China e Taiwan lideram a construção de 64 novas fábricas de semicondutores, ampliando o avanço da inteligência artificial e da indústria global.
A disputa global pelos semicondutores entrou em uma nova fase. Segundo dados da SEMI, organização internacional ligada à indústria de eletrônicos e circuitos integrados, 64 novas fábricas de chips devem entrar em operação na Ásia até 2029. Desse total, 58 estarão concentradas na China e em Taiwan, enquanto apenas seis serão instaladas em países do sudeste asiático.
Segundo dados da Xataka Brasil no dia 14 de maio, o avanço simultâneo de China e Taiwan acontece em um momento estratégico para a indústria mundial. A explosão da inteligência artificial, a expansão dos data centers e o crescimento da computação em nuvem aumentaram drasticamente a demanda por semicondutores de alto desempenho.
Enquanto isso, Estados Unidos e Europa tentam acelerar programas bilionários para reduzir a dependência asiática. Ainda assim, o domínio industrial da região continua crescendo e já provoca preocupação em governos, fabricantes de tecnologia e especialistas em segurança econômica.
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China acelera novas fábricas de semicondutores para enfrentar restrições dos EUA
A China transformou os semicondutores em prioridade nacional. O país tenta reduzir sua dependência tecnológica externa após as restrições impostas pelos Estados Unidos sobre equipamentos avançados de fabricação de chips.
Empresas como a SMIC e a Hua Hong Semiconductor ampliaram investimentos em novas fábricas para fortalecer a produção local.
Hoje, a China ainda enfrenta limitações importantes para avançar além dos 7 nanômetros sem acesso às máquinas de litografia ultravioleta extrema da ASML. Mesmo assim, fabricantes chinesas continuam expandindo capacidade produtiva em ritmo acelerado.
A Huali Microelectronics, divisão da Hua Hong Semiconductor voltada para fabricação terceirizada de chips, prepara o início da produção de semicondutores de 7 nm em sua planta localizada em Xangai.
Os investimentos chineses têm objetivos muito claros:
- Reduzir a dependência de fornecedores estrangeiros
- Fortalecer a indústria nacional de tecnologia
- Expandir a infraestrutura ligada à inteligência artificial
- Garantir maior segurança econômica e industrial
Além disso, a China quer ocupar posição estratégica no mercado global de inteligência artificial, considerado um dos setores mais importantes da próxima década.
Taiwan amplia capacidade produtiva diante da explosão da inteligência artificial
Se a China busca independência tecnológica, Taiwan vive um cenário diferente. O território abriga empresas fundamentais para a cadeia global de semicondutores, incluindo a TSMC e a UMC.
A TSMC, principal fabricante mundial de chips avançados, enfrenta uma demanda crescente por tecnologias de 2 nm e 3 nm. Esses semicondutores são utilizados em servidores de inteligência artificial, smartphones premium, supercomputadores e centros de dados.
O crescimento da IA generativa aumentou ainda mais a pressão sobre a capacidade produtiva da empresa. Por isso, Taiwan vem acelerando a abertura de novas fábricas para evitar gargalos no fornecimento global.
Especialistas apontam que a inteligência artificial mudou completamente a dinâmica da indústria de semicondutores. Modelos avançados exigem enorme poder computacional, o que amplia a necessidade de chips cada vez mais eficientes.
Atualmente, Taiwan ocupa posição estratégica porque domina justamente a produção dos semicondutores mais avançados do planeta.
Corrida global por semicondutores redefine economia e tecnologia
O crescimento das novas fábricas mostra que os semicondutores se tornaram ativos essenciais para a economia mundial. Hoje, praticamente todos os setores dependem diretamente desses componentes.
Entre os segmentos mais impactados estão:
- Inteligência artificial
- Computação em nuvem
- Carros elétricos
- Redes 5G
- Smartphones
- Sistemas militares
- Automação industrial
Segundo projeções da consultoria McKinsey, o mercado global de semicondutores pode ultrapassar US$ 1 trilhão até 2030. Grande parte desse crescimento está ligada justamente à inteligência artificial e à digitalização acelerada da economia.
