da compra.

Após a pandemia, a empresa realizou um ajuste importante nesse sistema. Cerca de 2 milhões de clientes considerados de alto risco tiveram crédito cortado, reduzindo drasticamente a inadimplência.

O resultado foi significativo. A taxa de inadimplência caiu de cerca de 10% para aproximadamente 2,5%, enquanto a receita financeira gerada pelo crediário próprio chegou a R$ 800 milhões.

Além disso, o cartão sem anuidade incentiva compras recorrentes, fortalecendo a relação entre consumidor e loja.

O debate sobre concorrência internacional e regras de mercado

A Havan também tem participado ativamente de discussões regulatórias relacionadas ao comércio internacional. Um dos temas mais sensíveis envolve a entrada de produtos importados de baixo valor por plataformas estrangeiras.

Segundo a visão defendida pela empresa, a diferença de tributação entre produtos nacionais e importados cria distorções competitivas. A empresa argumenta que varejistas brasileiros pagam altos volumes de impostos, enquanto parte dos produtos estrangeiros entrava no país com carga tributária menor.

Como grande parte do faturamento da Havan vem de moda e têxteis, categorias diretamente afetadas por importações baratas, o tema passou a ocupar espaço relevante na estratégia institucional da empresa.

Por que a Havan cresce enquanto outros enfrentam crise

Ao observar todos esses elementos juntos, surge um quadro mais claro. A Havan não opera apenas como uma rede tradicional de lojas, mas como uma estrutura integrada que combina logística eficiente, crédito próprio, controle imobiliário e forte gestão de capital.

Enquanto parte do varejo brasileiro apostou em crescimento acelerado baseado em endividamento e expansão digital custosa, a empresa seguiu um caminho diferente. A prioridade foi manter caixa elevado, reduzir custos estruturais e proteger margens.

Esse modelo explica por que a companhia consegue crescer mesmo em um cenário econômico adverso. A combinação de baixo endividamento, logística centralizada e mix de produtos de alta margem cria uma estrutura mais resistente às oscilações do mercado.

A própria presença de Luciano Hang também acabou se transformando em ferramenta de marketing. A exposição constante da figura do empresário mantém a marca em evidência, reduzindo a necessidade de investimentos massivos em publicidade tradicional.

O caso da Havan levanta uma discussão importante sobre o futuro do varejo brasileiro. Em um setor pressionado por juros altos, competição digital e margens cada vez menores, a empresa construiu um modelo que combina prudência financeira e estratégia operacional.

Enquanto muitos concorrentes buscaram crescer rapidamente, a Havan apostou em controle de custos, logística eficiente e expansão gradual. O resultado foi um lucro de R$ 3,45 bilhões em um período em que várias redes lutam para sobreviver.

E você, ao olhar para esse cenário, acredita que a Havan encontrou uma fórmula que outras empresas podem copiar ou esse resultado depende de fatores únicos do modelo da empresa?

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Falo sobre tecnologia, inovação, petróleo e gás. Atualizo diariamente sobre oportunidades no mercado brasileiro. Com mais de 7.000 artigos publicados nos sites CPG, Naval Porto Estaleiro, Mineração Brasil e Obras Construção Civil. Sugestão de pauta? Manda no brunotelesredator@gmail.com

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