Esse cenário ajuda a explicar por que China e Taiwan concentram tantos investimentos em novas fábricas. O domínio produtivo garante influência econômica, tecnológica e até geopolítica.
EUA e Europa ampliam subsídios para reduzir dependência de China e Taiwan
Os governos ocidentais passaram a tratar os semicondutores como tema estratégico de segurança nacional.
Nos Estados Unidos, o Chips and Science Act destinou mais de US$ 52 bilhões para fortalecer a indústria local. A União Europeia também lançou programas bilionários para ampliar sua capacidade produtiva.
Mesmo assim, especialistas alertam que recuperar décadas de liderança asiática não será simples. Construir novas fábricas exige investimentos gigantescos, mão de obra altamente qualificada e acesso constante a matérias-primas críticas.
Além disso, a cadeia global de semicondutores é extremamente complexa. Diversos países participam da fabricação, desde a extração de minerais até o encapsulamento final dos chips.
Vulnerabilidades preocupam setor global de semicondutores
A própria SEMI demonstrou preocupação com a forte concentração industrial em China e Taiwan. Ajit Manocha, diretor-executivo da organização, defende que outros países aliados ampliem investimentos para reduzir riscos na cadeia global.
Uma das principais preocupações envolve Taiwan. As fábricas da TSMC são consideradas estratégicas não apenas para a economia taiwanesa, mas também para Estados Unidos e parceiros internacionais.
Além das tensões geopolíticas, outro problema preocupa a indústria: a escassez de recursos essenciais para fabricação de semicondutores.
Entre os materiais mais críticos estão:
- Hélio
- Bromo
- Minerais estratégicos
- Componentes químicos industriais
O hélio, por exemplo, teve forte valorização após tensões internacionais envolvendo produção de gás natural no Oriente Médio. Como o gás é essencial para processos industriais ligados aos semicondutores, o aumento dos preços acendeu um alerta global.
Sudeste asiático tenta aproveitar expansão das novas fábricas
Apesar da liderança de China e Taiwan, países do sudeste asiático tentam ganhar espaço no setor.
Malásia, Singapura, Vietnã e Tailândia aparecem como candidatos fortes para receber futuras novas fábricas de semicondutores. A Malásia já possui centros avançados de encapsulamento e verificação da Intel, o que fortalece sua posição regional.
A SEMI acredita que a diversificação geográfica será importante para reduzir riscos logísticos e vulnerabilidades políticas ao longo da próxima década.
Empresas globais também começam a analisar alternativas para diminuir a dependência excessiva de China e Taiwan na cadeia mundial de chips.
A nova disputa tecnológica que pode definir o futuro da inteligência artificial
A expansão das novas fábricas mostra que a indústria de semicondutores entrou em uma fase decisiva. China e Taiwan ampliam rapidamente sua capacidade produtiva justamente no momento em que a inteligência artificial se transforma no principal motor da economia digital.
Ao mesmo tempo, Estados Unidos e Europa tentam recuperar espaço por meio de subsídios bilionários e incentivos industriais.
O problema é que a liderança asiática continua extremamente forte. Taiwan domina a fabricação dos chips mais avançados do planeta, enquanto a China acelera investimentos para reduzir limitações tecnológicas e ampliar sua independência industrial.
Nos próximos anos, os semicondutores devem ganhar ainda mais importância estratégica. Quem controlar a produção desses componentes terá vantagem econômica, tecnológica e geopolítica em setores fundamentais da sociedade moderna.
A disputa global já começou — e os impactos dessa corrida devem influenciar diretamente o futuro da inteligência artificial, da inovação tecnológica e da economia mundial nas próximas décadas.
Com informações de Xataka Brasil


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